Logo Ideias de Esquerda

Logo La Izquierda Diario

SEMANÁRIO

Poesia: Brasília fede

Jéssica Antunes

Poesia: Brasília fede

Jéssica Antunes

Brasília fede
Fede esgoto, fede podre
Não se sabe de onde vem o fedor de Brasília
Grande mistério
Se vem das fezes humanas ou dos humanos piores que fezes
Esses humanos-fezes que habitam Brasília
Se aglomeram no eixo de monumental fedor
E o chorume escorre pela cidade de norte a sul do lago
O lago também está podre
Brasília esta sempre em construção
O barulho de obra é som ambiente de Brasília
Algo que deu errado na construção de Brasília
O avião não voa, os passageiros pesam demais com o bolso cheio de comida, aparelhos apple e dinheiro público vindo de todo Brasil
Brasília é muito pesado
Os trabalhadores batem e quebram o tempo todo
Você ouve?
O som de Brasília é de reforma e contra reforma
Os trabalhadores tentam consertar Brasília
Mas Brasília não tem jeito
Brasília fede demais
O fedor se espalha por todo o país
Ninguém mais aguenta Brasília
Por isso os trabalhadores não tem lugar em Brasília
Pobre cidade de Brasília
Branca, cheia de árvore e fedor
Brasília não combina com o Brasil nem com os brasileiros
A civilização que povoa Brasília
Tem uma cara velha de passado ruim
São múmias cheias de ouro e será que por isso fedem tanto?
A única solução será destruir tudo e começar de novo Brasília
Os chefes foram o problema na construção de Brasília
A gente sabe
Chefes não sabem construir cidades
Só os trabalhadores que sabem
Os trabalhadores tem cara de futuro bom
Por isso precisam reconstruir Brasília
Só os trabalhadores podem resolver o problema em Brasília
Brasília fede demais.

veja todos os artigos desta edição
CATEGORÍAS

[Carcará - Semanário de Arte e Cultura]   /   [Brasil]   /   [Classe Trabalhadora]   /   [DF - Brasília]   /   [cultura]   /   [Poesia]   /   [Literatura]   /   [Cultura]

Jéssica Antunes

Comentários