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Greve sanitária em Betim | PCdoB ataca greve de trabalhadores da educação em Betim-MG e defende prefeitura do milionário Mediolli

Assembleia de trabalhadores da educação estadual de Minas Gerais repudiou os ataques de Medioli e do PCdoB em Betim e chamou a mais ampla solidariedade à greve.

Zuca FalcãoProfessora da rede pública de MG

quarta-feira 18 de agosto | Edição do dia
Trecho da nota/Montagem 

O PCdoB de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, divulgou uma nota em sua página qualificando a greve dos trabalhadores da educação do município como uma “ação oportunista” do SindUTE/MG, sindicato que representa a categoria no município, e que segundo a nota está tendo “uma condução irresponsável de um movimento para impedir o retorno das aulas [presenciais]”.

Na mesma nota, defendeu a Prefeitura de Vittorio Medioli (ex-PSD, atualmente sem partido), prefeito mais rico do país, que reprimiu a greve exonerando diretores eleitos e concursados e intimidando trabalhadores com a Guarda Municipal nas escolas.

Além de desqualificar os trabalhadores da educação e tentar colocar a população contra a legítima greve, o PCdoB ainda afirmou que a administração de Medioli é um “exemplo nas ações de enfrentamento à Covid-19”. Mas a situação do município não é em nada superior à das outras cidades da RMBH em termos de testagem massiva, leitos e vacinação.

O PCdoB fez campanha ativa para a eleição do milionário Vittorio Medioli, em troca de cargos na Prefeitura, e faz parte da atual gestão, tendo a secretária da Educação do município, Marilene Pimenta, do PCdoB, comandado junto a Medioli a repressão aos trabalhadores em greve.

A greve sanitária da educação municipal em Betim foi deflagrada diante da imposição de um retorno inseguro e a falta de vacinação pela prefeitura de Medioli. E os trabalhadores da educação têm se enfrentado com o autoritarismo exercido pelo prefeito, que exonerou diretores de escolas que aderiram à greve, usou a Guarda Municipal para reprimir e ocupar escolas e ameaçou prender diretores. Além de usar o seu próprio jornal para divulgar notícias mentirosas sobre os trabalhadores e sua greve.

Contra essa situação repressiva, os trabalhadores da educação da rede estadual de Minas Gerais aprovaram ontem (17), em assembleia geral, uma moção de repúdio à ação da Prefeitura de Betim e à postura do PCdoB, que reproduzimos a seguir:

“A assembleia de trabalhadores da educação da rede estadual de Minas Gerais repudia veementemente a repressão à greve sanitária em Betim, orquestrada pela Secretaria de Educação comandada por Marilene Pimenta, do PCdoB, a serviço da prefeitura do milionário autoritário Vittorio Medioli, do PSD. Repudiamos também a nota do PCdoB/Betim em apoio à repressão. Chamamos o movimento sindical e a esquerda de todo país a rechaçar a repressão e apoiar a greve.”

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Veja a publicação com a nota do PCdoB, fechada para comentários pelos administradores da página:

O apoio do PCdoB ao empresário Medioli, que conta com um patrimônio declarado ao TSE maior que 350 milhões de reais, fruto da renda como proprietário do grupo SADA e de mídias como O Tempo e Super Notícia, demonstra como se alia com a burguesia e serve a ela. Mas não é uma particularidade de Betim: o PCdoB, junto ao PT e PDT, integraram o bloco de Rodrigo Maia para disputar a presidência da Câmara dos Deputados, se aliando ao bloco que esteve à frente dos principais ataques aos trabalhadores em nome de um suposto combate a Bolsonaro.

O PCdoB – outra vez junto ao PT – também organizou o ato de 1º de maio deste ano com o mesmo Rodrigo Maia e outras figuras de direita como FHC e João Doria, como uma aposta no desgaste de Bolsonaro e visando as eleições de 2022, se colocando contra a possibilidade de organização dos trabalhadores de forma independente da direita e em perspectiva classista.

O Esquerda Diário entrou em contato com Flavia Valle, professora da rede estadual e militante do MRT, que propôs a moção aprovada na assembleia, que teve apoio de 91% na votação, pra que explicasse melhor a atual situação e o sentido da proposta. Ela declarou que:

“Estive em Betim em solidariedade aos trabalhadores da educação em greve sanitária, que lutam contra o retorno inseguro e buscando atender às necessidades de educadores e da comunidade escolar, e a realidade é escandalosa: escolas com pilhas de entulho que a Prefeitura não retirou ao longo de toda pandemia, um protocolo sanitário que expõe os estudantes e profissionais a riscos desnecessários, a falta de vacinação para professores e para a comunidade escolar.

São escolas em greve sanitária e que estão sendo atacadas pela Prefeitura. Uma lama de sujeira de empresários multimilionários, que o PCdoB defende hoje em Betim, numa postura digna de repúdio de trabalhadores. E por isso aprovamos a moção em nossa assembleia de professores e trabalhadores da educação da rede estadual. E que também fizemos o chamado para a mais ampla campanha de solidariedade à greve da educação de Betim.

O PCdoB é o mesmo partido que dirige a CTB, central sindical que dirige sindicatos como o de professores das escolas particulares de Minas Gerais e o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim. O mínimo que qualquer sindicato ligado a esse partido deveria fazer é se somar ao chamado feito pela assembleia de professores de dar solidariedade à greve de Betim e rechaçar a política do PCdoB que serve a Medioli.”




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