Economia

PRIVATIZAÇÕES

Paulo Guedes quer colocar Banco do Brasil na Black Friday das estatais

Paulo Guedes quer colocar Banco do Brasil na lista de privatizações a ser enviada em 2020 para o Congresso, no sentido de acelerar o processo no Brasil, diante do ascenso de luta de classes na América Latina, mesmo com o suposto recuo na aprovação da Reforma Administrativa. O plano é de longo prazo, para término em 2022.

terça-feira 3 de dezembro de 2019| Edição do dia

As abordagens começam a aparecer mais, como na reunião do PPI (Programa de Parceria e Investimentos), em que são discutidas as privatizações do governo. A proposta é que o BB seja colocado na lista das privatizações que será enviada ao Congresso em 2020, enquanto Guedes discute com Bolsonaro essa possibilidade. O presidente do PPI, Rubem Novaes, é um grande defensor da privatização do BB, chegando a dizer que ela seria inevitável.

Para o Jornal O Globo, Guedes disse em entrevista que uma privatização particular poderia render R$ 250 bilhões, só que não disse qual estatal se referia, mas que duas, com ações negociadas na Bolsa de Valores, teriam potencial para superar as centenas de bilhões, e elas seriam BB e Petrobras. O BB tem hoje valor de mercado de R$ 133 bilhões e a parcela que pertence à União equivale a R$ 66 bilhões, segundo a consultoria Economática.

Guedes quer vender todas as empresas públicas para baratear e diversificar o acesso ao crédito no país. Sua equipe considera o setor altamente concentrado e pouco competitivo, o que "pune consumidores e empresas", então, segundo eles, seria melhor que o banco fosse administrado por uma empresa estrangeira.

O que se trata de uma falácia, pois através da intervenção dos bancos públicos muitas vezes foi possível fazer baixar o spread bancário, a diferença entre os juros da taxa SELIC, controlada pelo Banco Central, e o juros praticado pelo mercado. Enquanto os bancos privados mantém um elevado spread, para aumentar suas taxas de lucro, através desse mecanismo dos bancos públicos é possível atuar para fazer baixar essa diferença.

O governo já vendeu a participação do banco na resseguradora IRB, fez oferta secundária de ações, e vendeu fatia na BB Seguridade, na Neoenergia, na Cibrasec e na SBCE.

Mesmo com o adiamento do projeto da Reforma Administrativa, na sexta-feira iniciou-se o processo de venda de 4 refinarias da Petrobrás e fechou contrato para a privatização da Liquigás, com benefício óbvio do aumento do dólar, numa mostra de que a desaceleração de Guedes na implementação dos ataques é apenas parcial. De modo mais sorrateiro, ele segue buscando formas de aprofundar os nefastos efeitos de sua agenda econômica.

Enquanto isso, Lula discursa sem converter a dita oposição em luta. Nem a CUT, nem a CTB, centrais sindicais dirigidas por PT e PCdoB, assim como a UNE, convocam organização para enfrentar os novos ataques do governo de extrema-direita de Bolsonaro.

Só o apoio nas lutas dos povos latino americanos, que do Haiti ao Chile, que estão enfrentando os ataques da direita nas ruas, pode impor uma exigência às centrais sindicais e entidades estudantis para um plano de luta para enfrentar Bolsonaro e seus ataques, articulando a força da mobilização da classe trabalhadora, da juventude, das mulheres e do povo negro.




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