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Por falta de oxigênio, 7 pessoas da mesma família morrem na divisa do Pará com Amazonas

O colapso da rede de saúde com a ausência de oxigênios nos hospitais chega ao Pará, tendo como retrato a morte de sete familiares num período de 24h, todos com sintomas que apontam um diagnóstico de COVID 19.

Grazieli RodriguesProfessora da rede municipal de São Paulo

quarta-feira 20 de janeiro | Edição do dia

Foto da UBS de Nova Maracanã, onde funcionários precisam improvisar para garantir atendimento aos pacientes — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em menos de 24 horas foram registradas mortes de sete pessoas da mesma família no distrito Nova Maracanã, zona rural de Faro, município que fica na divisa do Pará com o Amazonas. As mortes que foram confirmadas pelo secretário do Meio Ambiente, Arthur Brasil, se deram pela falta de cilindros de oxigênio na UBS (Unidade Básica de Saúde) onde os pacientes foram atendidos. As vítimas, três mulheres e quatro homens, vieram a óbito entre essa segunda (18) e terça (19).

Assim como a capital do estado vizinho, Manaus, o município de Faro vive um colapso em seu sistema de saúde, notificado desde ontem (18), expresso na falta de um componente básico no tratamento dos casos graves de COVID, o oxigênio. Como consequência direta dessa crise, que aprofunda os efeitos da pandemia combinada à profunda crise econômica e política que vivemos, nos deparamos nos últimos dias com inúmeros relatos de trabalhadores da saúde narrando a dor de assistir a população morrer literalmente sem respirar enquanto Bolsonaro lava suas mãos.

A proximidade com o Amazonas acende um alerta também do governo do estado. Em visita a Santarém, durante cerimônia de imunização contra a COVID-19, Helder Barbalho (MDB), governador do Pará, disse ser fundamental que as estruturas municipais sejam fortalecidas para atender a demanda de pacientes acometidos pela doença.

No entanto, ao mesmo passo que ele clama por “solidariedade” dos municípios vizinhos e empresas, é preciso lembrar que a situação que vive o Norte do país não é produto só da pandemia, mas sim das escolhas conscientes dos governos estaduais de como gerir a crise, em suma, descarregando-a nas costas dos trabalhadores em nome da garantia do lucro dos mais ricos, onde as vidas que são rifadas são as dos mais pobres.

Resgatamos o editorial do MRT publicado ontem, 2021: Contra pandemia e desemprego, é preciso enfrentar Bolsonaro e o regime do golpe institucional, a seguinte afirmação: “(...) Todo esse regime do golpe com seus atores mais ou menos em evidência – Bolsonaro, os militares, os governadores, parlamentares, o Supremo Tribunal Federal e o autoritarismo judiciário em suas mais variadas espécies – foram responsáveis por termos chegado até aqui. Em conjunto. São todos inimigos diretos do povo trabalhador, e não merecem qualquer confiança. (...)”.

Helder Barbalho, é do MDB, partido de Rodrigo Maia e pilar de apoio para cada um dos ataques aprovados contra os direitos dos trabalhadores, cuja realidade é o desemprego e uma série de necessidades, que agora se somam ao colapso de oxigênio da rede pública de saúde, em meio a uma crescente nos óbitos e casos da COVID. Saiba mais aqui.

Frente a irracionalidade dos governos, que mesmo a vacina ainda não garantiram na demanda necessária à população - dando continuidade à lógica de preservação dos lucros ante as vidas nossa classe. Onde o oxigênio que falta e mata nos hospitais do Norte do país são produto de importação na mão de Bolsonaro, e num momento onde vemos colapsar um sistema de saúde como o SUS, que vem há anos sendo sucateado, privatizado e destruído pelo projeto político dos governos. Defendemos a entrada em cena da classe trabalhadora, tendo a frente os trabalhadores da saúde que na linha de frente do enfrentamento a pandemia e sem condições objetivas para isso muitas vezes, ainda enfrentam suas vidas na guerra contra a COVID, para organização de um plano de emergência e enfrentamento a pandemia, que seja colocado de pé à nossa maneira, em nome de nossas vidas e contra a irracionalidade capitalista que promete expandir barbáries como a que vivenciamos hoje em Manaus e agora no Pará.




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