Economia

PRIVATIZAÇÕES

Plano de privatizações segue com ANEEL leiloando ativos com preço defasado em mais de 55%

A Agência Nacional de Energia Elétrica do país demonstra seu interesse em continuar garantindo a satisfação dos grandes empresários do setor elétrico e promove leilão com deságio acima de 55%, como forma de atrair investidores sedentos por lucros astronômicos. A recente situação de calamidade pela qual passou o Amapá mostra que os trabalhadores e a população não importam para os capitalistas.

quinta-feira 17 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Alan Santos/PR

O leilão de transmissão de energia elétrica realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), teve um deságio médio de 55,24% ante a Receita Anual Permitida (RAP) total estimada de R$1,02 bilhão, e contou com a participação de 55 empresas, sendo 37 nacionais e outras 18 estrangeiras de dez países. Segundo o diretor-geral agência, o nível de competição e a participação de grupos estrangeiros, são frutos do trabalho da agência e do governo, na criação de um cenário para receber investimentos.

A diretoria também destacou a atuação supostamente técnica do órgão para tornar o ambiente de negócios previsível e estável. A média de ofertas por lote foi de 13,5 empresas, sendo que o lote com menor número de participantes foi disputado por nove empresas, e o de maior competição contou com 19 proponentes. O diretor-geral também destacou que o leilão deve alavancar investimentos de R$7,3 bilhões para a construção dos empreendimentos. Segundo ele, o leilão permitirá a construção de 16 linhas de transmissão e 12 subestações.

No entanto, o valor de investimentos estimado pela Aneel pode variar, uma vez as empresas que vencem essas disputas costumam procurar supostas "eficiências e oportunidades de redução de custos" com as obras, como meio de "otimizar os investimentos e aumentar a lucratividade do ativo". Mas para isso não se comprometem com o fornecimento eficaz e racional de energia, além de impor condições precárias aos trabalhadores da construção civil, e essa prática já é bem conhecida dos brasileiros. Nem precisamos ir tão longe no tempo para exemplificar o que a sede dos grandes capitalistas, e seus governos lacaios, podem nos entregar com as privatizações, mais recentemente com o caos energético no Amapá, e anteriormente com as catástrofes capitalistas em Mariana e Brumadinho.

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Vale lembrar que há menos de um mês atrás um dos diretores da ANEEL, em pleno apagão no Amapá, onde a imensa maioria da população vivia um caos por conta da irresponsabilidade daqueles que lucraram muito para entregar esse tipo de serviço, propôs aumento de tarifa para garantir que o grupo internacional que é responsável pelo ativo conseguisse sobreviver durante a crise.

E para nós, toda a classe trabalhadora, o que os governos e os grandes capitalistas fazem para garantir nossa sobrevivência? O presidente Bolsonaro tenta minimizar a carestia de vida de uma (cada vez maior) parcela da população brasileira, nos responsabilizando por uma crise que não foi criada pelos trabalhadores. No início desse mês de dezembro, enquanto sobe os números de mortes, resultado da ausência de um plano de combate efetivo à pandemia, ele diz para os trabalhadores apagarem a luz e tomar banho rápido, como forma de solucionarem o problema da falta de condições financeiras para manterem a subsistência de suas famílias em um cenário de crise generalizada no país.




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