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Pedalar por um futuro melhor? Comercial da iFood romantiza sofrimento para evitar críticas

O "iFood Pedal" é uma clara resposta demagógica aos breques dos APPs que aconteceram em 2020, e a prova de que seu comercial mente e romantiza o sofrimento de inúmeros entregadores é a possibilidade de uma nova paralisação nacional.

quarta-feira 3 de fevereiro| Edição do dia

Foto: YouTube iFood

"Sempre gostei de pedalar, então pra mim juntar o útil com o agradável seria bom" e "eu quero trabalhar pra mim, eu gosto de trabalhar pra mim, ter minha independência, dizem os atores no comercial do iFood Pedal, um convênio da iFood com empresas de bicicletas para alugar os instrumentos de trabalho para os entregadores, que precisam pagar para fazer entregas.

Certamente os inúmeros jovens, negros, afastados dos estudos sem opção e na fila do desemprego não útil nem agradável pedalar 12 ou até 15 horas. por dia. Tampouco ainda mantém a ilusão de que trabalham para si: são assalariados como tantos outros, têm patrões, que são os donos das empresas de APP.

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A demagogia da iFood vai longe: alegam que fizeram pesquisas para ouvir os entregadores de bicicleta, entender suas reais necessidades e promover melhorias. Mas na verdade, as paralisações de entregadores que aconteceram no ano passado, uma delas inclusive acompanhada de paralisações em outros países, arrancaram os tampões de ouvido dos irredutíveis patrões. Com uma enxurrada de péssimas avaliações por parte dos entregadores e, com uma solidariedade conquistada, de restaurantes e clientes, as empresas se apressaram em mentir sobre as condições de trabalho dos "colaboradores".

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As mentiras não foram suficientes: a iFood viu-se obrigada a colocar espaços de apoio com banheiro, microondas, tomadas para carregar celulares, em escala extremamente irrisória, que não dá conta da quantidade de entregadores, nem alcança os lugares de grande demanda dos pontos de entrega, para tentar lavar sua cara com hipocrisia e divulgar em um comercial no qual chamam essas migalhas de "revolução".

Isso nada mais expressa que o medo da iFood e das empresas de apps da força que podem ter os entregadores organizados e aliados com outros setores de trabalhadores, como os da saúde os do funcionalismo, fortemente atacados pelo governo Bolsonaro e todo o regime golpista.

A insatisfação com as condições precárias de trabalho dos entregadores segue forte, eles reinvindicam valorização e melhorias para a categoria. A iFood é uma verdadeira sanguessugas da vida desses trabalhadores, pagam uma miséria pela entrega e lucram milhões. É urgente a garantia de todos os direitos presentes na CLT garantidos, como vale-refeição, direito à férias e folgas para essa categoria. A luta e organização dos entregadores deve impor que iFood, Rappi, Uber e todas empresas reconheçam o vínculo empregatício, valorizem esses trabalhadores.

Por isso, é fundamental que, para uma possível paralisação nacional de entregadores, haja um espaço democrático de decisão das pautas e a data, os sindicatos e associações têm o dever urgente de convocar assembleias deliberativas, que possam coordenar os estados, ouvir a posição da categoria e votar.




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