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UFRN | Paralisação da Ciências Sociais UFRN fortalece unidade contra a extrema-direita e debates na esquerda

Com apoio de parlamentares como os vereadores de Natal Brisa Bracchi (PT), Robério Paulino (PSOL), além de sindicatos, entidades e partidos como ADURN, SINAI, CSP-Conlutas, PSTU e FOB, essa paralisação foi um importante dia de debates e ações em resposta aos ataques da extrema-direita, de Bolsonaro, junto aos militares, Congresso e STF, assim como da REItoria da UFRN. Também permitiu com que as diferentes posições políticas e estratégias entre os estudantes e a esquerda se expressassem, fortalecendo as posições na esquerda para dar uma saída à crise capitalista.

Ítalo GimenesMestre em Ciências Sociais e Coordenador do CACS Marielle Franco da UFRN

sexta-feira 27 de maio | Edição do dia

Ontem, 26 de maio, ocorreu a paralisação das aulas dos estudantes de Ciências Sociais da UFRN, votada em assembleia convocada pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais "Marielle Franco" (CACS). Foi um dia contra o ataque bolsonarista à faixa de estudantes no Setor de Aulas II, da juventude Faísca Revolucionária, a PEC das mensalidades nas universidades públicas e por exigência de permanência estudantil, que vem sendo atacada pela Reitoria da universidade.

O dia começou com uma mesa-debate, intitulada "Como enfrentar a extrema-direita?", que contou com saudações de Brisa Bracchi (PT) e Robério Paulino (PSOL), vereadores de Natal, e de Caminhando, membro da FOB. O debate da mesa contou com Cesar Sanson, professor do departamento de Ciências Sociais, Raquel Rocha, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e militante da Correnteza, e Marie Castañeda, coordenadora do CACS e militante da juventude Faísca Revolucionária.

Foto: @pixoreh

A mesa contou com debate importantíssimo, em Justiça por Genivaldo, homem negro assassinado pela Polícia Rodoviária Federal no Sergipe, asfixiado em uma câmara de gás improvisada. Os estudantes debateram que é fundamental unificar as forças contra os ataques da extrema direita, de Bolsonaro, militares e Congresso, como a PEC 206, do absurdo pagamento de mensalidade em universidades públicas.

Marie Castañeda disse: "O que a gente tá fazendo aqui é muito importante porque o assessor bolsonarista veio atacar a nossa faixa dentro do Setor II poucos dias depois que houve um atentado nazista ao Bar da Unicamp, que foi um ataque ultra racista e que foi respondido com uma forte manifestação nas ruas de Campinas. Na UFRGS também houve uma manifestação que estava exigindo um prédio sem escorpiões e começaram a ser perseguidos pela reitoria interventora do Bulhões, que é aliado de Bolsonaro". Marie também apontou que, para enfrentá-los, é necessário não sucumbir à conciliação: "Precisamos derrotar a extrema-direita e todo o regime do golpe institucional, mas apontamos que isso não é possível com a conciliação de Lula e Alckmin, onde o primeiro teve a pachorra de sequer se pronunciar sobre a chacina na Penha, nem na cobrança de mensalidades nas universidades, porque seu candidato a vice é responsável pela maior chacina do estado de SP e levou adiante medidas privatizantes nas universidades de São Paulo, propondo cobrança de mensalidade nas estaduais paulistas. Não nos enganemos, para enfrentar a extrema-direita temos que confiar na força organizada da juventude junto à classe trabalhadora e não na aliança com os nossos inimigos".

Após a mesa, os estudantes foram entregar uma carta à Diretoria do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), também deliberada na assembleia que votou a paralisação das aulas, exigindo que se posicionasse sobre o ataque bolsonarista à faixa e por melhores condições na estrutura do Setor de Aulas II, também fazendo ecoar a exigência à Reitoria que pague imediatamente os auxílios estudantis atrasados. Além disso, questionou o fato de apenas dois trabalhadores terceirizados cuidarem das salas por turno, exigindo a garantia de sua efetivação sem concurso, além de aumento na contratação de efetivos para limpeza e manutenção, assim como de quadros docentes.

A atividade seguinte foi uma colagem de cartazes na UFRN e no Via Direta, contra a extrema-direita, os ataques de Bolsonaro, militares, Congresso e STF, o conjunto do regime político do golpe institucional de 2016, como a PEC 206, que quer impor o absurdo pagamento de mensalidade em universidades públicas.

À noite, também ocorreu uma mesa-debate sobre como enfrentar a extrema-direita, que contou com a presença de Marie Castañeda, Cesar Sanson e Letícia Corrêa, coordenadora do DCE e militante do Juntos, juventude impulsionada pelo MES/PSOL, e saudação de Robério Paulino, Caminhando e Tiago, estudante de Jornalismo e militante do PSTU. Nesta segunda mesa, foi debatida também que, para derrotar o bolsonarismo, é necessário que estudantes, trabalhadores, setores oprimidos e povo pobre marchem juntos contra quem nos ataca, rebaixando nosso nível de vida, com a inflação e reformas, que a esquerda seja linha de frente disso, inclusive de debater com o conjunto dos estudantes as diferenças políticas que existem, para fortalecer o movimento estudantil.

Por exemplo, foram debatidas posições de qual o papel que o Judiciário cumpre, como do STF, que articulou o golpe institucional de 2016, manipulou as eleições de 2018 prendendo e prescrevendo Lula, como o TSE sequestrou milhões de votos através da biometria. E também debates que, para derrotar Bolsonaro, militares, Congresso e STF, a unidade deve ser entre juventude, trabalhadores, setores oprimidos e o povo pobre, e não com a direita, como faz o PSOL entrando na coordenação de campanha de Lula e Alckmin, espancador de professor e ladrão de merenda, e compondo federação com a REDE, partido de Marina Silva, que é contra o direito ao aborto, apoiador da Lava Jato e das reformas.

A paralisação foi um passo importante da auto-organização dos estudantes para unir forças para derrotar a extrema-direita, Bolsonaro, militares e o conjunto do regime do golpe institucional. Assim como permitir que essa unidade favoreça maior debate das diferentes posições que existem entre os estudantes e no movimento estudantil sobre como dar uma saída para a extrema-direita e a crise no país. Os estudantes também levarão à frente, em articulação proposta pelo CACS, uma Revista dos estudantes de Ciências Sociais, em que a primeira edição será com o tema "Ideias para derrotar a extrema-direita e a crise".




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