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Repressão policial | PM recebe mais de 7,5mil armas de choque do Governo de SP

A incorporação do uso de armas de eletrochoque ao aparato repressivo do Estado se soma à contratação de câmeras corporais e a utilização de sprays de pimenta.

segunda-feira 16 de maio | 14:47

A normativa que regulamenta o treinamento, supervisão e utilização de armas de incapacitação neuromuscular pela Polícia Militar de São Paulo foi publicada em abril de 2020. Desde então, 7.500 armas foram adquiridas, das quais 6.875 já foram distribuídas e estão sendo utilizadas. Outras 625 serão entregues neste mês. Até o fim deste ano, serão compradas mais 5.500 armas. Isso fará dela uma das forças policiais com mais armamento dessa natureza em todo o mundo.

Essas armas imobilizam o alvo por meio de um eletrochoque que pode perfurar a roupa de uma pessoa a seis metros de distância. Em média, depois do contato, a emissão do pulso dura cerca de cinco segundos e a carga é de 50 mil volts.

As armas de choque não são um recurso novo para as polícias no Brasil e no exterior. O uso começou a ser ampliado ao longo dos anos 2000 e chegou com mais força aqui há mais de dez anos, quando foi adotado pontualmente por alguns Estados. Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Distrito Federal, as chamadas Tasers já integram o aparato policial.

A farsa de que por trás da utilização desse tipo de arma está a preocupação com as mortes geradas pela polícia, a qual teria como função social "preservar a ordem pública e proteger a vida do cidadão, sem colocar a sua em risco", como afirma o presidente do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), Julio Danilo Souza Ferreira, que mascara a realidade de que a polícia brasileira é uma das mais assassinas do mundo.

A profunda crise social brasileira se expressa brutalmente em São Paulo com milhares de pessoas e famílias inteiras em situação de rua. São, muitas vezes, essas pessoas as vítimas dessas armas não letais, utilizadas cotidianamente como instrumento de repressão e criminalização da pobreza.

Outro grupo diariamente atacado por essas armas é a juventude negra, pobre e trabalhadora que, em em muitos casos, por frequentarem os espaços de lazer no centro da cidade são vítimas de eletrochoques, um arcaico método de tortura. É também essa juventude a mais assassinada pela polícia.

De acordo com um levantamento realizado pela Rede de Observatórios da Segurança em 2020, a cada quatro uma pessoa negra é morta pela polícia no país. Esses dados alarmantes reforçam a realidade do capitalismo brasileiro construído sob sangue negro e nos fazem lembrar dechacinas como a de São Gonçalo e de Jacarezinho, que completou um ano na última semana.

A polícia, braço armado do Estado burguês, tem essa finalidade, é um mecanismo para manter dominação de classe e a superexploração. É preciso lutar para dar um basta às operações policiais, principalmente nas favelas, que assassinam diariamente a juventude negra e tiram o direito de viver e de estudar. Outro elemento que garante esse abuso de repressão é a impunidade dos policiais garantida pelo autoritário STF e ou autos de resistência, que precisam acabar.

A polícia tem o racismo em seu DNA, e a esquerda precisa lutar pelo seu fim. Essa luta só pode se dar contra a burguesia brasileira e suas instituições repressoras, alentadas pelo reacionário governo de extrema direita de Bolsonaro e Mourão. Não se aliando com a mesma, como faz Lula e o PT com Geraldo Alckmin, que comandou a polícia mais assassina em SP durante seu governo.

A estratégia reformista do PT nunca significou uma alternativa real às negras e negros e à classe trabalhadora no Brasil na sua luta contra o racismo e a violência policial. Não esquecemos que foi no governo petista que endureceram as operação policiais e assassinatos no Rio com as UPPs, e que foi nesse mesmo governo que as tropas militares brasileiras foram enviadas para o Haiti para ajudar a saquear, violentar e oprimir o povo negro.

É preciso retomar o legado de luta de Dandara, Zumbi e de todos os negros e negras que lutaram contra todas as formas de exploração e opressão! É vergonhoso que o PSOL tenha se adaptado à política petista e se aliado com Alckmin e Marina Silva, do partido burguês REDE. Esse definitivamente não é o caminho que está ao lado da classe trabalhadora para lutar contra o racismo, a extrema-direita de Bolsonaro e Mourão e esse sistema




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