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Descaso | Osasco: Reabertura das escolas, mas falta água, gás e professores não tem VT

Professoras e professores da rede municipal de Osasco vem denunciando o processo de reabertura insegura das escolas, a precária infraestrutura para funcionar mesmo sem a pandemia.

terça-feira 14 de setembro | Edição do dia

Créditos: Renato Machado

Publicamos abaixo denuncias enviadas por professoras e professores da rede municipal de Osasco sobre as péssimas condições das escolas e de trabalho dos professores da rede na reabertura das escolas:

Cadê o VT?!

Tanta pressão para o retorno ao presencial trazia, assim, um cheiro de desorganização! Rapidamente anunciaram o adiantamento da 2ª dose da vacina, mas parece que se esqueceram de que voltar ao trabalho presencial envolve se deslocar pela cidade... E, então, cadê o dinheiro do Vale Transporte?????? As tentativas vergonhosas de explicações passaram por: “ah, é que no sistema ainda consta que vocês estão em trabalho remoto”; “estamos atualizando o sistema e o VT deve cair junto com o Vale”; aí adiantaram o Vale para a sexta-feira antes do Dia dos Pais, numa tentativa frustrada de nos acalmar os ânimos, pois nada do VT cair junto. A prefeitura achava mesmo que em meio a essa sindemia e inflação que fura nossos bolsos não ia dar nada nos pressionar a voltar e nem sequer nos pagar o dinheiro para pegar o ônibus, o trem, o metrô?! Última orientação recebida do setor de Vale Transporte na Secretaria da Educação de Osasco foi: “então, professor, não tem previsão, vai dando uma olhadinha na conta todos os dias, deve cair até o fim do mês, geralmente eles pagam às sextas-feiras.” Até a data em que fechamos esse boletim o VT ainda não caiu. Completamos um mês de retorno ao trabalho presencial pagando do nosso bolso uma coisa que é nosso direito!

No interior das escolas... VIXE, ACABOU O GÁS!

Em uma tradicional EMEF do centro da cidade o primeiro dia de aula presencial foi marcado simplesmente pelo fato de que as alunas e os alunos não tiveram merenda. Em vez da alimentação de sempre, com alguma proteína, arroz e feijão, serviram às crianças apenas bolacha e banana. Por que aconteceu esse absurdo? Simplesmente porque não tinha gás na cozinha da escola. Há quanto tempo se sabia que a instalação do gás estava com defeito? Há pelo menos 1 ano. Tempo houve para mexer no cronograma da 2ª dose da nossa vacina, para voltar de forma acelerada à escola, mas parece que não sobrou tempo para garantir a infraestrutura básica no interior das escolas antes de receber as crianças. Muitos dos nossos alunos e alunas, sabemos, têm a escola como, além de alicerce para o estudo e centro de sociabilidade, um local onde as famílias confiam que pelo menos uma refeição de qualidade será oferecida, ainda mais em tempos tão difíceis. E isto bem o sabem os professores desta escola, que encabeçaram diversas campanhas de solidariedade junto às famílias. A desorganização política em meio a pandemia tem feito filhas e filhos órfãos, mães e pais desempregados, e famílias famintas. A prefeitura, na pressa de tantas coisas, promoveu uma volta às aulas presenciais totalmente desorganizada, e no dia 4 de agosto as crianças daquela conceituada escola na região central da cidade voltaram para casa com fome.

LATA D’ÁGUA NA CABEÇA!

Em uma grande EMEIEF da zona sul de Osasco foi planejada uma limpeza da caixa d’água da escola em pleno dia letivo, 20/08, no período da manhã. Sim, toda a comunidade escolar, alunas, alunos, professoras(es) e funcionárias(os) ficaram por cerca de 3 horas sem água corrente no prédio. A água ficou desligada durante o preparo das refeições na cozinha e no momento do lanche das crianças no refeitório. Os alunos e alunas tiveram que higienizar as mãos apenas com álcool gel, enquanto é notoriamente sabido que a única higienização realmente segura é a lavagem das mãos com sabão e água corrente. A situação dos banheiros dá para imaginar, dar descarga com água de baldes, e confia no álcool gel quando terminar. O mais grave: as famílias sequer foram avisadas. Bilhetes com convocação para realização de provas de larga escala nos dias 23 e 24 circularam agilmente, convocando até mesmo as alunas e os alunos cujas famílias optaram por não retornar às aulas presenciais. Mas os recados sobre o dia 20 passaram em branco, nenhum simples aviso de que faltaria água na escola foi enviado para que cada família pudesse ao menos decidir se mandaria seus filhos e filhas naquele dia ou não. Ainda que não estivéssemos lutando contra um vírus mortal! Desligar a água da escola em tempos de pandemia e obrigar professoras(es), funcionárias(os), alunas e alunos a seguirem com as atividades como se nada estivesse acontecendo é um gesto descaradamente criminoso.




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