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PSB e Eleições 2022 | Pacto Pela Vida e Plano Retomada, favorece oligarquias e empresários em Pernambuco

O PSB segue sem definir seu candidato para as eleições estaduais em Pernambuco. Seu principal quadro, o ex-prefeito de Recife, Geraldo Julio anunciou há muito tempo que não quer se lançar na empreitada. Mas enquanto as indefinições seguem em curso, Paulo Câmara mantém reuniões com sua base aliada e vem fazendo demagogia com o Pacto Pela Vida e o Plano Retomada para localizar o PSB frente à disputa eleitoral no estado.

segunda-feira 31 de janeiro | Edição do dia

Foto: Heudes Regis/SEI

A situação econômica e social de Pernambuco só piora, com uma das maiores taxas de desempregados do país, chegando a 21,6% e com 48,8% de trabalhadores na informalidade, resultado de anos de gestão do PSB. Frente a essa crise que só se agrava com a fome, a falta de moradia e o aumento dos preços dos alimentos, gasolina e botijão de gás, a população pobre e os trabalhadores pernambucanos se encontram cada vez mais desalentados.

É nesse marco de crise social e econômica e outra mais interna no próprio PSB que não consegue chegar em um consenso de quem será o cabeça de chapa que o partido faz demagogia com um programa reacionário como é o Pacto Pela Vida que aumentou o encarceramento da juventude negra e a violência policial contra os negros no estado. A população carcerária saiu de 17.244 em 2004 para quase 30 mil em 2014 e o PSB tem a polícia que mais mata negros no Brasil. Para ver uma análise mais detalhado sobre isso, veja nosso editorial de novembro/2021.

Além do Plano Retomada que não passa de um programa populista que visa ganhar votos na corrida eleitoral, onde seu principal concorrente, caso se firme os acordos com o PT de Lula, será a direita. O programa é um aceno claro para os empresários do comércio e a indústria do turismo. Caso as pequenas e médias empresas aceitem o programa, o governo do estado pagaria a metade do salário de novos funcionários contratados e as empresas a outra metade, durante até seis meses. Esse é o principal aliado do PT no estado de Pernambuco, com que vai compor chapa escolhendo seu vice. Não bastasse as alianças com Alckmin a nível nacional, que inclusive pode migrar pro PSB, o PT pernambucano assina embaixo de uma política de repressão, alianças com as oligarquias e de aprofundamento das desigualdades sociais que o PSB vem tendo ao longo dos anos.

Pacto Pela Vida: um sentido estratégico e outro eleitoral

Não é de hoje que o PSB utiliza o Pacto Pela Vida (PPV) como uma grande “vitrine” e prioridade do partido em cada mandato desde 2007. O PVV sempre serviu para atender aos interesses das oligarquias e burguesia regional, na garantia de seus lucros e domínio, sobretudo numa região tão desigual no país, majoritariamente negra e superexplorada.

Por outro lado, a demagogia feita com PPV sobre seu “recorde histórico” desde o início do PPV serve para fazer uma propaganda rasteira e mentirosa com o debate de segurança pública com a redução da taxa de homicídios e roubos no estado. Em uma reunião junto a aliados importantes, como o presidente da Alepe e ex-emissário da polícia civil, o deputado Eriberto Medeiros (Progressistas) e o procurador-geral da justiça, Paulo Augusto de Freitas que recentemente receberam das mãos do próprio governador a medalha Mérito dos Guararapes, Câmara reivindicou a atuação das polícias no estado. A mesma polícia que já matou o dobro em relação ao ano passado. Sem falar que 97% das pessoas mortas pela polícia em Pernambuco são negras e todos os mortos pela polícia em Recife eram negros. Um completo absurdo e cinismo do governador que enche a boca para falar de diminuição de roubos e homicídios, mas esconde que isso foi às custas de muitas vidas negras.

O Pacto Pela Vida não passa de um projeto reacionário e racista que serve para reprimir a juventude negra e os trabalhadores, mas em pleno ano eleitoral utilizá-lo como vitrine da gestão PSB, mostra como Câmara tenta dialogar tanto com sua base eleitoral quanto com a base do bolsonarismo para emplacar um novo governador.

Na realidade, frente a uma disputa eleitoral contra uma direita e extrema direita num cenário de polarização política, onde Miguel Coelho (DEM) busca se aliar com a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB) e outros partidos como o Podemos, Câmara tentará também dialogar com setores da base desses partidos. Além disso, Clarissa Tércio (PSC) anunciou que terá uma chapa “bolsonarista raiz”, em um estado com forte peso das igrejas evangélicas, onde seu pai o pastor Francisco Tércio é presidente da Assembleia de Deus, não está descartado que uma propaganda política como a do PPV também impacte um setor mais bolsonarista e evangélico.

A certeza é que o PSB quer dialogar justamente com os elementos mais reacionários que partidos da direita e extrema direita vem defendendo desde o golpe institucional. Mas ele não para por aí, no final do ano passado Câmara chegou a anunciar uma mudança na lei de promoção de bombeiros e policiais militares, o que caiu bem na base policial, que fizeram um ato simbólico onde 200 policiais marcharam até o Palácio das Princesas e foram recebidos pelo governador. Na última semana (26), incorporou 729 soldados à PM, parte das medidas do PPV em 2022.

Desde a crise que se abriu quando sua polícia cegou dois trabalhadores na repressão do ato em maio do ano passado, o governador vem tentando melhorar sua relação com a polícia. O cálculo eleitoral que inclui o Pacto Pela Vida como carro chefe de campanha também ajuda a manter uma boa relação com esse setor que Câmara teve um desgaste no ano passado.

Plano Retomada: projeto que agrada as oligarquias e empresários

O Plano Retomada é baseado em investimentos estatal e privado para financiar obras de infraestrutura, a créditos a empresários e para geração de empregos, segundo afirma Paulo Câmara. Em resumo, se trata de um plano que visa a geração de empregos temporários, precários e de favorecimento do setor privado e de oligarquias regionais, com um investimento de 5 bilhões, sendo que 2,4 bilhões serão do setor privado. O presidente da Federação de Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) viu a inciativa com bons olhos, afirmando que “o pacote está bem estruturado e estamos torcendo para que aconteça tudo como foi anunciado”.

A grande demagogia eleitoral do PSB gira em torno do programa Emprego PE, que segundo Câmara vai gerar 20 mil novos empregos de carteira assinada. O objetivo desse programa é subsidiar metade do salário mínimo (R $550,00) durante seis meses caso uma empresa contrate até trinta novos funcionários, seguindo alguns pré-requisitos estabelecidos pelo governo. Na prática Paulo Câmara e o PSB vão dar dinheiro para que empresários, principalmente, do comércio e do turismo paguem os salários de seus funcionários, que tiveram que fechar temporariamente seus estabelecimentos durante a pandemia com as medidas de restrição impostas pelo governo e que com o adiamento do carnaval também não poderão lucrar.

Para que esses empresários sigam lucrando, Paulo Câmara criou esse plano que na verdade é uma grande mentira dizer que vão gerar novos empregos, esses empresários irão contratar alguns funcionários demitidos durante a pandemia, só que agora, com o governo pagando metade de seu salário. Sem estabilidade e garantia que vão permanecer no cargo após o período de seis meses, esses trabalhadores têm que escolher entre um trabalho precário que pague até um salário mínimo e o desemprego e a fome. Sem falar que um programa que se intitula Emprego PE e ter objetivo de gerar apenas 20 mil novos postos de trabalho no estado recordista em desemprego onde a informalidade e as pessoas sem trabalho alcança a casa de centenas de milhares, só pode ser uma piada de mal gosto, não passa de demagogia eleitoral.

O PSB também sabe que o bolsonarismo tenta disputar justamente sua base eleitoral na região, por ser um estado mais desigual do Brasil, o Auxilio Brasil por exemplo assistiu 1 milhão e 800 mil famílias no estado. Ainda que Lula tenha 62% das intenções de voto contra apenas 14% de Bolsonaro em Pernambuco, o PSB se prepara para uma eleição contra uma direita em um cenário de polarização política e portanto tenta manter sua base bastante coesa. Foi nesse espírito inclusive que anunciou o auxílio emergencial do carnaval para agremiações, grupos e artistas, no valor de 6,3 milhões de reais.

Além disso, Paulo Câmara também disse que irá fazer 258 obras públicas em 130 estados, retomando alguns projetos há muito tempo esquecidos pela sigla e que fez Pernambuco e Recife em especial virar um grande canteiro de obras inacabadas. São obras de triplicação de rodovias, aeródromos, reconstrução de rodovias e a construção do Arco metropolitano que ligaria Goiana ao Porto de Suape, passando por oito municípios incluindo Abreu e Lima. A intenção do PSB com essas obras de infraestrutura é justamente agradar o setor de petróleo e automotivo dando de presente um rodovia como o projeto do Arco Metropolitano para que a Refinaria Abreu e Lima e a Jeep possam escoar sua produção até o Cabo de Santo Agostinho sem custo nenhum. Por outro lado, as obras em estradas e aeródromos no Agreste e Sertão pernambucanos são um passo para que governos e oligarquias locais possam vender para iniciativa privada a concessão das rodovias, como é o caso de Serra Talhada. Ou então para facilitar os negócios das oligarquias como é o caso de Araripina que a obra na PE-646 vai favorecer as dezenas de empresas de mineração da região.

Acredito que está mais que claro que Paulo Câmara e o PSB nas eleições de 2022 querem agradar seus aliados empresários e as oligarquias do estado e faz demagogia com o povo pobre e os trabalhadores quando que vai criar novos empregos. O Plano Retomada serve para agradar tanto o setor de petróleo e automotivo, quanto o setor de turismo e comércio, favorecendo os negócios de donos de comércio, bares, restaurantes e hotéis, acenando a eles de maneira positiva após dois anos com medidas restritivas. O reacionário Pacto Pela Vida, por outro lado tem sido utilizado para aprofundar a repressão contra a juventude e o povo negro. Com dois projetos como esses à frente numa campanha eleitoral onde terá provavelmente uma chapa do PSB e PT e outra da direita, mostra como a eleição estadual em Pernambuco estará mais à direita.

Por outro lado, o povo pobre e os trabalhadores pernambucanos não podem ficar à mercê dessas variantes burguesas que se depender da vontade deles vão aprofundar a miséria, a fome e o desemprego no estado, enquanto as oligarquias e os empresários lucram em cima de nossas costas. É necessário uma esquerda que defenda um programa anticapitalista e de independência de classes, que defenda a garantia de emprego pleno a todos e todas trabalhadoras, diminuindo as jornadas de trabalho para 6 horas e contratando centenas de milhares de pais e mães de filhas que seguem sem emprego. Paulo Câmara não pode dar nem mais um centavo a nenhum empresário, esse dinheiro tem que ser destinado para fazer uma reforma urbana radical, que gere empregos, construa moradias para as centenas de milhares de desabrigados. É necessário também que se levante a bandeira do reajuste salarial mensal de acordo com o custo de vida, para que a inflação não coma os salários dos trabalhadores e que possam comprar o gás, alimentos, etc.




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