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Luta negra | Pablito: “A absolvição de Kyle Rittenhouse mostra que nossa luta é internacional”

Nesta última sexta-feira (19), Kyle Rittenhouse de 17 anos foi absolvido após um tendencioso julgamento que ocorreu em Kenosha, Wisconsin. O jovem branco de 17 anos, cruzou a fronteira do estado com uma arma ilegal e assassinou dois manifestantes, além de deixar uma pessoa ferida. Os manifestantes assassinados estavam em um ato contra a violência policial racista que havia retirado a vida de Jacob Blake e exigiam justiça e o fim da violência policial. Kyle, mesmo estando em uma caça aos manifestantes do Black Lives Matter e sendo filmado cometendo os assassinatos, foi absolvido de todas as acusações.

sábado 20 de novembro | Edição do dia

Frente a esse caso Marcello Pablito, trabalhador da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp e dirigente do MRT, declara que:

“A absolvição de Kyle escancara um elemento presente em todos os sistemas judiciais do mundo: a justiça no sistema capitalista é racista. Não há uma só justiça para todos, ela nunca é a mesma para os setores oprimidos e os trabalhadores e para os representantes da burguesia e de suas ideias. Kyle virou um herói para a extrema direita dos Estado Unidos ao caçar os negros que se levantavam, junto de diversos trabalhadores, nos atos contra a violência policial racista. Foi absolvido sob a justificação da autodefesa e as acusações retiradas. Um jovem branco, declaradamente supremacista, que se tornou símbolo da extrema direita base de Donald Trump.

Seu julgamento mostrou que os Estados Unidos, a dita “maior democracia do mundo”, possui dois sistemas de justiça. Um onde brancos, com recursos financeiros, são absolvidos apesar de filmagens e provas concretas e outro, onde pessoas não brancas, em especial os negros, morrem dia a dia condenadas pelo racismo, asfixiadas pelas mãos da policia ou pelo sistema judiciário que os condena a prisão perpétua ou a pena de morte por crimes que não cometeram.

Um cenário não muito diferente da justiça brasileira, onde milhares de presos, em sua maioria negros, não foram sequer julgados mas apodrecem nas penitenciárias super lotadas e insalubres. Onde 78% dos assassinados pela polícia são negros e a certeza da impunidade impera. Essa justiça não funciona desta forma por mero acaso, ela funciona assim para manter a sociedade desigual e favorecer a burguesia, seus políticos e o sistema capitalista que se mantém às custas da opressão do povo negro e trabalhador ao redor do mundo.

Seja no país de Bolsonaro, que inclusive chega ao poder como um fruto do golpe institucional sustentado por todas instituições do Estado incluindo o STF e todo judiciário, ou do democrata Biden, não é possível confiar que a justiça virá pelas mãos daqueles que atuam de diversas formas para manter um sistema baseado na opressão e na exploração, legitimando o racismo e atacando a classe trabalhadora.

É preciso que, junto à classe trabalhadora, os negros e setores oprimidos de todo mundo se levantem e se organizem para lutar contra esse sistema racista que nos relega à miséria, à fome, ao desemprego e mata o nosso povo com uma mão e inocenta os assassinos com a outra.”




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