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CORONAVÍRUS | ZEMA

Para ajudar Bolsonaro, Zema expõe milhares de trabalhadores à contaminação em MG

sexta-feira 27 de março| Edição do dia

Na tarde dessa sexta-feira, 27/03, o governador do estado de MG pela via do Comitê Extraordinário do COVID-19, baixou decreto autorizando a reabertura de petshops, lavanderias e callcenters, em alinhamento com Bolsonaro no sentido de "reativar a economia" independentemente dos enormes fatores de risco para as trabalhadoras e trabalhadores que estão se expondo no local de trabalho sem nenhuma forma de proteção pessoal adequada e, mais importante ainda, sem saber se estão ou não contaminados, pela ausência de testes inclusive para pessoas com sintomas, medida profundamente irracional admitida pelo Ministério da Saúde no Brasil e que tende a levar a um enorme caos social e da saúde pública.

A abertura que propõe Bolsonaro - sob a demagogia da defesa dos empregos e da economia - é na verdade uma enorme ameaça às vidas trabalhadoras em nome não de sua saúde mas do lucro capitalista. Todos esses que antes eram supostos defensores da vida para impedir o direito da mulher ao próprio corpo, contra a histórica reivindicação de legalização do aborto, agora se provam mais profundamente carrascos da vida da massa, temendo a perda de seus lucros e admitindo inclusive em vídeos públicos - do alto de suas mansões, nos seus home office de luxo - que o Brasil viverá 5 ou 7 mil mortes, mas que teremos que seguir a vida, como falou o empresário dono do Madero, restaurante de elite, ou o dono da Havan, que minimizou os riscos do vírus chamando, em coro com Bolsonaro, de "gripezinha".

O Esquerda Diário abriu um canal de denúncias sobre as condições do local de trabalho frente à propagação do vírus e rapidamente a imensa maioria de denúncias que chegavam eram sobre as condições de trabalho no telemarketing, com trabalhadoras e trabalhadores dizendo que "não querem morrer na PA", se referindo à estação de trabalho que utilizam para fazer e receber ligações. Mesmo antes das declarações de Bolsonaro, empresas como Ativa e outras milionárias do ramo tratavam a saúde e a vida desses trabalhadores como lixo, exigindo que cumprissem jornada sem qualquer equipamento e medida de proteção. Denúncias falam sobre a ausência generalizada de álcool gel, a permanência no trabalho de pessoas com condições de saúde pré existentes que agravariam a doença, além de idosos e grávidas. Pessoas com sintomas também seguiram trabalhando, e outros denunciavam ainda as condições estruturalmente insalubres das salas de trabalho, com estações muito próximas umas das outras, equipamentos divididos entre várias pessoas sem higienização e ausência de janelas.

Voltar ao trabalho só é possível como uma medida de testagem massiva da população, de forma a identificar as pessoas contaminadas, testar todos que entraram em contato com ela, os que trabalham e vivem junto, e a partir daí manter a política de quarentenas que seriam, dessa forma, exclusivas aos contaminados e científicas, fazendo parte de um plano mais global de guerra contra o vírus. Medidas como essa, apesar de bastante possíveis, são bloqueadas pela mesma sede de lucro que nos prefere mortos e isolados. Para realizar testes massivos, todo o interesse do estado teria que estar dirigido à sobrevivência das pessoas, a uma vida de qualidade, em detrimento dos lucros capitalistas.

Por isso, para além da medida de testes massivos já, que seria paga com imposto progressivo às grandes fortunas, com o não pagamento da dívida pública e com o ataque aos lucros capitalistas, é preciso que seja a classe trabalhadora que controle os rumos dessa crise, e não esse presidente e esses governadores que já se provaram irresponsáveis e incapazes para enfrentar uma crise desse tamanho. As trabalhadoras e trabalhadores da saúde já se provaram os verdadeiros heróis da classe trabalhadora, e é a partir deles que deveria se construir um comitê de emergência para enfrentar essa crise, sem o autoritarismo dos militares nem a sanha capitalista de Bolsonaro e dos governadores.




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