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Policial mata jovem de 13 anos rendido em Chicago e desencadeia prostestos

O assassinato ocorreu em 29 de março e na quinta-feira (15) veio a público o vídeo onde Adam Toledo é visto desarmado e com as mãos para o alto, mesmo assim foi baleado pela polícia.

sexta-feira 16 de abril| Edição do dia

Foto: WTTW News

No dia 29 de março, um policial de Chicago disparou em um jovem que estava desarmado, com suas mãos para o alto. Adam Toledo tinha 13 anos e vivia em Little Village, um bairro majoritariamente latino da cidade. O destino de Adam foi o de milhares de jovens negros e latinos que são brutalmente assassinados pela polícia racista americana.

Ontem (15), foi divulgado o vídeo da câmera acoplada ao uniforme de um dos policiais que perseguiram o adolescente, entre outros materiais que estavam sob responsabilidade do Escritório Civil de Responsabilidade Policial (COPA em inglês). Contudo, até quinta-feira o promotor do distrito afirmava ter provas de que Adam estava armado.

“A COPA entende a dor da família e publica estes materiais de acordo com a política de publicação de vídeos da cidade”, disse o porta voz do escritório, Ephraim Eaddy, em comunicado na quarta-feira. “Os valores fundamentais da COPA, a integridade e transparência, são essenciais para construir a confiança do público, em particular nos incidentes relacionados com tiroteios de agentes, e somos inabaláveis em nosso compromisso de manter esses valores.”

O vídeo é tornado público enquanto ocorrem protestos na cidade de Minneapolis, cerca de 7 horas de distância de Chicago, pelo assassinato de Daunte Wright, também pelas mãos da polícia.

A mesma polícia de Minneapolis também é responsável pelo assassinato de George Floyd ano passado, que desencadeou uma nova onda do movimento Black Lives Matter, que foi considerado como o movimento de protestos mais grande do mais desde o movimento pelos Direitos Civis.

A prefeita de Chicago, a democrata Lori Lightfoot disse em uma conferência de imprensa anterior à liberação do material que havia visto o “insuportável” vídeo da polícia matando o jovem, porém não falaria do que viu pois poderia comprometer as investigações em cursa da COPA. Anteriormente, se comprometeu a encontrar os responsáveis em "por uma arma nas mãos” de Adam, desviando a culpa do policial que o baleou.

A prefeita também disse que os detalhes da morte de Adam divulgados no tribunal estavam corretos, mas que não cabia a ela confirmar se as informações fornecidas pelo promotor eram corretas.

O presidente do sindicato da polícia de Chigado, John Catanzara, disse para a CNN que o tempo de reação do policial foi pequeno, e por isso o assassinato do jovem de 13 anos foi legítimo, mas foi mais longe. “É 100% justificado. As ações desse oficial foram realmente heróicas”, afirmou.

O assassinato de Adam desencadeou jornadas de protestos onde os manifestantes recordavam as centenas de vítimas de assassinatos policiais e denunciavam a constante violência que sofrem as comunidades negras e latinas tanto em Chicago como no restante do país.

Mesmo com os protestos pacíficos, a tensão na cidade antes da publicação das informações e imagens de vídeo eram visíveis. A polícia suspendeu folgas e ampliou para 12 horas os turnos prevendo possíveis distúrbios.

O Departamento de Transporte de Chicago anunciou que uma ponte sobre o rio Chicago será levantada para “testes e manutenção” e disse que tal medida não está relacionada com a publicação do vídeo. No verão passado, a prefeita se enfrentou com intensas reações por ter levantado as pontes que conectam o centro com os bairros da cidade, durante os protestos contra o racismo e a violência policial durante o ressurgimento do Black Lives Matter.

As cidades de Minneapolis e de Chicago, ambas governadas por democratas, reprimiram violentamente os últimos protestos e tudo indica que continuam a seguir a mesma cartilha. Nada muito diferente do que fizeram os republicanos, comandados por Trump, que usou a Guarda Nacional para reprimir o movimento por justiça racial.

As eleições presidenciais tinham como um dos objetivos canalizar a luta das ruas e demandas para abolir e desfinanciar a polícia para dentro das urnas, sobretudo através de Kamala Harris, a primeira vice-presidente negra do país. Porém, o racismo sistêmico do país está longe de desaparecer e a presidência de Biden pode ser marcada por muitos desses conflitos.




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