Mundo Operário

DEMISSÕES

Petrobras demitiu 9 mil terceirizados e cortou mais de 10% dos efetivos em meio à pandemia

Com as milhares de demissões muitos trabalhadores ficam sem sustento no meio da pandemia, e os que permaneceram correndo em maiores risco já que a produção está batendo recordes. As demissões de terceirizados nem aparecem nas denúncias sindicais. Os terceirizados são invisíveis para a burocracia sindical.

quinta-feira 28 de janeiro| Edição do dia

EXPLORAÇÃO PARA PRIVATIZAR
Petrobras demitiu 9 mil terceirizados e cortou mais de 10% dos efetivos em meio à pandemia

Com um criminoso descaso, em meio à pandemia a Petrobras realizou milhares de demissões. Estas demissões implicaram imensas dificuldades para as pessoas se sustentarem, a empresa cortou 11% dos terceirizados e 10% dos efetivos. Esse imenso ataque acontece em meio à preparação da privatização de diversas unidades, como 8 refinarias e diversos campos de petróleo em terra e no mar, mas também em meio a recordes de produção no pré-sal, deixando evidente como se trata de uma lógica de aumentar a exploração, os riscos de quem está produzindo e se contaminando em meio à pandemia, para assim aumentar o lucro dos acionistas privados da empresa, em sua maioria grandes investidores em Wall Street, onde está a maior parte do capital social da empresa (a parte estatal só é maioria “votante” e não na divisão dos lucros).

O portal PODER360 publicou esta semana uma matéria com os números oficiais de demitidos na empresa. A matéria ilustra o número de efetivos que foram desligados através dos planos de demissão voluntária, por aposentadorias e que nunca tiveram substituição de suas vagas. No ano de 2019 a estatal e suas subsidiárias tinham 57.986 funcionários próprias e 99,2 mil terceirizados, no ano 1 da pandemia a estatal terminou o ano com 51.950 próprio e 90,5mil terceirizados.

A naturalização das demissões e das privatizações, ou seja, a difusão da crença de que não há meios para combate-las é algo que é construído diariamente pelas direções sindicais. No caso das privatizações não há um plano nacional para enfrenta-las na categoria, deixando a cargo de cada localidade que corra atrás do seu, nem sequer alguma exigência a que as imensas centrais sindicais, como a CUT na qual a maioria dos sindicatos petroleiros são filiados, fizesse uma luta unificada contra as privatizações e demissões, envolvendo a luta dos petroleiros com a FORD e outras empresas ameaças por fechamento, privatizações e demissões.

No caso de demissão de terceirizados há um silêncio complacente que aceita a divisão da categoria em crachás verdes (dos efetivos) e amarelos (dos terceirizados). Exemplifica essa situação que quase nenhum sindicato petroleiro denunciou esse imenso número de desligamentos, e quando denunciou, como fez o sindicato paulista (dirigido pela FUP-CUT) o fez sem mencionar os terceirizados! No título deste sindicato só há os efetivos e só há uma linha dentro da matéria sobre os terceirizados.

Em diversas unidades de trabalho há condições completamente discrepantes entre efetivos e terceirizados, qual ônibus, barco ou helicóptero os transporta, qual a extensão das suas jornadas, seus salários, EPIs e até mesmo qual alimentação tem direito, e quando recebem comida dos efetivos são punidos, como escandalosamente aconteceu no Terminal da Baía de Guanabara – no Rio de Janeiro.

A imensa quantidade de demissões que estão ocorrendo abrem caminho à privatização mas podem ser enfrentadas. Com a união de toda a categoria, crachás verdes e amarelos, unindo os 17 sindicatos e duas federações e exigindo das grandes centrais sindicais, começando pela CUT e CTB, um plano de luta unificado em defesa de empregos e contra as privatizações. É preciso batalhar desde a base, exigindo assembleias e quando estas ocorram que pautem mais que interesses imediatos e tal localidade mas a realidade que aflinge a categoria e toda classe trabalhadora no país.




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