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Declaração | Pablito: “Resultado da CPI mostra que não podemos confiar nestas instituições para derrotar Bolsonaro”

Reproduzimos aqui a declaração de Marcello Pablito, trabalhador da USP, militante do Movimento Nossa Classe e dirigente do MRT, frente a apresentação do relatório final da CPI no último dia 20/10.

sexta-feira 29 de outubro | Edição do dia

"A apresentação do relatório final da CPI da Covid no Senado no último dia 20/10, reafirmou o que já era de se esperar: As estratégias institucionais são um beco sem saída e não são capazes de derrotar Bolsonaro e responder à profunda miséria que a classe trabalhadora está afundada.

O resultado da CPI, que não levou a uma solução efetiva para toda a situação investigada e se encerrou com acordos entre todas as partes do processo, como era de se esperar. Mostrando mais do que nunca que a CPI da Covid foi de fato um desvio para a expressão de todo os descontentamento e ódio contra o Bolsonaro, que também tinha começado a se expressar nas ruas.

Isso tudo também demonstra o medo que todo esse regime político podre, que está junto do Bolsonaro para passar todos os ataques, reformas e privatizações contra nós, tem da nossa força nas ruas. Desde o início da CPI a crise se aprofundou ao ponto de estarmos tendo que buscar comida em filas de lixo e osso. Isso é e nada mais o que o capitalismo e seus governos têm a nos oferecer.

É nesse sentido que chamo as organizações de esquerda que se reivindicam socialistas e que viam na CPI uma alternativa para a crise política no país, a reverem suas posições e buscar enxergar o que significou a CPI e o que significa esse resultado. Vimos que o Centrão como o maior beneficiário da CPI, que o autoritarismo do judiciário burguês que se fortaleceu e que apesar dos militares terem se debilitado, estão longe de terem sido derrotados.

Leia a análise completa sobre a CPI da Covid: O fim de uma CPI que prometeu muito e entregou pouco

Foi um grande palco das disputas entre as frações da burguesia, mas que mesmo com todos os seus embates e tensionamentos, o projeto econômico neoliberal de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e mais oprimidos é o mesmo de Bolsonaro e Mourão. Esse resultado só reafirma que a esquerda precisa batalhar em unidade urgentemente por uma saída independente e dos trabalhadores, pela via da luta de classes, a única capaz de derrotar Bolsonaro e resolver a miséria que vivemos.

Se não fizermos isso hoje, qual será a próxima fila que teremos de enfrentar? Quantos mais morrerão e passarão fome devido à política reacionária da extrema direita bolsonarista, à serviço dos lucros dos capitalistas? O único caminho é batalhar pela organização dos trabalhadores em cada local de trabalho e por um plano de luta que prepare uma paralisação nacional ao lado dos mais oprimidos. É preciso exigir que as centrais sindicais rompam sua paralisia e organizem os trabalhadores.

Por isso, nós do MRT e Esquerda Diário, reiteramos aqui um chamado à esquerda como o PSOL, PSTU, PCO, PCB e UP que dirigem diversos sindicatos e entidades estudantis pelo Brasil para se somar a essa exigência e batalhar para organizar os trabalhadores e estudantes em cada local de trabalho e estudo.

Assim como a CPI não trouxe respostas para os profundos dilemas da nossa classe, outras saídas por dentro das instituições do regime, como são as eleições, também não trarão. A estratégia do PT de espera passiva das eleições de 2022 e de conciliação de classe não é uma alternativa para combater a miséria que vivemos hoje e nem para combater a extrema-direita.”

Leia também o Editorial do MRT: É urgente um plano de luta contra a fome e o desemprego




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