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Fome | Pablito: "Enquanto Bolsonaro come picanha de 2mil nossa classe passa fome na fila do osso, basta!"

Reportagem de ontem no Fantástico mostrou dezenas de pessoas numa fila de um açougue em Cuiabá para receber doação de ossos com retalhos de carne, enquanto Bolsonaro dá churrascos com picanha de 2 mil reais.

segunda-feira 26 de julho | Edição do dia

“Não precisa ir muito longe na informação para sentir a indignação crescer. Enquanto a miséria se aprofunda com mais da metade da população em insegurança alimentar, filas pelas raspas de carne em ossos que iriam para o lixo, o desemprego atingindo recordes, o aumento dos preços dos alimentos, vemos o governo Bolsonaro gastando quase 2 mil reais no quilo da carne que ofereceu em um churrasco no mês de maio, ou 15 mil em leite condensado como ficou publico no começo do ano.

Mais claro do que isso difícil, Bolsonaro, seu governo, sua base e inclusive os que se dizem oposição ao governo mas se aliam a ele na hora de aprovar as reformas que levaram a classe trabalhadora à situação de fome e miséria atuais. A situação que vimos ontem nas filas de ossos em Cuiabá também se expressa nas enormes filas por marmitas em SP, reflexo direto do desemprego em primeiro lugar, mas também da precarização do trabalho e flexibilização da CLT que permite contratos menores com salários menores, o trabalho intermitente.

Situação também reflexo da absurda inflação nos itens de consumo básicos, como arroz e feijão por exemplo, com 48% e 22% de aumento respectivamente, ou a carne que teve aumento de 38% no último ano, ou ainda o óleo de cozinha que chega a 10 reais o litro. A alternativa tem sido opções mais baratas, como “arroz fragmentado” ou a "bandinha de feijão”, grãos quebrados que normalmente iriam para a alimentação de animais e agora passam a ser comercializados como uma alternativa à alta dos preços.

Ver 19 milhões de famílias na insegurança alimentar enquanto o reacionário presidente se esbanja em picanha japonesa, faz pouco caso da crise, chama a pandemia de “gripezinha” e diz “e daí” para os números absurdos de mortos por COVID-19, faz e muito aumentar nossa indignação.

Nossa classe tem pagado com a vida pela crise dos capitalistas. Tem enfrentado fome e miséria, para manter os luxos dos capitalistas e seus políticos. Vimos expressões de disposição de luta da nossa classe, da juventude, dos indígenas e demais setores oprimidos nos últimos meses, com atos de ruas e greves importantes como a CPTM, as direções das entidades sindicais e estudantis, como as centrais sindicais como a CUT e a CTB ou a União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigidas majoritariamente pelo PT e PCdoB, não colocam todas as suas forças para ampliar nossa mobilização. Não organizam suas bases diretamente, ou convocam dias separados de luta.

A insatisfação da nossa classe frente a tamanha barbárie imposta pelos capitalistas não pode ser organizada em busca de saídas institucionais como o impeachment, que tira Bolsonaro mas dá mais poder ao General Mourão, um racista adorador da ditadura. Nossa força também não pode ser canalizada na espera pelas eleições de 2022, para as quais Lula busca costurar as mais amplas alianças com inimigos dos trabalhadores.

Por isso a necessidade da construção de assembleias de base em cada lugar de trabalho e estudo, organizados em suas entidades sindicais e estudantis, que precisam acionar toda a sua base nesse sentido. É preciso a construção de um plano de lutas, com ações coordenadas de diversas categorias, que prepare uma forte paralisação nacional contra Bolsonaro, Mourão e todos os ataques que hoje nos colocam na fila do osso. A esquerda deveria dar exemplo convocando assembleias nas categorias dirigidas pela CSP-Conlutas e Intersindical, e também nas universidades onde dirigem os DCEs, organizando estudantes e trabalhadores para fortalecer a exigência às grandes centrais sindicais."

Veja novo Editorial do MRT: Fila do osso é símbolo da barbárie capitalista: por um plano de luta já




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