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Cúpula Evangélica | Pastor ligado a cúpula evangélica de Lula diz para esquerda "esquecer o que pensa"

O pastor, que viralizou na internet depois de "profetizar", em julho do ano passado, que Bolsonaro não se elege em 2022, para garantir que a previsão se concretize, diz que a esquerda não pode ficar "atrapalhando" com temas como casamento gay, aborto e legalização das drogas.

quinta-feira 5 de maio | Edição do dia

Imagem: Reprodução/Twitter

Em entrevista da ao UOL, o “pastor do PT” como é chamado Paulo Marcelo Schallenberger disse:

A esquerda tem de ter consciência: se ficar expondo o que que pensa, o que vai estar fazendo? [Vai] Apenas [ficar] atrapalhando algo maior que é a eleição do presidente Lula."

Também prevê: “Se tirar o mundo evangélico dessa bolha bolsonarista, Lula ganha no primeiro turno".

O pastor, que viralizou na internet depois de "profetizar", em julho do ano passado, que Bolsonaro não se elege em 2022, para garantir que a previsão se concretize, diz que a esquerda não pode ficar "atrapalhando" com temas como casamento gay, aborto e legalização das drogas.

Uma declaração bastante absurda que diz respeito ao caráter já explicitado do que será a candidatura de Lula, que novamente está disposto, assim como vai, rifar os direitos mais elementares das mulheres, negros e LGBTQIAP+ que compõem a maioria da classe trabalhadora brasileira.

Lula e o PT, agora com o conservador e neoliberal Alckmin, costuram cada vez mais acordos para as eleições. Lula-Alckmin disputam, inclusive, os setores mais reacionários em apoio a sua candidatura, como por exemplo as cúpulas empresariais das igrejas evangélicas, que são também um setor duro da base de sustentação bolsonarista e de sua política odiosa de extrema direita.

É fundamental entender que esse projeto político de conciliação de Lula e o PT não é de hoje. A aliança com a direita, os acordos com o agronegócio e as cúpulas empresariais de igrejas evangélicas sempre estiveram muito presentes nos 13 dos governos do PT - Lula encorajou e deu espaço ao crescimento evangélico no parlamento, e Dilma publicou a “Carta ao povo de Deus” onde prometia não se estender no debate da legalização do aborto. Uma pauta elementar para todas as mulheres, ou seja, essa demanda foi rifada em nome da governabilidade junto a bancada da Bíblia, visando os votos dos católicos e evangélicos e, inclusive, aprofundando acordos com o Vaticano, mostrou que não pretendia colocar nenhuma luta séria pelo direito ao aborto.

Saiba mais: 5 pontos para uma política de independência de classe diante da diluição do PSOL com Alckmin e Marina Silva

Os fundamentalistas e os conservadores se fortaleciam, até que foram capazes de dar o golpe institucional de 2016, e hoje são parte da base do bolsonarismo - que deu ainda mais espaço para eles -, são protagonistas nos ataques às mulheres, especialmente, as mulheres trabalhadoras com sua misoginia e as nefastas reformas.

O PT, assim como o PCdoB, durante a pandemia e enquanto auxílio emergencial era cortado pela metade pela política negacionista de Bolsonaro, votaram a favor do perdão da dívida bilionária das Igrejas. A estratégia reformista de conciliação de classes sempre foi a de vender os direitos mais elementares em nome de uma “governabilidade”, uma governabilidade que na realidade só é funcional à burguesia e aos interesses dos capitalistas. Vemos que concretamente essa política só fortalece e pavimenta o caminho para a direita. Inclusive, Lula administrará a obra econômica do golpe institucional de 2016, já disse que perdoa os golpistas e não revogará a Reforma Trabalhista.

Na prática só garante cada vez mais que esse setor reacionário continue usando do aparato do Estado para impor suas concepções religiosas ao Estado, lutando contra o direito das mulheres, o direito ao aborto legal, ao nosso próprio corpo, a perseguição aos LGBTQIAP+, e a violência contra as negras e negros.

Lula e o PT não são uma alternativa para a luta dos trabalhadores, dos setores oprimidos e da juventude. Ao contrário do que diz o “pastor do PT”, que a esquerda não pode atrabalhar com seus temas, precisamos dizer claramente em alto e bom som quais são nossas demandas e lutar intransigvelmente por um programa político com independência de classe, que defenda todos os diretos aos setores oprimidos, a separação da Igreja e do Estado, assim como o aborto legal, seguro e gratuito.

As demandas da nossa classe só podem ser impostas a partir da luta e da auto organização dos trabalhadores, através de uma política independente que se enfrente com as burocracias sindicais e estudantis dirigidas majoritariamente pelo PT na CUT e na UNE, ao lado do PCdoB. É vergonhoso que setores da esquerda se integrem a essa política, como é o PSOL, agora federado com o partido burguês da evangélica Marina Silva, a REDE, que também é contra o direito ao aborto.

É, nesse sentido, que nós, do Esquerda Diário e do MRT, atuamos no Pólo Socialista e Revolucionário como parte da batalha para reagrupar os partidos socialistas e os trabalhadores para construir uma alternativa da nossa classe, independente dos patrões, nas lutas e também nas eleições.

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