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Petroleiros da Bacia de Campos começam ações de greve contra descaso da Petrobras na pandemia

Petroleiros de uma das principais regiões produtoras do país começam a tomar ações de greve frente ao criminoso descaso da Petrobras na pandemia.

segunda-feira 3 de maio| Edição do dia

Imagem: FUP

Desde a meia-noite de hoje a importante base petroleira do Norte Fluminense está tomando ações para uma greve contra o criminoso descaso da Petrobras. Há recorrentes surtos de COVID nas plataformas e a Petrobras está tomando ações que aumentam (!) a exposição dos petroleiros à doença.

Descumprindo a lei 5811/72 que proíbe regimes de embarque superiores a 15 dias, a Petrobras impôs aos trabalhadores um regime de 21 dias de embarque e ainda 3 dias de quarentena em hotel antes do embarque – arrancando esses dias do descanso dos trabalhadores. Com mais dias embarcados mais petroleiros se contaminam, falecem. Vidas são arrancadas por essa decisão criminosa da Petrobras para aumentar os lucros.

Esse crime – não há outro nome para descumprimento de lei – é agravado porque aumenta a exposição dos trabalhadores à COVID, e como se sabe as plataformas são um dos piores “hotspots” de COVID no país. Há recorrentes surtos, fazendo que os petroleiros efetivos tenham uma taxa de contaminação de 1/8 – ou seja um em cada 8 petroleiros já foi testado positivo. A média nacional é de 1 a cada 14 brasileiros. Porém, essa estatística da Petrobras é mentirosa, subestimada, visto que ela não computa os terceirizados, que além de terem menor taxa de testagem, tem maior tempo de exposição visto que seu tempo desembarcado é menor e ainda tem acesso a piores hospitais.

As pautas defendidas pelos petroleiros do Norte Fluminense incluem o retorno a escala de somente 14 dias de embarque, o que outras unidades da Petrobras como o Espírito Santo e a parcela carioca do pré-sal conseguiram por liminar, fornecimento de testagem pela empresa não somente no embarque mas também no desembarque, assegurando que os petroleiros não irão contaminar suas famílias e comunidades.

A orientação publicada pelo Sindipetro-NF (FUP/CUT) para o primeiro dia de “greve” ainda não inclui nenhum desembarque, recusa a embarcar, ou controle da produção, mas somente controle de cada embarque e número de pessoas à bordo de cada plataforma pelo sindicato, para posterior escalada de ações dia a dia em seus comunicados aos trabalhadores – conforme anunciaram em live realizada na noite de ontem.

A mobilização desta importante e histórica parcela da categoria petroleira, acontece semanas depois de diferentes greves sanitárias no sistema Petrobras, bem como outras mobilizações contra as privatizações que também atingem em cheio à Bacia de Campos. Porém, ao tocar esse histórico símbolo da empresa está greve pode servir de inspiração a outras unidades também se organizarem e romper a fragmentação das greves e mobilizações petroleiras, o que só favorece a Bolsonaro, Guedes, os militares e à Bovespa.

A pulverização das mobilizações petroleiras, e todas elas com pautas sanitárias e contra as privatizações que poderiam confluir, só acontece desse modo fragmentado pela decisão da maior federação petroleira, a Federação Única dos Petroleiros (FUP, filiada à CUT). A divisão dos petroleiros por região, unidade só favorece aos generais que mandam na empresa e ao capital financeiro detentor das ações da empresa, que lucram com a precarização do trabalho nesta máquina de fazer dinheiro que os enriquece ao invés de servir ao povo brasileiro.

É importante a união de toda a categoria petroleira para uma forte luta unificada em defesa de todas as vidas, em defesa de todos contratos de trabalho e seus direitos bem como para impedir a entrega dos recursos do país. Para isso é preciso coordenar cada setor que sai em luta e a partir desta coordenação impor à FUP uma mobilização unitária da categoria.




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