Política

ABAIXO A COMEMORAÇÃO DO GOLPE DE 64

Por Olavo Hansen, Edson Luís e tantos, lutar contra os que hoje comemoram o golpe de 64

Ontem, nas vésperas dos 57 anos do golpe de 1964, que prendeu, torturou e matou milhares de pessoas, o general Braga Netto, agora Ministro da Defesa de Bolsonaro, publicou nota da Ordem do Dia em comemoração à ditadura militar. No ano passado, além de nota do Ministério, o vice-presidente, também general, Hamilton Mourão (PRTB), fez a vez. São inimigos da classe trabalhadora, da juventude e dos setores oprimidos.

quarta-feira 31 de março| Edição do dia

Foto: Marcha de milhares de secundaristas contra o assassinato de Edson Luís, secundarista assassinado por PM, em 1968

O governo Bolsonaro e sua corja de extrema-direita, com os militares na política, são incansáveis em aludir e comemorar o tempo todo o golpe de 1964 como uma vitória. Nós sabemos que ele significou perseguições, prisões, tortura, desaparecimento e mortes, de jovens lutadores, trabalhadores, mulheres, negros e indígenas. E vivemos hoje a escalada autoritária de Bolsonaro e dos golpistas de hoje, que se utilizam dos basculhos da ditadura para nos perseguir, como a Lei de Segurança Nacional.

Precisamos hoje lutar pelos nossos desaparecidos e mortos dos anos de chumbo, como Olavo Hanssen, trabalhador da indústria química que foi preso durante uma panfletagem em 1 de Maio de 1970, torturado, e depois teve seu corpo encontrado sem vida perto do Ipiranga, em São Paulo. Precisamos vingar Edson Luís, jovem estudante secundarista que foi assassinado a tiro pelos militares em confronto do restaurante estudantil Calabouço, nas ruas do Rio de Janeiro.

Nos anos de chumbo essas perseguições e os ataques da ditadura aos direitos da classe trabalhadora e da juventude não passaram a limpo. O assassinato de Edson Luís abriu um período de contestação de toda a juventude, que já lutava na USP contra o Comando de Caça aos Comunistas, também contra o processo seletivo excludente do vestibular, os chamados "excedentes" da Escola de Aplicação, e a privatização da educação do Acordo MEC-USAID.

Veja também: 53 anos do assassinato de Edson Luís: as lutas de 1968 e suas lições para hoje

Em 1968, os trabalhadores da Cobrasma construíam a Oposição Sindical Metalúrgica, em Osasco-SP, em greve contra milhares de demissões avalizadas pela ditadura. Em Contagem-MG, se auto-organizavam nas comissões de fábrica neste mesmo ano. Em 12 de maio de 1978, os trabalhadores da Scania entraram para a história. Foi a partir da paralisação da ferramentaria e de toda a fábrica que, nesse dia, outras fábricas maiores do ABC também entraram em greve naquele maio de 1978, num movimento que foi se expandindo até as greves gerais metalúrgicas no ABC e em São Paulo, em 1979 e 1980.

Foi contra os militares e empresários que se enfrentavam esses trabalhadores. Inclusive, significou um enfrentamento aos capitalistas que financiavam a ditadura no Brasil, como a Volkswagen, que só em 2017 reconheceu a colaboração, pressionada por inquéritos abertos por testemunhas de tortura, funcionários e sindicato. A Volkswagen é um exemplo dessa colaboração direta, que facilitou a perseguição de trabalhadores.

Veja mais: Volkswagen reconhece colaboração com ditadura militar no Brasil

Hoje, em nome de salvar os lucros dos capitalistas diante da crise econômica e sanitária, com episódios a toda semana da crise política, Bolsonaro, Mourão e os golpistas do regime político pós-2016, se utilizam da Lei de Segurança Nacional, que persiste desde 1983, para afogar futuros embates na luta de classes contra as reformas e os cortes na educação. Contra essa herança, precisamos organizar nossa classe em aliança com a juventude por Fora Bolsonaro, Mourão e os militares.

Por isso, fazemos um chamado à esquerda, como o PSOL e o PSTU, a conformar um polo que exija das centrais sindicais, como a CUT e a CTB, e entidades estudantis como a UNE, dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, a não esperar 2022 e organizar estudantes e trabalhadores contra a crise econômica e sanitária, descarregadas em nossas costas por Bolsonaro, seus ministros, os governadores, o Congresso e o STF Para vingar nossos desaparecidos e mortos e varrer as heranças que persistem pela luta de classes, por punição a todos os torturadores e abertura dos arquivos da ditadura.

Veja mais: A rebelião operária contra a ditadura e as origens do PT

E é nesse sentido que poderemos impor uma nova Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com representantes trabalhadores e estudantes, para revogar todas as reformas e cortes e acabar com qualquer rastro que sobrou da ditadura na pactuação de 1988.




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