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CRISE NO RIO | Picciani defende ajustes e volta a culpar UERJ e servidores pela crise

Picciani (PMDB), presidente da ALERJ, voltou a dizer que o Rio de Janeiro tem que "fazer a sua parte", aprovando ataques contra os servidores e a população mais pobre do estado.

quinta-feira 9 de fevereiro de 2017 | Edição do dia

O editorial d’O Globo que atacava a UERJ culpando sua crise pelos aumentos salariais, e que foi respondido pelo sindicato dos docentes, agora encontrou mais um parceiro para sua tese mentirosa: o presidente da ALERJ, Picciani, do mesmo partido de Pezão, afirmou em entrevista à CBN que aumento do número de funcionários e de salários está relacionado à crise.

A universidade passou de seis para oito mil funcionários, de acordo com o que disse o PMDBista. O que ele não disse é que esse "aumento" na verdade foi apenas o mínimo para garantir o funcionamento da universidade. De fato, foi apenas com muita luta, e a partir de uma ação na justiça, que tais funcionários foram contratados para suprir um déficit que só não levava a UERJ ao caos porque se mantinham trabalhadores sobrecarregados e muitos com contratos temporários precários. Ainda assim, permanece na universidade o trabalho semi-escravo, com terceirizados em setores como a limpeza ou elevadores, que ganham muito menos do que efetivos e não tem os mesmos direitos, além de sofrerem com atrasos de pagamento com uma frequência muito maior. Sim, uma universidade precisa de funcionários, e não, não é isso que leva à crise do estado.

O aumento de salários, que Picciani também aponta como fator causador da crise, é uma falácia. Há uma defasagem salarial histórica de funcionários técnico-administrativos e docentes, que a custo de muita luta não é ainda maior. O último reajuste salarial para docentes é de 2001.

Picciani diz que se deve "pensar menos em política e mais no estado", afirmando que os ajustes contra trabalhadores, a juventude e o povo pobre são a única solução para o estado. Mas ele é co-responsável pelas bilionárias isenções fiscais de Cabral e Pezão, que foram concedidas em troca de doações de campanha e outros "favores" ao PMDB.

Picciani nada fala dos salários dos deputados e seus privilégios, com um dos legislativos mais caros do país, tudo para manter essa casta de parasitar que se prepara para aprovar os ataques contra nós. Eles, ao contrário dos servidores e professores da UERJ, recebem salários de cinco dígitos e verbas de gabinetes altíssimas, todas em dia, fora os esquemas que possuem com as empresas que "doam" milhões para suas campanhas.

Por isso, dizemos a Picciani que a crise nunca foi causada pela UERJ ou pelos salários dos servidores, mas sim pelos lucros dos capitalistas, pelas isenções bilionárias, pelo dinheiro consumido no pagamento da dívida pública que enriquece os banqueiros e especuladores e pelos privilégios dos políticos como ele mesmo. Cortando isso, sobrará dinheiro para contratar mais servidores, efetivar os trabalhadores terceirizados e expandir as vagas, fazendo uma universidade pública de maior qualidade e acabando com o vestibular para que todos tenham o direito de estudar.




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