Política

ELEIÇÕES DO CONGRESSO 2020

PT, PCdoB, PSB e PDT podem apoiar partido do preferido de Bolsonaro à presidência da Câmara

PT, PCdoB, PDT e PSB tendem a apoio ao candidato de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, seja ele Baleia Rossi (MDB) ou Aguinaldo Ribeiro (PP, mesmo partido de Arthur Lira, preferido de Bolsonaro).

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

quarta-feira 16 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro - Fátima Meira/Futura Press/Folhapress

Está previsto para hoje o anúncio da possível unificação entre o bloco de Maia e o da "oposição" contra Lira, que, caso de consolide, pode garantir 290 de 513 votos da casa para o escolhido pelo atual presidente da Câmara. O PSOL deve lançar candidatura própria, mas está sendo pressionado a se somar ao “pacotão” de Maia.

Apesar de formarem um bloco que se considera de oposição ao Planalto na Câmara, PT, PCdoB, PDT e PSB podem vir a apoiar um deputado do mesmo partido de Arthur Lira, o PP – o preferido do presidente Jair Bolsonaro para a presidência da casa. Isso porque, como era de se esperar, esses partidos cogitam ficar à sombra do atual líder da Câmara, Rodrigo Maia, e apoiar o candidato que ele escolher batizar.

Saiba mais: Chefe de rachadinha em Alagoas, Arthur Lira, é favorito do Planalto na Câmara

Não à toa o próprio Lira se sente à vontade para negociar votos soltos deste bloco e do bloco de Maia, composto por DEM, MDB, PSDB, PSL, Cidadania e PV. A cartada do candidato, que não tem vitória garantida, é ganhar votos mostrando que é mais do que o “candidato de Bolsonaro” e que inclusive defende pautas anti-Lava-Jato.

Seu cálculo parece fazer cair em tentação gente como os deputados do PSB Felipe Carreras (SE) e João Campos (prefeito eleito do Recife), que anunciaram apoio a Lira antes de serem vetados pela presidência do partido. Também parece funcionar com uma ala do PT que cogita abraçar a proposta do governo federal.

Já seria suficientemente digno de rechaço o apoio do PT, PCdoB, PSB e PDT a um candidato do DEM: o mesmo DEM de Rodrigo Maia, maestro articulador dos duros ataques como a Reforma da Previdência e as MPs 927 e 936 de Bolsonaro; o mesmo DEM que foi um dos principais vencedores das eleições municipais de 2020, que mostraram a cara do atual regime político golpista brasileiro; o mesmo DEM que é herdeiro do ARENA da ditadura militar.

Pode te interessar: O triunfo do golpismo institucional e as tarefas da esquerda

Mas o escancaro de que esses partidos da “oposição” nada mais são que partidos burgueses ou de conciliação de classes é o possível apoio ao PP, partido que não só é o próprio ARENA com outro nome, mas que tem na mesma disputa o candidato preferido de Bolsonaro, Arthur Lira, para o qual o presidente da república tem movido mundos e fundos a favor da eleição.

Saiba mais: Bolsonaro faz chantagem com emendas para comprar apoio a Lira para a presidência da Câmara

Enfim: a hipocrisia ou a coerência com o programa, estratégia e histórico de PT, PCdoB, PSB e PDT? Não é a primeira vez nos últimos meses que a “tira-teima” vem à tona para aqueles que insistem em chama-los de “esquerda”.

Nas eleições o próprio PT se coligado com o PSL que elegeu Bolsonaro em 140 cidades. Voltando na linha do tempo lembramos do apoio do PCdoB e do PSB ao próprio Rodrigo Maia, articulador e protagonista do golpe institucional de 2016, à presidência da Câmara.

Como disse Leandro Lanfredi em análise das eleições à presidência do Congresso neste Diário:

“Não será com conciliação nem com escolha de supostos males menores (...) que a luta da classe trabalhadora poderá avançar, mas somente com independência de classe e enfrentando o conjunto do golpismo, tome ele as cores do reacionarismo aberto e abjeto de Bolsonaro ou a forma ‘institucional’ de um Maia, Doria ou Paes.”




Tópicos relacionados

Rodrigo Maia   /    Jair Bolsonaro   /    Câmara dos Deputados   /    Centrão na Câmara   /    Centrão na Câmara   /    Centrão na Câmara   /    Congresso   /    Política

Comentários

Comentar