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RETORNO ESCOLAR INSEGURO | "Os professores não receberam testes", diz professores de escola com caso confirmado em Campinas

Diante do retorno escolar inseguro, imposto por Doria e seu secretário Rossieli, e de todo negacionismo do governo Bolsonaro que aprofunda a crise sanitária, casos de contaminação nas escolas começaram a se expressar com força, sobretudo na cidade de Campinas. Nós do Esquerda Diário, que apoiamos a greve que os professores de SP estão fazendo contra o retorno inseguro, entrevistamos professores de uma das escolas públicas com casos confirmados em Campinas e que são parte da Ação Comunitária - Professores do Eduardo Barnabé e outras escolas da região do Ouro Verde.

quarta-feira 10 de fevereiro | Edição do dia

ED) Quais são as condições da sua escola? Você acredita que ela possuí condições sanitárias e de ensino para o retorno com estudantes na próxima semana?

Professores: Criamos uma Comissão Interna para avaliarmos as condições de retorno e presencial e constatamos que as medidas de segurança são insuficientes, pois a própria estrutura dos prédios inviabiliza o controle sobre os espaços que serão frequentados. Além do fato de serem mal ventilados, os corredores e salas colocam professores, alunos e demais funcionários numa situação de vulnerabilidade, ainda que o número de alunos que irão frequentar presencialmente a escola seja limitado a 35% dos alunos. Veja que a contaminação da coordenadora de escola Eduardo Barnabé evidencia essa limitação, uma vez que os demais gestores terão que realizar testes por não terem respeitado protocolos como o distanciamento de 1,5, o que evidencia a insegurança estrutural dos prédios escolares. Em tais condições, uso de máscaras, face shield e álcool gel, apesar de importantes, tornam-se são limitados.

ED) Após a confirmação de casos positivos em sua escola, todos entraram em isolamento? A Diretoria de Ensino garantiu testes a todos trabalhadores da educação para um retorno seguro?

Professores: Apenas os gestares que tiveram contato com direto com a coordenadora infectada foram afastados. Os professores que se reuniram presencialmente com os gestares afastados não receberam testes, aliás, não foram contactados pela Diretoria de Ensino para esclarecimentos e orientações sobre o retorno presencial e suas condições, que se limitou a realizar uma reunião com a direção da escola.

ED) Qual é a sua opinião sobre o retorno nesse momento e a vacinação dos trabalhadores da educação?

Professores: A comunidade escolar deve questionar as condições de retorno das aulas presenciais e exigir do governo paulista investimentos para que o ensino remoto possa ser de fato eficiente. A ênfase no retorno presencial tem por resultado a naturalização da ideia de que a massa da população não poderá ser testada e vacinada, arrefecendo a luta pela universalização da vacina. Assim, o esforço realizado pelo Instituto Butantã para o desenvolvimento da CoronaVac acaba se perdendo, instrumentalizado pelos interesses políticos do governador de São Paulo. Caso fosse prioridade o combate à pandemia, qualquer gestor público minimamente sensato retomaria aulas presenciais às vésperas do carnaval, ao mesmo tempo em que flexibiliza as regras do comércio? Isso no momento que contabilizamos mais de 53 mil mortes no Estado, número muito acima dos 1.209 mortos de países como a Venezuela, ou dos 220 casos cubanos. Sem falar da China, país parceiro do Instituto Butantã no desenvolvimento da vacina, que mesmo com bilhões de pessoas a mais do que a população paulista, contabiliza 4.636 mortos. Como podemos ver, com tais números, Dória e Rossieli não se credenciam como lideranças da comunidade escolar no contexto da pandemia, o que exige a nossa resistência ativa para que mais vidas não sejam ceifadas.




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