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CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA | PT aceita reforma da previdência e as centrais não tem nenhum plano para derrotá-la

Primeiro, discutindo uma "reforma alternativa", que eliminando alguns itens mais impopulares teria o mesmo resultado da proposta de Bolsonaro e Maia: destruir as aposentadorias de milhões. Agora, os governadores do PT se articulam com Maia para que a reforma federal valha para seus Estados. Todos os capitalistas fazem isso, e todos governadores do PT e PCdoB também.

terça-feira 18 de junho de 2019 | Edição do dia

Imagem: Rodrigo Maia e Wellington Dias, governador do PT no Piauí

O PT e o PCdoB já emitiram mais de uma carta dos governadores do Nordeste afirmando sua aceitação da reforma da previdência. Falaram na última carta que “todos reconhecem” a necessidade da reforma. Primeiro, discutindo uma "reforma alternativa", que eliminando alguns itens mais impopulares teria o mesmo resultado da proposta de Bolsonaro e Maia: destruir as aposentadorias de milhões. Agora, os governadores do PT se articulam com Maia para que a reforma federal valha para seus Estados. Todos os capitalistas fazem isso, e todos governadores do PT e PCdoB também. Rodrigo Maia já se reuniu mais de uma vez com os governadores da região Nordeste para formalizar esse criminoso acordo e para que os governadores “se engajem” em conquistar votos em prol da famigerada reforma.

Independentemente da formalização do acordo, ele já é a realidade. Os governadores já deram mil mostras de apoio, tanto que o próprio Bolsonaro já os usou para fazer propaganda favorável a essa imensa retirada de direitos. Este acordo também já é realidade na absoluta calmaria e falta de plano das centrais sindicais para dar continuidade ao dia 14 de junho. Não oferecer nenhum plano é parte concreta dessa aceitação. Já temos visto até alguns senadores do PT se arriscando a ir ao púlpito defender esse disparate, como fez recentemente Paulo Paim (PT-RS).

Na prática, apesar das diferenças de atuação e papeis das centrais, dos parlamentares e dos governadores, todos eles, tem um mesmo norte: concordam com a reforma, concordam que os trabalhadores paguem pela crise capitalista, e consideram que a negociação com Maia é uma vitória.

Diante desse cenário, Felipe Guarnieri, operador de trem da Linha 1-Azul do metrô de SP e dirigente do MRT, opinou: “Não é verdade que esta reforma de Rodrigo Maia é uma vitória para os trabalhadores, como insinuou Vagner Freitas, dirigente da CUT. Ela mantém tudo que a Bovespa queria. A regra de transição com a idade mínima de 62 anos para mulheres, 65 anos para homens, além da redução do valor já absurdamente baixo da aposentadoria. O resultado é que Maia propõe entregar quase R$900 bilhões para os banqueiros e especuladores da fraudulenta dívida pública. Como isso pode ser uma vitória? Quem fala contra a reforma de Bolsonaro mas defende a reforma de Maia está enganando os trabalhadores. E é exatamente isso que o PT está fazendo. Negociam e aceitam a reforma. Entregam nossos direitos. Nem é preciso mencionar o PDT de Ciro Gomes, que tem na figura da deputada Tábata Amaral uma fervorosa defensora da reforma da previdência, tem que debate a portas abertas com ninguém menos que Rodrigo Maia e Paulo Guedes.


Felipe Guarnieri

Maíra Machado, diretora do sindicato dos profissionais da educação de São Paulo (APEOESP) pela oposição declarou : “Os parlamentares do PT e PCdoB estão enganando a juventude e os trabalhadores com discursos contra a reforma enquanto seus governadores já aceitaram e estão ajudando a mesma a ser aprovada. São exímios ’doadores de governabilidade’ a Bolsonaro e Maia, assumindo para si parte importante do ajuste fiscal. Uma vergonha. Outra prova da aceitação desta reforma pelo PT e pelo PCdoB está mostrada pelo fato que tanto a UNE como a CUT não estão organizando absolutamente nada para derrotar a reforma (a UNE convoca uma "marcha a Brasília pela educação" no dia 12 sem qualquer relação com a batalha contra a reforma da previdência). Sem nenhum plano é evidente que a Câmara e o Senado irão aprovar o ataque que Bolsonaro, Guedes, Maia, a Bovespa, e os governadores do PT/PCdoB querem. O PSOL, principal partido à esquerda do PT, deveria como mínimo romper com o bloco parlamentar que tem com o PT e denunciar essa política. É preciso denunciar essa aceitação da reforma pelo PT e pela burocracia sindical para que cada jovem e trabalhador tenha consciência disso e possa exigir à CUT e à CTB a imediata retirada de todas negociações e um urgente plano de lutas.”


Maíra Machado

Essa criminosa aceitação do ataque da reforma da previdência acontece em meio a tremenda crise política no país, que ofereceria oportunidades para os trabalhadores. Guarnieri opinou sobre isso, dizendo: “É ainda mais criminosa essa aceitação da reforma pelo PT quando fica evidente que o governo Bolsonaro está enfrentando uma grande crise política com os vazamentos da Lava Jato - que mostram que sempre foi uma operação pró-imperialista em prol do golpe institucional e da manipulação das eleições de 2018 - e com os atritos de Guedes e Maia. Este é o momento para os trabalhadores derrotarem toda a reforma; ao contrário disso, a traição das centrais e a política do PT são um obstáculo para que a classe trabalhadora entre em cena como fator político independente. Podemos dar um fim à chantagem capitalista que obriga a juventude a escolher se tem dinheiro para a educação ou direito de se aposentar, podemos acabar com o discurso de que faltam recursos e mostrar como a reforma da previdência tem como objetivo oferecer mais dinheiro aos donos da ilegal e ilegítima dívida pública. É para garantir o aumento do lucro dos empresários que deram um golpe no país; é para isso que Moro e Dallagnol tanto intervieram na política. Mas não, não é isso que o PT quer, prefere deixar passar a reforma depois de ter feito uma ou outra modificação mas deixando o essencial passar, deixando a ideia fundamental, que os trabalhadores trabalhem até morrer.”

"A CSP-Conlutas, dirigida pelo PSTU, não fala uma vírgula crítica à conduta traidora das centrais no 14J, ao invés disso se dedica a louvar acriticamente a "unidade de aparato" das burocracias sindicais - que levou à divisão por baixo dos trabalhadores, com a exclusão dos rodoviários da greve - e considera, como faz em seu artigo público, que a saída agora é um abaixo-assinado contra a reforma para Rodrigo Maia...Isso não é mais que cobrir pela esquerda a traição da UGT, Força Sindical, com a cumplicidade da CUT e da CTB. Isso não levará a avançarmos a unidade dos trabalhadores por objetivos claros na luta de classes, e sim apenas fortalecer as burocracias que nos impedem. A CSP-Conlutas deve usar seu aparato para exigir um plano prático de ação à CUT e à CTB pela derrubada da reforma."

Veja aqui: CUT e CTB: Onde está o plano de luta para derrubar a reforma da previdência?

Maíra Machado concluiu afirmando : “O PT prefere mostrar para a burguesia que eles também são responsáveis com os negócios capitalistas, e assim, quem sabe, conseguir que libertem Lula e aceitem novamente o PT para a administração do capitalismo do país. De nossa parte, apesar de não concordamos com a estratégia política do PT e criticar violentamente como o PT assimilou para si todos métodos corruptos do capitalismo somos veementes críticos à Lava Jato desde sempre e exigimos a imediata libertação de Lula. A crise que temos no país exige que unamos a força da juventude e da classe trabalhadora. Podemos derrotar toda reforma da previdência e começar a oferecer uma resposta independente na crise do país. Não podemos separar a luta econômica da batalha política. Contra os ajustes neoliberais do governo e os cortes à educação, precisamos levantar um programa para que os capitalistas paguem pela crise. O governo quer uma nova "geração perdida", esmagada pelo desemprego e a precarização do trabalho (como nos serviços de aplicativo Rappi, iFood, etc.). Contra a reforma da previdência, exigimos o não pagamento da fraudulenta dívida pública, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial para atacar o flagelo do desemprego e da precarização na juventude.

"Diante da crise aberta com a Lava Jato pró-imperialista, é preciso dizer: contra essa democracia manipulada por juízes politicamente interessados, exigimos que os juízes sejam eleitos pelo povo, revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora, abolindo suas verbas auxiliares. Para acabar com a farra de empresários e políticos corruptos, que atinge todos os partidos dominantes, todos os julgamentos por corrupção devem ser realizados por júris populares, abolindo os tribunais superiores."




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