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Editorial MRT | Por atos nacionais no 9J contra os ataques à educação, por justiça para Genivaldo e um plano de emergência em PE e AL

É preciso unificar cada uma dessas demandas numa luta comum, as entidades estudantis e sindicais precisam construir atos nacionais no dia 9 de junho, contra o bolsonarismo e os ataques promovidos pelos diferentes atores desse regime degradado.

Odete AssisMestranda em Literatura Brasileira na UFMG

Marie CastañedaCoordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

sexta-feira 3 de junho | Edição do dia

Maio terminou com nó na garganta no nosso país. Não bastasse a fome, a inflação, o salário que sequer chega ao fim do mês ou o desespero do desemprego, a última semana foi a expressão viva da barbárie que esse sistema capitalista e seus governos nos reservam. Vimos o ódio reacionário da extrema direita bolsonarista, que no comando das instituições do Estado, como a Polícia Rodoviária Federal, é capaz de assassinar um trabalhador negro numa viatura transformada em câmara de gás, e de auxiliar a sanguinária polícia militar do Rio de Janeiro a invadir casas e comunidades para promover mais uma chacina que deixa sangue e corpos negros no chão.

Ao passo que o clã bolsonarista comemorava as vítimas da chacina no Rio de Janeiro e os militares apresentavam seu reacionário Projeto Nação, se avançou no Congresso na discussão da PEC 206 que quer cobrar mensalidades nas universidades públicas e cercear debates. Frente ao rechaço instalado nas redes sociais com a PEC 206, a votação na CCJ foi adiada e em seguida Bolsonaro cortou novos 14% do orçamento da educação, para não deixar rastro de dúvida sobre suas intenções em relação às universidades e institutos federais já sucateados, e que novamente estão ameaçados de fechamento.

Poucas horas depois, enchentes e alagamentos transformaram em pesadelo a região metropolitana do Recife em Pernambuco e também no Alagoas. Já são mais de 120 mortos só em PE, que também tem desaparecidos e milhares de desabrigados. Mais uma demonstração da irracionalidade capitalista que garante os lucros dos empresários enquanto oferece a destruição ambiental, moradias precárias e a ausência de saneamento básico, como fazem os governos do PSB em Pernambuco e em Maceió. Em bairros inteiros que já têm suas casas destruídas pela exploração do sal-gema da empresa Braskem, agora mais moradores ainda perdem suas casas pelas consequências do descaso destes governos. A viagem de Bolsonaro ao Recife foi para fazer demagogia como se não fosse responsável direto pela situação que a população atravessa com seus ataques e deu declarações escandalosas, chamando Genivaldo de marginal.

Muitos se perguntam como Bolsonaro pode seguir no poder mesmo depois de tudo o que vivemos? Como os militares podem ter conquistado tanta força? A resposta a essa pergunta está em ver que a extrema direita se manteve no poder porque foi extremamente funcional para a burguesia fazendo com que a crise capitalista fosse descontada nos ombros da classe trabalhadora e de toda população, com as reformas como a da previdência e trabalhista, com a precarização extrema do trabalho e com as privatizações, como a da Eletrobrás, que está em curso nesse momento. E para implementar cada uma dessas medidas Bolsonaro teve ao seu lado não somente essa casta saudosa da ditadura que são os militares, mas o STF e o judiciário racista, o congresso, com o Centrão, como o PSD de Alexandre Kalil, e partidos burgueses como o PSDB, MDB.

Desde o golpe institucional de 2016 vimos diferentes momentos de tensões e disputas entre os poderes, que produziram a ascensão da extrema direita como força política e social no país. Se hoje Bolsonaro faz ameaças golpistas sobre não reconhecer o resultado das urnas em outubro é porque em todo o último período atores sem voto interferiram na política muito além do que é tradicional no funcionamento das democracias burguesas. Não somente os militares com seus mais de 8 mil cargos no governo, mas também o judiciário, em particular o STF, que prendeu arbitrariamente Lula, manipulou as eleições de 2018, e agora utiliza métodos parecidos contra a extrema direita.

Em cada momento que se colocou a possibilidade da classe trabalhadora e seus aliados entrarem em cena para combater com seus métodos, de greves, paralisações e atos de ruas, o que vimos foi o Lula e o PT alimentarem uma política de confiança nas instituições desse regime, de apostar em saídas eleitorais e institucionais. Canalizavam a disposição de luta para uma via de manutenção desse sistema capitalista, visando se colocar como um projeto mais humano de administração desse regime, perdoando os golpistas, como Geraldo Alckmin, que hoje é seu vice, se calando diante da violência policial, nunca tendo se enfrentado com o garimpo e o agronegócio que assassina os indígenas e comunidades rurais, com as mineradoras e grandes empresas que destroem o meio ambiente. E por isso, as centrais sindicais dirigidas pelo PT, ou que apoiam Lula, mantém a classe trabalhadora sem se colocar como sujeito político para lutar pelos nossos direitos. O PSOL embarcou nesse projeto Lula-Alckmin, ao lado da ecocapitalista Rede, do Itaú e das militantes contra o direito ao aborto, Marina Silva e Heloísa Helena, mas foi esse caminho da conciliação com nossos inimigos o que nos trouxe até aqui e precisamos tirar as lições do passado para pensar nos desafios futuros.

Nós do MRT, da juventude Faísca Revolucionária e do Esquerda Diário estivemos em cada local de trabalho e estudo, em cada greve, paralisação e ato de rua lutando contra o golpe institucional e os ataques de forma independente da conciliação petista, batalhando por uma política de auto-organização da classe trabalhadora ao lado da juventude, dos movimentos sociais e do conjunto da população.
Por tudo isso, hoje estamos na linha de frente para organizar nossa indignação e enfrentar Bolsonaro, os militares e a extrema direita com a força da nossa luta. Batalhando por unificar cada uma das nossas demandas em uma só luta. As centrais sindicais e entidades estudantis, precisam romper seu pacto de paz em nome da conciliação com a direita e a saída eleitoral, organizando a classe trabalhadora e a juventude para enfrentar o bolsonarismo e defender nossos direitos com a força da nossa mobilização.

A União Nacional dos Estudantes está chamando formalmente um calendário de mobilização com atos nacionais no dia 9 de junho, que deveria ser preparado com assembleias nas universidades e Institutos Federais do país todo, organizadas desde a base e não burocraticamente como tem sido a prática dessa entidade. O chamado aprovado nas assembleias da UFRGS, da UFMG e da UFRN, que também votou uma paralisação neste dia, para que a UNE convoque nacionalmente um dia de paralisação construído pela base, é um grande ponto de apoio para fortalecer nossa luta e a unidade das pautas. Assim como o chamado da assembleia da UFRGS a outras entidades estudantis e sindicais do estado e da cidade para construírem essa mobilização.

Imaginem a força que poderia ter se diversas universidades paralisassem suas atividades para que estudantes, professores e trabalhadores estivessem nas ruas nesse dia, estendendo o chamado que começou com o movimento estudantil para os sindicatos e os trabalhadores, em primeiro lugar aqueles que já estão em luta, como da CSN, Caoa Cheri e DETRAN RN, buscando unificar nossas demandas em uma só mobilização, transformando os atos do dia 9 de junho em uma paralisação nacional. É esta força social que poderia barrar os ataques da extrema-direita, conquistar justiça por Genivaldo e um plano de emergência para Pernambuco e Alagoas, controlado pelos trabalhadores e pela população e não pela sede de lucro dos capitalistas, e o atendimento de todas as reivindicações dos trabalhadores em luta, com a entrada em cena da classe trabalhadora se recusando a seguir pagando a crise com as próprias vidas.

Essa é a batalha que estamos dando em cada assembleia estudantil que participamos e também em nossos locais de trabalho. Nesse sentido, nós do MRT também viemos atuando em defesa de um polo que aglutine aqueles que querem se enfrentar com a extrema-direita, os militares, o STF e o Congresso Nacional sem cair na conciliação petista, chamando os militantes do PSOL contrários à diluição no PT e à federação com a rede a romperem e viemos atuando no Polo Socialista Revolucionário, defendendo eixos comuns para a intervenção na luta de classe e para as candidaturas que serão apresentadas, buscando alçar uma voz independente da burguesia também nas eleições. Fizemos um abaixo-assinado junto a mais de 1.500 apoiadores para que Marcelo Pablito, trabalhador de manutenção da USP e fundador do Quilombo Vermelho, componha como vice a chapa à presidência do Polo Socialista Revolucionário junto a Vera Lúcia e apresentaremos candidaturas em São Paulo com Maíra Machado, em Minas Gerais com Flávia Vale, no Rio de Janeiro com Carolina Cacau e em Porto Alegre com Valéria Müller.

Frente aos cortes nas universidades, defendemos um programa para que a universidade esteja a serviço da classe trabalhadora, com mais verbas para a educação, o fim da Lei do Teto de Gastos e o não pagamento da dívida pública, assim como a defesa das cotas raciais contra a extrema-direita, rumo ao fim do vestibular e a estatização das universidades privadas para que existam de fato vagas para todes que queiram estudar.

Nos inspiramos na Geração Union (Geração Sindicato) nos Estados Unidos, linha de frente da nova geração da classe operária, composta justamente pela juventude que mais aterroriza esta extrema-direita, conquistando a fundação de sindicatos em mais de 100 unidades da Starbucks e na emblemática batalha, que ainda segue, no um armazém da Amazon Staten Island JFK8. Esta geração que enfrenta Jeff Bezzos e popularizou como nunca o “Eat the rich!” (Coma os ricos!) é um exemplo para a juventude e os trabalhadores que querem que os capitalistas paguem pela crise.




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