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ABC PAULISTA | Polo Petroquímico do ABC segue contaminando a população da região em nome de seus lucros

Há 30 anos vem sendo realizadas pesquisas sobre a emissão descontrolada de partículas nocivas à população em desacordo com a legislação ambiental pelas empresas do Polo Petroquímico de Capuava, que fica entre os municípios de Mauá e Santo André.

terça-feira 25 de maio | Edição do dia

Pesquisas identificaram um alto índice de Tireoidite de Hashimoto, uma doença incurável que pode levar à morte, e também de doenças respiratórias e da pele que acometem os moradores próximos ao polo industrial, com índices acima da média inclusive em grupos que não são diagnosticados frequentemente com a doença, como é o caso de crianças.

Nos últimos meses a quantidade de fuligem e o mau cheiro aumentaram as denúncias da população e nesse ano o Ministério Público já ingressou com dois processos que até aqui não surtiram o resultado que a população precisa.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) multou empresas do Polo Petroquímico no Grande ABC por operações indevidas que causaram emissão de poluentes que provocaram mal-estar aos moradores do entorno e ao meio ambiente. Somadas, as multas chegam ao valor de R$ 870 mil.

Empresas do Polo Petroquímico se utilizam da pobreza, falta de emprego e da fome para criar uma imagem de empresa preocupada com a população, através de ações meramente assistencialistas, realizam doações de cestas básicas, tentam disseminar a ideia de que com essas denúncias a população perderá tais “benefícios”. Brincam com a fome e condição de vida da população, para esconder que são responsáveis por poluentes que causam doenças que podem causar a morte deles.

Uma moradora da região, Raquel Fernandes, que é representante do MDV (Movimento em Defesa da Vida do ABC), disse que o sofrimento é constante. “Sofrimento físico pelo odor exalado pelas empresas, sofrimento financeiro, sofrimento psicológico com o barulho das sirenes e o pânico por não saber o que fazer. Sofremos por lutar por um direito coletivo, que é ter um meio ambiente saudável”, afirmou.

Uma moradora do entorno reforçou que há um descaso com a população. “Não é de hoje a poluição, o odor e a fuligem. Tornou-se uma massa maior ano passado e comunicamos as autoridades, o polo. Não recebemos amostragem daquela densa fuligem, daquele pó preto, nem o que isso trouxe de mal para a nossa saúde e para o meio ambiente”.

Os donos das empresas do Polo Petroquímico, uma extensa e lucrativa cadeia do setor, com empresas reconhecidas como a Petrobrás, Chevron, Braskem, Ultragaz entre outras, levam essa situação em banho Maria, apoiados todos esses anos pelos prefeitos tucanos de Santo André e São Paulo, que além de trazerem prejuízos à população do entorno e ao meio ambiente, expõem a vida dos cerca de 10 mil trabalhadores do Polo a riscos gravíssimos.

Moradores reclamam da falta de transparência das empresas, que não aceitam uma perícia imparcial, aberta e organizada de maneira independente dos patrões, ao contrário disso utilizam seus próprios laboratórios para apresentar pesquisas que são realizadas sobre seu controle e talvez por isso não alcançam os resultados das pesquisas imparciais realizadas pela a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) que concluem os malefícios causados pela poluição emitida por essas empresas.

O promotor público José Luiz Saikali relatou: “Essa é uma questão, no meu ponto de vista, diferente. Eu ingressei com a ação e eu peço a tutela de urgência. O juízo tinha que se valer das minhas informações para deferir ou indeferir, ou pedir alguma complementação. Mas o que aconteceu neste processo, uma coisa muito incomum. Antes que entrasse com o processo, as três empresas entraram com contestação, é uma manifestação fora do tempo, eles adiantaram uma manifestação sem que eles tivessem sido citados, eles atravessaram esse tempo”.

Em plena pandemia, onde no Brasil já tirou a vida de 450 mil pessoas devido à irracionalidade e negacionismo do governo Bolsonaro, tais empresas não tiveram seus lucros afetados como a vida dos trabalhadores, pelo contrário, se mantiveram os lucros e em alguns casos até eles se ampliaram. Todas essas empresas têm condições de investir em meios não poluentes, mas para eles o lucro está acima da vida dos 2,5 milhões de paulistanos afetados pela poluição produzida no Polo Petroquímico.

É urgente que seja organizada uma investigação independente, com especialistas e sob o controle dos trabalhadores e representantes das comunidades afetadas.




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