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Feminicídios | Plano Emergencial já: Pernambuco tem aumento de 23% nos casos de feminicídio em 2021

Dados divulgados pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, mostram que entre os meses de janeiro e outubro de 2021 houve um aumento de 23% de casos de feminicídios no estado. Foram 74 mulheres assassinadas pelo simples fato de serem mulheres.

Cristina SantosRecife | @crisantosss

quarta-feira 17 de novembro | Edição do dia

FOTO: La Izquierda Diário

A situação é alarmante no conjunto do país. Como já noticiamos aqui, no Brasil de Bolsonaro, Mourão e Damares Alves, uma mulher foi assassinada a cada 6,5 horas no ano de 2020. Mais trágico é ver que a reacionária ministra Damares Alves, utilizou apenas 24,6% da verba destinada à sua pasta para políticas de combate à violência contra a mulher.

Segundo dados de 2020, Pernambuco é o segundo estado em maiores índices de feminicídio e a única medida anunciada pela vice governadora Luciana Santos (PCdoB) é a de criar 3 novas delegacias da mulher. Sabemos que a resposta para enfrentar a violência contra a mulher não virá de aparelhagens como “delegacias da mulher”. A própria polícia representa um elemento hostil às mulheres e são inúmeros relatos de vítimas que se sentiram duplamente violentadas ao terem que recorrer à “delegacia da mulher”. Não é possível esperar acolhimento de uma força como a polícia, que existe para reprimir trabalhadores, mulheres e jovens quando em luta por seus direitos.

Para combater a violência contra a mulher são necessárias medidas que forneçam às mulheres em situação de vulnerabilidade atenção psicológica e subsídio econômico, pois pela própria configuração patriarcal da sociedade capitalista muitas são financeiramente dependentes de seus agressores, entre outras medidas que possibilitem as mulheres saírem da situação em que se encontram e se organizarem contra as causas dessa violência.

Para esta organização é necessária uma forte mobilização das mulheres junto à classe trabalhadora, a juventude e setores oprimidos como negras e negros, indígenas e LGBTQIA+, defendendo um plano de emergência que responda a situação imediata das mulheres a partir das organizações do movimento de mulheres junto aos sindicatos, centros de estudantes, organizações em defesa dos direitos humanos, movimentos populares, etc, no caminho de construir campanhas e ações concretas de luta contra a violência às mulheres. O exemplo da campanha pelo “Nem uma a menos” na Argentina é um exemplo para nosso movimento aqui no Brasil, assim como a defesa do plano de emergência contra a violência à mulher defendido pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidade no congresso também naquele país, com companheiras como a Deputada Federal Myriam Bregman e Nicolás del Caño, do Partidos dos Trabalhadores Socialistas - organização irmã do MRT na Argentina - à frente.

Essas seriam algumas medidas de contenção, pois a resposta de fundo a este problema passa pelo combate contra as raízes do patriarcado, que se encontra na sociedade de classes, que no capitalismo assim como em outros modelos de organização social antes dele, está profundamente ancorada em valores patriarcais e misóginos.

O Estado capitalista é responsável por perpetuar essa situação, e a luta para acabar com a violência contra as mulheres passa por lutar pelo seu fim e não por criar qualquer ilusão na polícia ou qualquer instituição ligada a ela.




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