Política

POLÍTICA NACIONAL

PT e PCdoB definem apoio ao candidato de Rodrigo Maia, o golpista Baleia Rossi

terça-feira 29 de dezembro de 2020| Edição do dia

Reunião virtual dos partidos de oposição com Baleia Rossi[MDB]

Os partidos de oposição ao governo Bolsonaro, PT, PCdoB, PDT e PSB definiram em reunião, esta semana, apoio ao candidato de Rodrigo Maia à presidente da Câmara dos Deputados, o emedebista Baleia Rossi. Em carta direcionada a Rossi, os partidos de oposição buscam firmar o compromisso de que o futuro presidente da câmara garanta um espaço para a oposição, encaminhando os pedidos de CPI’s, convocações de Ministros para explicações e que coloque para votar decretos legislativos – instrumentos que poderiam impedir decretos do presidente Bolsonaro.

Com esse acordo, esses partidos abrem mão do combate ao golpe institucional, apoiando um candidato golpista e comprometido com os ataques aos direitos dos trabalhadores. Diana Assunção, da bancada revolucionária de trabalhadores, que concorreu as últimas eleições para vereadora em SP e dirigente nacional do MRT(movimento revolucionário de trabalhadores) alerta sobre esse apoio da oposição:

Não é a primeira vez que os partidos de oposição apoiam um candidato neoliberal e golpista para a presidência da Câmara. Em 2018, com esse mesmo discurso de defender a democracia, apoiaram Rodrigo Maia. Além de ser do DEM, antigo PFL e herdeiro da ditadura militar com a ARENA, esse partido apoiou o golpe travestido de impeachment, em 2016. Baleia Rossi votou à favor deste golpe que abriu caminho para uma série de ataques aos direitos dos trabalhadores, como a reforma trabalhista e a imoral reforma da previdência, reforma que foi colocada em pauta e comandada no congresso por Rodrigo Maia.

Vendo a politica dos partidos de oposição nos Estados que governam, é possível entender o porquê apoiam candidatos como Rodrigo Maia e Baleia Rossi. O Maranhão, governado por Flávio Dino(PCdoB) foi o primeiro Estado a fazer a sua reforma da previdência após a aprovação no congresso nacional. Numa divisão de tarefas, os deputados e senadores desses partidos votaram contra a reforma da previdência, ao mesmo tempo em que seus governadores defendiam as reformas da previdência estaduais onde governam. Assim também fez o PT, PSB e PDT. O terceiro braço dessa tríade, as centrais sindicais dirigidas por PT (CUT) e PCdoB(CTB), estavam com a tarefa de não organizar uma luta séria nos sindicatos para paralisar o pais e barrar os ataques. Parlamentares, governadores e centrais sindicais junto para impor à classe trabalhadora que a oposição à direita e seus ataques seja exclusivamente eleitoral, terreno que favorece quem está no comando, a burguesia e seus representantes.

Essa estratégia eleitoral e de oposição meramente parlamentar é impotente para combater a direita e fará classe trabalhadora sangrar nos próximos anos em meio a crise econômica e sanitária que passamos. Esta democracia burguesa já bastante degradada com um regime político marcado pelo autoritarismo do judiciário e a intensiva presença de militares na política.

Frente a isso, a única política para manter a independência de classe é combater o regime do golpe e não buscar ocupar um lugar dentro dele como ala esquerda. A política de conciliação de classes do PT e PCdoB e o caráter diretamente burguês do PSB e PDT não podem ser uma alternativa para a luta dos trabalhadores, das mulheres, negras e negros e da juventude. É preciso organizar um polo da esquerda e dos trabalhadores contra o regime do golpe, seus ataques e mantendo a independência do PT e sua estratégia de conciliação de classe.




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