VACINA

Número de vacinas nacionais não atende 5% do grupo prioritário

Profissionais da saúde, populações pobres de grupos prioritários vivem o drama do racionamento de vacinas nacional. Em crise sanitária, região Norte recebe número extremamente pequeno de doses e profissionais da Saúde de São Paulo não recebem o imunizante.

segunda-feira 25 de janeiro| Edição do dia

Foto: Silvio Avila/AFP

A quantia quantitativamente insignificante de doses da Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantã e o laboratório Sinovac, com 6 milhões de unidades não cobre sequer 5% dos 68,8 milhões de pessoas que receberiam prioritariamente o imunizante do Plano Nacional de Vacinação do Governo Federal. Hospitais e profissionais da saúde chegam a disputar as poucas doses devido a completa ineficácia de um programa de vacinação atrasado e desorganizado oferecido pelo Ministério da Saúde encabeçado por Pazuello e todo o negacionismo de Bolsonaro.

No Amazonas, estado que presenciou a morte de dezenas de pessoas por conta da falta de oxigênio em Manaus, a vacinação foi suspensa de quinta-feira a sábado (23), em decorrência de denúncias de desvios de doses e casos que filas foram furadas – como quando a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, foi imunizada mesmo não estando na lista de grupos prioritários, que são profissionais da saúde, idosos em residências de longa permanência e indígenas. Em Tabatinga, município amazonense, 3.657 doses tiveram que ser devolvidas após governo estadual refazer contas.

Por outro lado, Parintins (que vive um colapso na saúde pública), Coari, Autazes e Novo Airão afirmam que receberam menos doses do que o anunciado pelo Estado; porém, não tiveram qualquer explicação sobre a falta ocorrida.

O drama sanitário segue evidente em São Paulo também. Embora não esteja em colapso como aqueles verificados nos municípios da região Norte, profissionais da saúde que trabalham diariamente com altos riscos de contaminação e exposição deixam de ser vacinados tendo em conta o rateio das doses. Um exemplo disso é a situação alarmante na qual passam aqueles que trabalham na UBS de Perus, Zona Norte de São Paulo, segundo depoimento de uma funcionária:

“(...) Profissionais que estão tendo vacinas negadas são [também] os da equipe de higiene que lidam o tempo todo com lixo contaminado das coletas de PCR e dos EPIs dos profissionais da saúde.”

Veja também: Editorial do MRT – Contra Bolsonaro e Doria, batalhemos pela disponibilização universal da vacina

O Sindicato dos Médicos de São Paulo defende que todos os profissionais da saúde que lidam com o público sejam vacinados, ao contrário dos critérios do Programa Nacional de Imunização que priorizam profissionais que atendem suspeitos e contaminados pela Covid-19. “Quem atende 30 ou 40 pacientes por dia é um profissional que tem grande risco de contaminação", diz Augusto Ribeiro, que é diretor do sindicato e que rechaça a separação entre “pouco suspeito e muito suspeito’’.

Depois de meses negando a gravidade da pandemia, trabalhando severamente para precarizar a saúde pública, não organizando uma quarentena com testes massivos, deixando milhares de trabalhadores desempregados e sem qualquer medida de amparo econômico eficiente, além do insuficiente auxílio emergencial já encerrado, o Governo Bolsonaro corre contra o tempo, pela pressão internacional, para organizar a vacinação do país. Mas a total ineficácia do programa de vacinação federal, que escolhe inclusive entre a categoria linha de frente quem receberá a vacina, mostra o total descaso de Bolsonaro/Pazuello e dos governadores, como vimos pela situação de São Paulo com Doria, são os responsáveis pelas milhares de mortes e pela atual negligência aos grupos que mais necessitam na vacina neste momento em que a crise sanitária aumenta em várias regiões e eleva número mortos.




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