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PRIVATIZAÇÃO

Petrobras ataca greve contra a privatização marcada para quinta-feira

Petrobras chama greve de abusiva. Para a empresa, com o apoio do judiciário, é crime lutar contra a destruição do patrimônio nacional, entregue sem licitação e pela metade do preço. Não é crime essa privatização sem lei, sem transparência e não é crime o preço que cada brasileiro paga pela privatização: combustíveis caros. A greve nem começou e a empresa já está a atacando, isso mostra como petroleiros precisarão se organizar fortemente, em todo o país, e conquistar o apoio de toda classe trabalhadora.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

terça-feira 16 de fevereiro| Edição do dia

A Petrobras emitiu comunicado falando que a greve é contra a lei já que não autoriza uma greve contra a privatização. Esse anúncio diante de uma greve de um estado (Bahia) e que nem sequer começou e já começa a movimentar apoio nas outras unidades mostra como esta greve será muito dura. Os petroleiros precisarão coordenar-se fortemente, a partir de cada unidade, unindo todos sindicatos e federações e buscar apoio de todos trabalhadores.

O comunicado da Petrobras diz "A Petrobras foi notificada, em 14/02, pelo Sindipetro-BA, sobre a intenção de realizar um movimento grevista a partir das 00:01h do dia 18/02, na refinaria Landulpho Alves (RLAM). De acordo com a notificação, o motivo alegado para a paralisação é o processo de desinvestimento da Rlam. A companhia ressalta que uma greve com essa motivação não preenche os requisitos legais para o exercício do direito de greve".

Com este anúncio a empresa parece já estar preparando medidas judiciais e de outro tipo que pretenderá tomar contra o movimento paredista com apoio do fiel escudeiro judiciário que atua sempre a favor da privatização e sempre contra os trabalhadores. Esse anúncio atípico, antes até mesmo da greve iniciar, mostra como a greve será dura e os petroleiros precisarão de uma decisão e uma organização muito superior.

A lei, como os petroleiros e todos trabalhadores do país sabem, é algo que patrões e governantes usam ao prazer de seus negócios. O STF autorizou uma privatização totalmente ilegal, sem sequer aprovação do Congresso, e sem sequer licitação pública, em claro arrepio à lei. Para a Petrobras que parece contar, como sempre, com o apoio da mídia, do STF e de seu ministro do TST favorito, Yves Gandra, os petroleiros lutarem é crime, mas não é crime o roubo contra todos os brasileiros que está acontecendo. A refinaria foi vendida, sem licitação e pela metade do preço. Para privatizar as refinarias e aumentar os lucros dos futuros compradores estrangeiros os combustíveis estão sendo reajustado quase diariamente para acompanhar os preços internacionais.

Saiba mais: “Combustíveis caros: um projeto político do regime do golpe”

A privatização da RLAM, 4 terminais e 700km de oleodutos é um projeto crucial de todo golpismo, e não só de Bolsonaro e Paulo Guedes. O STF atua a seu favor, a mídia burguesa defende essa entrega, o DEM, PSDB, o centrão todos atuam a favor deste projeto que os unifica todos. Será preciso que os petroleiros avancem em sua decisão e organização democrática para enfrentar o maior ataque já sofrido pela categoria.

O projeto privatista, entreguista, de aumentar a subordinação ao imperialismo é um projeto muito forte da burguesia nacional em suas diferentes alas. Os petroleiros precisarão de um movimento muito mais forte e superior do que as direções sindicais tem permitido. É preciso que aconteça um movimento nacional de toda a categoria, próprios e terceirizados, e unindo todos sindicatos e federações. É preciso criar uma coordenação nacional de toda categoria, com representantes de cada refinaria, terminal, plataforma e campo terrestre. O chamado da FNP para constituir um comando nacional é um passo nesse sentido, mas é preciso já começar a coloca-lo em prática, nem que compreenda “só” uns 5 sindicatos e 30 unidades, já se constituiria como um fortíssimo polo para uma luta consequente.

A greve precisa pertencer aos petroleiros, decidindo não só “sim ou não”, mas planejando junto os rumos da greve, buscando o apoio de outras categorias e de toda a população. A greve precisa pertencer aos petroleiros e não a diretores que não pisam em uma refinaria ou plataforma há décadas. A greve precisa ser decidida e organizada pela base para que seja forte, unificada, decidida e não mero protesto contra o projeto e preparação de campanha eleitoral de 2022. A garantia de derrotar o bolsonarismo e o golpismo só é possível na luta de classes.

O Esquerda Diário colocará toda sua energia para desenvolver e apoiar esta luta e chama os sindicatos dirigidos por correntes que se reivindicam socialistas como aqueles organizados na CSP-Conlutas e os parlamentares e figuras políticas do PSOL a apoiarem esta luta e juntos exigirmos das grandes centrais sindicais, como a CUT, que dirige a maior federação petroleira, a FUP, para apoiar a luta petroleira e coordená-la com cada categoria em luta, como professores e os trabalhadores da Ford.




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