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REABERTURA INSEGURA DAS ESCOLAS EM SP | Para movimento de escolas de elite, pais e alunos devem limpar as escolas públicas

Movimento formado por pais de alunos matriculados em escolas particulares de elite da cidade de São Paulo ataca professores municipais em greve, dizendo que não se importam com a Educação. E sugerem que, na ausência de equipe de limpeza nas escolas, deveriam limpar eles mesmos junto com a comunidade escolar as unidades de ensino.

terça-feira 16 de fevereiro | Edição do dia

Foto: Washington Dourado

O movimento Escolas Abertas é um grupo formado por familiares de alunos que estão matriculados nas mais caras escolas de elite da cidade de São Paulo, escolas cuja mensalidade superam em muito os salários de qualquer professor da rede pública de educação da cidade. É um grupo que além de fazer lobby pela reabertura das escolas na cidade realiza constantes ataques aos trabalhadores da educação das escolas públicas em seus perfis nas redes sociais.

Esse grupo de pessoas que muito provavelmente jamais chegaram a por os pés dentro de uma escola pública, teve a pachorra de dizer que professores, coordenadores, diretores, pais e alunos das escolas publicas deveriam fazer mutirões para garantir a limpeza das unidades. A sugestão foi feita no perfil do movimento no Twitter na manhã de ontem, 15/02:

Os professores municipais da cidade de São Paulo estão em greve desde o dia 10/02 contra o retorno inseguro das aulas presenciais que começaram ontem, 15/02. Entre as tantas denuncias que têm sido feitas por trabalhadores da educação no município, que escancaram a falta de condições estruturais seguras para o retorno, as mais graves são aquelas que mostram como a insuficiência de trabalhadoras da limpeza nas unidades torna simplesmente inviável o cumprimento dos protocolos de higienização e limpeza elaborados pela própria Secretaria Municipal de Educação. Há escolas funcionando com apenas duas trabalhadoras para todos os períodos.

Porém não é só isso. Na semana passada centenas de trabalhadoras terceirizadas da limpeza foram demitidas com o fim do contrato com a empresa California. O que fez com que mais de 500 escolas ficassem sem qualquer equipe de limpeza às vésperas da reabertura. Essa situação surreal foi amplamente denunciada pelos trabalhadores da educação levando a prefeitura adiar a reabertura de ao menos 530 escolas.

Veja mais: Mobilizaçao faz Covas recuar em reabertura de 530 escolas onde profissionais da limpeza foram demitidas

Pois frente a essa situação absurda e a greve dos professores municipais esse pais e mães de escolas de elite acusam educadores de não querer trabalhar e ainda ousam dizer que se fossem comprometidos com a Educação estariam limpando eles mesmos as escolas. Ora quem são eles para falar qualquer coisa sobre comprometimento com a educação?! Durante o ano passado as professoras e professores se desdobraram em mil para fazer o máximo possível no ensino remoto, mesmo sem receber condições adequadas da prefeitura para trabalharem e muito menos para os alunos acessarem. Enquanto isso as trabalhadoras da limpeza, agentes de apoio, coordenadores e diretores não só expunham suas vidas indo presencialmente às escolas, como de fato muitos infelizmente perderam suas vidas pela pandemia.

Os culpados pela situação da pandemia, com mais de mil mortes por dia no país, e pelas escolas não oferecerem condições seguras para o retorno presencial não são os professores. São os governos de Doria e Covas, que sempre administraram a educação pública de acordo com interesses privatistas dos empresários da educação. E na pandemia não foram alternativa ao negacionismo de Bolsonaro. Hoje o governo faz propaganda de ter preparado as escolas para o ensino híbrido, mas é apenas mais uma mentira. Nenhum aluno recebeu tablets e sequer há uma previsão concreta de quando receberão.

O movimento Escolas Abertas quer dizer que mães e a comunidade têm que cumprir um dever que é do governo. Está claro que a classe que é representada por esse grupo vai estar ao lado do governo, atuando para que os pais dos alunos das escolas públicas se voltem contra os professores. São exatamente eles, dessa classe, que tem seus interesses atendidos pelo governo. São eles também os interessados em descarregar a crise nas nossas costas. Quando os seus sofrem de covid, são atendidos nos melhores hospitais, tendo seus filhos acesso a melhor alimentação e pronto socorro de primeira linha. Por isso mesmo, eles não representam em nada o chão de uma escola ou alguma posição dentro de uma comunidade escolar. Que são aqueles que podem, junto com os trabalhadores da saúde, realmente decidir quando e como as escolas poderão reabrir.




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