Política

ELEIÇÕES RECIFE

Patrícia Domingos (Podemos-PE) e a farsa do combate à corrupção

A delegada da Polícia Civil, Patrícia Domingos, está se colocando como candidata à prefeitura do Recife como carro chefe de sua campanha o combate à corrupção. Mas será que é isso mesmo?

quinta-feira 15 de outubro| Edição do dia

A delegada Patrícia Domingos, de 37 anos, está disputando sua primeira eleição, pleiteando a prefeitura da capital pernambucana. Patrícia começou sua carreira na Delegacia de Crimes contra Administração e Serviços Públicos (Decasp), tendo participado de operações que levaram à prisão de políticos e empresários.

Agora, segundo colocou em sua sabatina na Folha, Patrícia resolveu entrar na política pois seria “impossível” continuar esse trabalho de combate à “de fora para dentro”.

Cabe dizer que já ouvimos um discurso similar a esse com Sérgio Moro. O ex-juiz – que ficou famoso pela Operação Lava-Jato – terminou sendo Ministro de Bolsonaro. Durante seu período no Ministério, surgiram várias denúncias ligadas à família do presidente, especialmente Flávio Bolsonaro. Assim como também ficou evidente o esforço do presidente para tentar acobertar as denúncias e a cumplicidade de Moro, para dizer o mínimo.

Aliás cabe aqui colocar que, como já foi colocado várias vezes nesse diário, a Lava-Jato não tem nada a ver com combate com a corrupção. Pelo contrário, usou métodos autoritários para promover um golpe institucional, colocando uma camarilha no poder altamente corrupta e aumentou a entrega do Petrobrás e dos recursos naturais ao imperialismo. As denúncias da “Vaza-jato” do Intercept só comprovam isso.

Ver também: Lava Jato é justa e combate à corrupção? 7 motivos para você mudar de ideia

Voltemos a Patrícia. A delegada está se candidatando pelo Podemos. Até 2017, o Podemos se chamava PTN, que era praticamente uma sigla de aluguel que apoiava o que mais lhe conviesse conforme suas negociações eleitoreiras. Um levantamento feito pela Época, mostra que tanto no governo Bolsonaro, mas também no governo Temer e Dilma, a sigla votava praticamente sempre com o governo.

No entanto, desde 2017, a sigla mudou de nome e agora tenta se apresentar como o “partido da lava-jato”, tentando surfar na onda anticorrupção. No entanto, uma de suas principais figuras, Álvaro Dias, candidato à presidência pela sigla, possui acusações de ter recebido propina [1] [2] [3]. Uma das denúncias, inclusive, é de que ele teria usado dinheiro da prefeitura de Maringá – mesma cidade de Sérgio Moro – em sua campanha. No entanto, a Lava-Jato parece que resolveu não o investigar. Cabe dizer que o vice de Patrícia é Leo Salazar, do Cidadania, partido que também está imerso em várias denúncias de corrupção, como no Metro de São Paulo. Enfim, a hipocrisia.

Em seu discurso, Patrícia diz que é uma ‘outsider’ que veio renovar a política, fazendo uma “nova política”. Um discurso similar ao de Bolsonaro e outros reacionários de extrema direita – como o governador afastado do Rio, Wilson Witzel. O primeiro agora repete o toma lá dá cá com o Congresso consagrado durante os anos anteriores. O segundo está afastado judicialmente e com inúmeras denúncias de desvio na saúde.

Não é apenas no discurso que Patrícia se aproxima da extrema direita. No início do ano, Patrícia já tinha falado que “seria um prazer” se Moro a apoiasse.. Atualmente, enquanto diz que só trabalhará com pessoas que não estejam envolvidas com corrupção. No entanto, disse que se for eleita espera o apoio de Bolsonaro e seus ministros. Inclusive, apesar de tentar passar uma certa neutralidade, dizendo que todas as gestões possuem “erros e acertos”, evita ao máximo criticar a gestão de Bolsonaro.

Outro aspecto que Patrícia adora criticar é o familismo na política. No entanto, um de seus principais apoiadores – que inclusive indicou seu vice – é Daniel Coelho, do Cidadania, que foi alçado na política justamente por seu pai, João Ramos Coelho, que já foi deputado.
Como mostrado aqui, fica evidente como o discurso de Patrícia contra a corrupção e pela moralização da política é uma farsa – assim como sempre é na boca da direita. Na prática, esse discurso só serve para justificar medidas repressivas e ataques aos trabalhadores. A delegada fez um programa de governo “enxuto” – alegando que seus adversários poderiam copiá-la. No entanto a partir do seu “enxuto” programa de governo já notamos 2 aspectos. O primeiro é aumentar a repressão, fortalecendo e armando a guarda municipal (algo que não difere da candidata petista Marilia Arraes). O segundo é um forte discurso pela austeridade. Vimos nos últimos anos, principalmente a partir do golpe institucional, onde a austeridade nos levou: piora nos serviços públicos, mais pobreza, e desemprego, Brasil voltando ao mapa da fome etc. Enquanto isso, os capitalistas aumentavam seus lucros e a corrupção andava solta. Dessa forma, Patrícia se alinha com todos os planos da direita golpista como as já aprovadas reformas da trabalhista e da previdência, assim como agora pretendem passar a reforma trabalhista.

Desde Jânio e sua “vassourinha”, passando por Collor e mais recentemente no ascenso de políticos de extrema direita com o discurso anticorrupção na onda da Lava-Jato, vimos como na verdade esses “outsiders” apenas aprofundaram a corrupção e o ataque aos trabalhadores. Nesse sentido, Patrícia, longe de representar qualquer renovação na política, é mais uma figura dessa direita podre que se utiliza do discurso anticorrupção para aumentar os ataques aos trabalhadores. A corrupção é endêmica do sistema capitalista. A saída jamais pode vir de quem defende esse sistema podre e corrupto.

Notas:

[1] https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0403200125.htm

[2] https://veja.abril.com.br/blog/radar/empresario-afirma-ter-pago-r-5-milhoes-em-propina-a-alvaro-dias/

[3] https://www.osul.com.br/citado-em-delacoes-o-presidenciavel-alvaro-dias-fala-na-luta-contra-a-corrupcao/




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