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Papa Francisco e seu tour na América Latina

No domingo dia 5 de Julho o pontífice desembarcou no Equador onde permaneceu até quarta-feira. Quito representa sua primeira parada em uma viagem que envolve três dos países mais conservadores e com o maior peso da Igreja na região.

sexta-feira 10 de julho de 2015| Edição do dia

Cronograma de viagem

Cinco missas, encontro com seis presidentes, doze discursos e uma série de reuniões com personalidades eclesiásticas e políticas, compõem a agenda de viagem de Bergoglio pela América do Sul. Ele permaneceu um pouco mais de dois dias no Equador, logo após Bolívia e finalmente no Paraguai, países que conformam o itinerário de sua viagem.

No domingo passado, pela tarde, a delegação papal desembarcou no aeroporto de Quito onde foi recebida por funcionários de alto escalão, dando início a uma estadia que, segundo os especialistas, gerará despesas de aproximadamente 135 milhões de dólares.

Na capital equatoriana, o pontífice se reuniu com o presidente Rafael Correa, com quem trocou abraços e elogios. No dia seguinte rezou uma missa para uma multidão em Guayaquil, com cerca de 1,2 milhões de pessoas. Ali o centro de suas palavras foi o “núcleo familiar” como possuidor de uma “riqueza social” "que outras instituições não podem substituir".

A agenda de terça-feira contemplou um encontro com os bispos locais, outra missa para cerca de duas milhões de pessoas, um encontro com professores na Universidade Católica e uma visita privada a igreja da Companhia de Jesus. Em seu último dia no Equador, Francisco foi ao asilo que controlam as Missionarias de Caridade e se juntou com membros do clero e seminaristas na paróquia de El Quinche.

No dia 8, viajou à Bolívia, onde visitou primeiro as cidades de El Alto e La Paz, e se encontrou com o presidente Evo Morales. Logo após se dirigiu a cidade de Santa Cruz de La Sierra e participou de uma cúpula internacional com movimentos sociais e populares.

Nessa sexta-feira chegará ao Paraguai, último país que percorrerá, onde visitará o presidente Horacio Cartés e no sábado conhecerá o Hospital Geral Pediátrico “Niños de Acosta Ñu”. Por último, rezará uma missa no Santuário mariano de Caacupé onde encontrará Dilma Rousseff e a presidente argentina Cristina Kirchner.

“Palavra Santa”

Segundo o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, a escolha de Equador, Bolívia e Paraguai se deve porque são nações que “habitualmente não estão em primeiro posto da atenção mundial” e é onde “ vivem os mais marginalizados e sem voz”. Efetivamente, estes três países detém os níveis mais elevados de pobreza do continente. Mas também representam sociedades muito conservadoras, onde a influência da Igreja Católica á muito forte e os principais líderes se destacam por seus discursos homofóbicos e misóginos.

Com Rafael Correa por exemplo, Francisco compartilha vários princípios fundamentais. Em 2013 o presidente equatoriano determinava que a identidade de gênero é “perigosíssima” para o país. Por sua vez, rechaçava alterações na lei que contemplavam uma identidade diferente do seu sexo biológico, que formaria uma “manobra para legalizar o casamento gay” uma “novidade” contrária à "Constituição [que] estabelece que o casamento entre homens e mulheres”. Sendo que nos últimos tempos, após as mobilizações massivas contra sua política de trabalho e os embates da oposição de direita, tem dito que quer propor novas medidas para a comunidade LGBT, mas sua vontade política é mais que duvidosa.

Não muito diferente ocorreu com Evo Morales, que culpou os frangos transgênicos pela homossexualidade e disse frases como “ Quando eu vou às aldeias todas as mulheres ficam grávidas e os ventres dizem ’Evo cumpre’” ou “Este presidente tem bom coração e todas as ministras tiram-lhe as calças”.

E sem falar do presidente paraguaio Horacio Cartes, que comparou os gays com animais e afirmou que no Paraguai nunca estabelecerá o direito ao aborto porque ele é católico e um suposto “defensor da vida” (embora o país possua a maior quantidade de gestantes adolescentes e crianças não reconhecidas da América Latina).

As declarações de Correa, Morales e Cartes, não estão distante do que expressa os textos Evangelii Gauduim e “La Aparecida” que de acordo com Lombardi, são os fios condutores das vistas de Bergoglio. Este último documento, escrito pelo ex-arcebispo de Buenos Aires, implica outro ataque às mulheres e uma defesa do matrimonio heterossexual. Em acordo com os princípios que sustentam a Instituição, assim como as recentes proclamações do Papa frente ao Sínodo Extraordinário, referente a uma suposta necessidade de “acolher com misericórdia aquelas que fizeram aborto, para ajudá-las a sanar suas graves feridas e convidá-las a serem defensoras da vida” e define o aborto e a eutanásia como “delitos graves contra a vida e a família”. Esta é a agenda reacionária por detrás de sua viagem, que se revela com o intuito de fortalecer a Igreja Católica na região.

Texto original em: http://www.laizquierdadiario.com/Francisco-inicio-su-gira-latinoamericana

Tradução e Revisão: Clarissa Ramos, Artemis e Cássia Rodrigues.




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