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COVID-19 E AS MULHERES | Pandemia provoca um retrocesso de 10 anos aos direitos das mulheres, diz estudo

Segundo a Comissão Regional das Nações Unidas, mais de 118 milhões de mulheres estão em situação de pobreza, 23 milhões a mais do que em 2020.

segunda-feira 8 de março | Edição do dia

Foto: CNM/CUT

A crise econômica, impulsionada pela crise sanitária da COVID-19, vem impactando profundamente as relações sociais no mundo inteiro, e um dos setores da sociedade mais atingidos vem sendo as mulheres.

Segundo estudo divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), a pandemia gerou um retrocesso de mais de 10 anos nos direitos das mulheres, com uma queda exponencial da participação no mercado de trabalho.

Segundo o relatório, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho em 2020 foi de 46%, uma queda de 6% em relação ao ano anterior. Enquanto a dos homens também caiu significativamente, de 73,6% para 69%.

Ser mulher e mãe no capitalismo, principalmente com o agravamento da crise, significa ter que cumprir jornadas duplas ou triplas, sobrecarregadas com as tarefas domésticas, ameaçadas constantemente no trabalho por estarem nos empregos mais precários, mais instáveis e mais degradantes.

Com a queda do PIB da região (de -7,7%) em 2020 em decorrência da crise sanitária, vários dos setores da economia mais atingidos são aqueles em que predominam a participação das mulheres. De acordo com o estudo, as restrições à mobilidade, inclusive com o fechamento das fronteiras, a queda do comércio internacional e a paralisação de várias atividades consideradas não essenciais impactam fortemente as mulheres, que são grande parte dos setores do comércio, do turismo e da manufatura, por exemplo.

Segundo o relatório, 56,9% das mulheres na América Latina e 54,3% no Caribe estão ocupadas nesses setores atingidos em cheio pela pandemia. O setor de turismo, em que 61,5% dos postos de trabalho são ocupados por mulheres, sofreu uma contração significativa, principalmente nos países do Caribe, onde 1 em cada 10 mulheres ocupadas trabalham nesse setor.

Outro setor altamente feminino e precário é o trabalho doméstico remunerado, que em 2019 91,5% eram mulheres. Em vários países da região mostrou-se uma queda gigantesca nos níveis de ocupação do setor. Aqui no Brasil, país com uma herança escravagista gritante e que possui um verdadeiro exército de empregadas domésticas, essa queda se fez sentir de forma muito dura para as mulheres, principalmente as mulheres negras.

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Por outro lado, as mulheres também são maioria absoluta e linha de frente no combate ao COVID-19. Elas compõem 73,2% das pessoas empregadas no setor de saúde. O que contrasta bastante quando se fala de renda nesse âmbito: a renda das mulheres é 23,7% menor que a dos homens do mesmo setor.

São elas as que mais cuidam e são elas as que mais adoecem. A falta de insumos e recursos, jornadas de trabalho longas e intensas, falta de EPI’s, assédios vividos constantemente, tudo isso mostra uma precarização profunda do trabalho dessas profissionais, que não é de hoje, porém foi intensificado com a pandemia. Tudo isso, é claro, para aquelas que ainda mantêm seus empregos e não estão desempregadas ou trabalhando de forma informal.

Foto: arquivo pessoal de Cláudia Prado

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, fazemos coro com as mulheres que se revoltam no mundo inteiro contra a precarização das condições de vida. Como declarou o grupo de mulheres Pão e Rosas: “Convocamos cada mulher trabalhadora e jovem que se revolta com o machismo e o conservadorismo que governa o país a tomar em suas mãos esses combates, não só no 8 de março, mas como parte de uma luta cotidiana, se organizando em cada local de trabalho e estudo e batalhando por esse conteúdo... [A crise] também mostra que o funcionamento de toda a sociedade depende da classe trabalhadora, uma massa amplamente feminina e negra, e por isso é somente essa classe que pode reverter a catástrofe social, sanitária, econômica e ambiental na qual a burguesia nos afunda".

Confira a Declaração do Pão e Rosas: 8M: Por um feminismo socialista contra Bolsonaro, os golpistas e os capitalistas




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