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Poesia: Amor

Diego Nunes

Poesia: Amor

Diego Nunes

Poema "Amor" escrito por Diego Nunes, professor da rede pública do Rio Grande do Sul.

Palavra mal lavada e comprometida com fazer feliz quem não pediu nada. De graça “querer dar o que não se tem para quem não pediu” já disse um pesquisador psicanalítico. Desejar a pele, o prazer e o orgasmo alheio e lidar com o apego e o desejo do outro de possuir o que não é possível de se possuir, o tempo futuro que não existe. A mágoa por achar que o outro é responsável pela minha felicidade, que o outro é capaz de me dar o que não tem. Não, comigo não. Fantasmas desse jeito de viver histórico, linguístico, construído de improviso sem planejamento algum, e tem outro jeito de construir?. Chegar ao esclarecimento e libertar-se dos tutores do pensamento, dirigir-se a si mesmo, andar com as próprias pernas, quanto perigo! Não precisa ser assim, nada precisa ser como manda a cartilha ou as cartilhas que nos adestram na escola, na família, nas igrejas ou seja lá em que instituições. A liberdade exige coragem, audácia quem sabe até. Se jogar como Pascácia, falar o que vier ainda que superando o medo do erro e errar, errar muito. Texto sem parágrafos, escrito corrido para dizer o impossível até que se torne possível. Quantas damas se todos os peões chegarem ao lado oposto do tabuleiro? Mas com as regras do xadrez? Pouco provável conquistar 9 damas. Com outras regras talvez, as regras que os próprios peões colocarem no jogo. O amor seria outro se destruíssemos as cartilhas. O tesão com amigos, o cuidado com quem não se conhece ainda, o estrangeiro, mas compartilha a mesma gana de transformação desse mundo comandado por perversos. Fazer história, na história presente, beijar quantas bocas e passear em quantos céus tomados por assalto. Para além de tudo AMIZADE, uma relação que ultrapassa qualquer instituição capital. Sobretudo escutar e lavar a palavra para que se diga de outra forma AMOR, para que se diga sem posse, sem ciúme, sem contratos ou compromissos de se entregar o que não se tem a quem não pediu, uma felicidade de conto de fadas que não existe, o “para sempre” que não existe, mas que seja infinito em cada momento até perecer. E já é.

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