Juventude

Por que o DCE da Unicamp não divulga lista de ônibus para os estudantes irem ao CONUNE?

Este ano ocorrerá o Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE), que a cada dois anos elege direção da UNE, a maior entidade do movimento estudantil no Brasil e que também decide os próximos passos da luta da juventude. O CONUNE ocorrerá em Brasília, nos dias 10 a 14 de julho, data próxima da votação na câmara de deputados da reforma da previdência, centro dos ataques neoliberais do governo Bolsonaro.

terça-feira 2 de julho| Edição do dia

Foto de Robson B. Sampaio

O CONUNE irá ocorrer após eventos importantes de mobilização da juventude e dos trabalhadores: os atos pela educação dos dias 15 e 30 de maio e a greve geral do dia 14 de junho. Apesar destas mobilizações terem sido marcadas pela traição de suas burocracias estudantis e sindicais (UNE, CUT, CTB) que desde essa época estavam impondo a separação da luta contra os cortes da luta contra a reforma da previdência, elas mostraram grande disposição da juventude e dos trabalhadores para enfrentar o projeto neoliberal do governo. O CONUNE 2019 poderia cumprir um papel fundamental em organizar a linha de frente dos estudantes que tomaram as ruas em maio para que, junto com os trabalhadores, possam derrotar o projeto de ataques econômicos como um todo.

Defendendo esta batalha da juventude, o Esquerda Diário apoiou a chapa “São Eles ou Nós: que os capitalistas paguem pela crise!”, composta de estudantes da Juventude Faísca e independentes, para as eleições de delegados do CONUNE. Esta chapa tem como eixo central a unidade da juventude com a classe trabalhadora na luta contra os ataques de Bolsonaro e esteve em diversas universidades defendendo um programa anticapitalista de saída para a crise econômica. Na Unicamp conseguimos eleger 2 delegados, que continuarão a serviço de defender estas ideias em Brasília.

Além disso, acreditamos que seria fundamental que o máximo número de estudantes que puder esteja presente no congresso e que todos os que desejem ir tenham suas condições de participar garantidas. A direção majoritária da UNE e da UEE, que tem maior peso nas decisões e poderia desprender suas forças a serviço de organizar uma grande caravana com todos os estudantes que estão interessados, porém, têm se preocupado somente em garantir seus próprios lugares, mantendo dois ônibus com lista fechada em Campinas, enquanto outros dois, demandados pelo DCE, têm seus lugares disputados entre as outras correntes do movimento estudantil para levar suas chapas. Em outras universidades, a situação ainda é pior sem sequer saber se haverá ônibus a uma semana do evento acontecer.

Esta atitude burocrática da majoritária é uma continuidade da política do PT e do PCdoB que dirigem a entidade, os mesmos partidos que frearam a luta no 14J e hoje batalham para a aprovação da reforma da previdência “alternativa” a partir de seus governadores no Nordeste. Eles querem negociar nosso futuro, e não construir de fato uma oposição ao governo Bolsonaro, na qual todo estudante poderia ser parte ativa para tomar a luta nas mãos como vimos no mês de maio. A concepção da UJS e de corrente do PT que compõem a majoritária é clara: querem que o congresso seja restrito, que os estudantes mal saibam que vai acontecer e, se souberem, que não tenham como ir pois querem controlar de forma consciente a nossa força para poder levar em frente sua política traidora.

Na Unicamp a participação dos estudantes no processo de eleição de delegados para o CONUNE foi bastante significativa, com quase 1900 votos no total. Nós, da faísca, já viemos procurando o DCE, dirigido pelo PSOL, para saber como está a organização dos ônibus com a reitoria para que todo estudante que participou do processo ou que possa vir a se interessar saiba o que está acontecendo e veja como pode se organizar para ir ao congresso, porque não queremos um CONUNE restrito apenas às chapas que fizeram parte do processo, diante dos desafios que tem a juventude nacionalmente e achamos que as reitorias, ainda mais na Unicamp em que Knobel diz defender a educação pública, deveriam garantir a ida de todos que quisessem. O DCE da Unicamp, no entanto, que é dirigido pela Oposição de Esquerda, composta por corrente do PSOL e pelo PCB e que poderia estar cumprindo um papel diferente que do que leva a majoritária da UNE, ainda não informou ao conjunto dos estudantes as condições que terão para ir ao CONUNE, já que depois das eleições de delegados, não há mais nenhuma informação pública sobre o Congresso na página do DCE ou em qualquer outro meio.

O congresso deve ser um espaço amplo para cada estudante expressar seu ódio e sua disposição de luta contra o projeto miserável que querem impor para o nosso futuro, com trabalhos precários, sem direito nem aposentadoria. Visto isso, tem que ser uma batalha central e urgente que tanto o DCE quanto os CAs dirigidos pela Oposição de Esquerda se coloquem a serviço de batalhar abertamente pela ida do maior número de estudantes possível, exigindo da reitoria mais ônibus, divulgando listas para saber qual a demanda da Unicamp e quantos estudantes se interessam em ir e denunciando o papel da majoritária que conscientemente impede a participação ampla dos estudantes, combatendo frontalmente sua prática de listas fechadas. A Oposição, enquanto não cumprir esse papel, estará encobrindo as ações burocráticas da majoritária e sua política de negociação, que por sua vez tentará de tudo para manter uma imagem combativa enquanto rifa nossos direitos com o Centrão e está batalhando para aprovar a reforma da previdência “alternativa” que será votada no dia 17 de julho na Câmara.

Nosso futuro está em jogo e a juventude já mostrou o papel que pode cumprir! É necessário que cada estudante se sinta sujeito do movimento estudantil e de cada uma de nossas lutas e possa estar no próximo CONUNE! Essa é a perspectiva da chapa “São Eles ou Nós: que os capitalistas paguem pela crise” composta pela juventude faísca e independentes e chamamos a todos que compartilham essa ideias à estar conosco em cada universidade e no 57º CONUNE lutando por um movimento estudantil antiburocrático, anticapitalista e aliado à classe trabalhadora.




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