Internacional

VII CÚPULA DAS AMÉRICAS

Peña Nieto, gerente servil de Obama

A participação do presidente mexicano na Cúpula das Américas se destacou pelo apoio incondicional que expressou aos Estados Unidos.

segunda-feira 13 de abril de 2015| Edição do dia

Durante a cúpula, que ocorreu entre 10 e 11 de abril (cujos principais atores foram Estados Unidos, Cuba e Venezuela, como explicamos aqui), Peña Nieto celebrou a "normalização" das relações entre o gigante do norte e Cuba.

O presidente mexicano chamou Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, e o presidente do Perú, Ollanta Humala, a trabalhar juntos para fortalecer a paz na região.

Claro, a paz das fossas clandestinas e dos mortos e feridos pela devastação ambiental que deixam as mineradoras como o Grupo México. Essa é a paz que querem os governos que não conhecem outro interesse que não seja o crescimento de suas fortunas pessoais às costas do dinheiro público e maior benefício para as transnacionais, seus verdadeiros patrões junto ao imperialismo estadunidense.

Estados Unidos e México: aliados incondicionais

Durante sua visita ao mandatário estadunidense, em janeiro passado, o presidente mexicano expressou seu compromisso de "ajuda" aos Estados Unidos em sua campanha para "promover a democracia e o respeito aos direitos humanos" na ilha caribenha.

Cabe se perguntar se a ajuda consistirá em exportar cartéis do narcotráfico e treinar os militares cubanos em como obter o melhor acordo com as organizações criminais. Ou se o treinamento consistirá em uma maestria em desaparição forçada de pessoas, torturas e execuções sumárias. Mas isso também já sabem fazer muito bem as forças repressivas estadunidense que treinaram os exércitos latinoamericanos e que prepararam o Plano Cóndor, que deixou tantos desaparecidos no Cone Sul, ou na América Central e México, que impulsionaram e colaboraram na Guerra Suja.

Como se não bastasse, o senado mexicano aprovou a poucos dias a Lei Federal de Armas de Fogo e Explosivos que dará o direito a agentes americanos a portar armas e impor suas leis no México.

E que dizer da política migratória do México? Outra mostra da subordinação de Peña Nieto frente ao imperialismo dos Estados Unidos. Programa Fronteira Sul: militarização da fronteira, criminalização dos migrantes e proibição por parte da polícia mexicana de realizar um calvário de migrantes ilegais, desde um albergue de migrantes em Oaxaca até o Distrito Federal.

E quanto a efetivação da democracia, surge a dúvida se a ajuda à interferência estadunidense em Cuba seria impulsionar a formação de partidos políticos que respondam aos interesses do capital internacional, que agilizem a abertura da ilha aos negócios das transnacionais, e que desenvolvam mecanismos que se sobrepõem à captação de votos através de cartões de descontos, como se realiza no México.

A abertura dos recursos energéticos às transnacionais

Nessa linha, o mandatário estadunidense elogiou o "trabalho marcante” de Peña Nieto em relação à cooperação. Afirmou ainda: "admiro muito o que fez Enrique (Peña Nieto) para avançar na regulamentação energética e fazer com que o país reconhecesse que havia barreiras e era necessário avançar na regulamentação", segundo cita o artigo "Conclusões de participação de EPN na Cúpula das Américas 2015".

No Foro Empresarial das Américas (onde participaram também presidentes do Brasil e do Panamá, entre outros), Barack Obama enfatizou que "as reformas estruturais do México são mostras de como se devem vencer as resistências para adequar-se a um mundo de maior competitividade", segundo também informa o artigo citado.

Aos olhos do imperialismo dos Estados Unidos, o México é o modelo de país que coopera, com abertura às transnacionais. E o é: o governo de Nieto é o que faz o trabalho sujo dos Estados Unidos, tanto na política migratória quanto na venda de armas e drogas, como assinalamos aqui, como na entrega dos recursos e da precarização do trabalho que implica a implica a reforma energética.

Só os trabalhadores e setores oprimidos da região, organizados desde as bases, e unidos para além das fronteiras, podem dar um fim à barbárie capitalista de desaparecimentos forçados, de trabalhos precarizados, de devastação ambiental e dos graves danos à saúde provocados pelas transnacionais que roubam os recursos naturais.




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