ELEIÇÕES 2020

Organizemos a luta das mulheres em Porto Alegre contra o machismo, os golpistas e o capitalismo

Valéria Muller, candidata por filiação democrática no PSOL e militante do MRT, declarou ao Esquerda Diário seu relato sobre a pesquisa do ibope e o rechaço que Bolsonaro tem das mulheres porto-alegrenses

sábado 10 de outubro| Edição do dia

"Segundo a pesquisa do Ibope 50% dos porto-alegrenses consideram o governo Bolsonaro péssimo ou ruim. Entre nós, mulheres, o rechaço é ainda maior: 56% acham péssimo ou ruim. Em todas as panfletagens foi possível ver a reprovação das mulheres a esse governo de extrema direita e a Marchezan. Assim como Fortunati, Melo, Nagelstein e toda a direita local, são inimigos das mulheres e da classe trabalhadora. Nós somos as mais afetadas pelo desemprego, pelos ataques aos serviços públicos, como o teto de gastos, e pela precarização e terceirização do trabalho, que tem rosto de mulher negra e afeta as que estão na linha de frente durante a pandemia, como nos hospitais, serviços de limpeza, cuidado de idosos e tantos outros. Também as reformas da previdência, trabalhista e as MPs da fome de Bolsonaro, Mourão, Guedes e dos golpistas do Congresso e do STF nos atacam ainda mais. Com a pandemia o trabalho doméstico é redobrado, além de ser, como sempre, não remunerado e infinito porque as tarefas de casa, a responsabilidade com os filhos, com os idosos e com os familiares doentes não dão intervalo. Crescem ainda os índices de feminicídio enquanto a pobreza e a fome são ameaças constantes, sobretudo com o corte do auxílio emergencial que Bolsonaro está impondo. Isso no país onde o bolsonarismo fundamentalista atacou uma menina de 10 anos, que engravidou após ser sistematicamente estuprada por um familiar e tentava realizar um aborto que, nestes casos, é legalizado e era a única de garantir a vida e a saúde dessa criança.

Contra as mentiras dos políticos capitalistas que fazem demagogia com a questão de gênero, é preciso dizer a verdade: Organizar nossa força e nossa indignação, particularmente de nós mulheres trabalhadoras e jovens, para enfrentar na luta tudo isso é o único caminho pra resolver os problemas mais profundos das nossas vidas. Precisamos lutar por um plano de emergência contra a violência doméstica que inclua a abertura de casas abrigo para vítimas da violência machista, espaços controlados pelas mulheres trabalhadoras e financiados com recursos da taxação dos milionários, do não pagamento da dívida pública, da cobrança e expropriação dos sonegadores. É preciso lutar pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito e também pelo direito à maternidade plena, ambos negados pelo Estado capitalista e patriarcal. É necessário a divisão das horas de trabalho entre todas e todos disponíveis para trabalhar, a redução da jornada sem redução salarial e um plano de obras públicas sob controle de trabalhadores para enfrentar o desemprego, assim como a manutenção do auxilio emergencial e seu aumento para R$2 mil, renda média da classe trabalhadora antes da pandemia.
Pra impor isso é preciso nos enfrentarmos com o regime político do golpe institucional que desde 2016 vem descarregando a crise nas costas das mulheres trabalhadoras, sobretudo as negras. O caminho para enfrentar o machismo estrutural da sociedade capitalista não passa por se coligar com a direita e a bancada evangélica para administrar esse sistema decadente, como fazem o PCdoB de Manuela D’Ávila e o PT.

Por isso construímos uma campanha que sirva para fortalecer a luta da classe trabalhadora, das mulheres, da juventude, contra o patriarcado e o capitalismo, por uma alternativa política que combata todas as instituições golpistas que são nossos inimigos. Precisamos nos organizar e lutar pra impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que coloque nas mãos das mulheres, da classe trabalhadora e de todo o povo as principais decisões do país. No marco dos embates concretos decorrentes disso veremos que a realização plena das nossas demandas só se dará com um governo de trabalhadores que rompa com o capitalismo e abra espaço para acabar, de fato, com a opressão machista. O patriarcado e a burguesia não vão cair sozinhos, teremos, nós, que derrubá-los."




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