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Pandemia e classe trabalhadora | Pesquisa divulga impactos das mortes de pessoas da população economicamente ativa no país

Pesquisa foi feita pela FGV, demonstrando que na faixa de 20 a 69 anos, a perda de renda é da ordem de R$ 8,4 bilhões por ano. Acima dos 70 anos, a estimativa é de R$ 6 bilhões, havendo muitos aposentados nessa faixa que garantiam o sustento da família.

terça-feira 31 de agosto | Edição do dia

Imagem: Nelson Almeida/AFP

Os pesquisadores usaram dados das certidões de óbitos por Covid registradas em cartórios. Com base na idade de cada pessoa, calcularam a média de salário mensal, segundo a Pnad - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE - e qual seria o rendimento anual.

Os cálculos não consideram o impacto no orçamento familiar de casos como de algumas pessoas desempregadas, que muitas vezes não estão trabalhando porque não tem com quem deixar os filhos para poder ir trabalhar, como é o caso do metalúrgico desempregado Kaiki Raimezonni. A mulher de Kaiki era cabeleireira. Estava em casa por causa da gravidez. Enquanto isso, ele segurava as pontas fazendo bico como caminhoneiro. Largou tudo quando a Covid levou Lucivânia, 18 dias depois do nascimento da filha, a caçula de três irmãos.

“Meus filhos são prioridade. Eu tenho que cuidar, mas eu também tenho que trabalhar para trazer coisas para dentro de casa. Até o momento, eu tenho recebido bastante ajuda com doações, nessa parte de conta. Às vezes dá o dinheiro para pagar, às vezes pede e paga as contas”, contou o metalúrgico em reportagem ao Jornal Nacional.

“A única coisa que eu estou tentando, correndo atrás, é de acertar meus filhos, sabe? Porque não adianta eu ir trabalhar, não acertar isso corretamente e depois ter que, pouco tempo depois, ter que sair ou ter que ficar faltando, porque determinada pessoa talvez tenha compromisso, não tenha com quem deixar meu filho, e ficar essa bagunça. Essa é a maior dificuldade na parte de eu voltar a trabalhar que eu estou tendo hoje”, disse Kaiki.

“São pessoas que vão fazer falta ao país, são pessoas que já estavam treinadas, já tinham uma série de habilidades adquiridas ao longo da vida, sua própria formação escolar. Então, isso reduz a produtividade do país. E elas poderiam continuar contribuindo com o país e para as suas famílias”, explica Claudio Considera, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia/FGV.




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