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Orçamento 2022 | Orçamento de Bolsonaro beneficia centrão e agronegócio! Que os capitalistas paguem pela crise

Bolsonaro sancionou nesta segunda (24) o Orçamento 2022, beneficiando escancaradamente e sem vergonha o centrão e o agronegócio. É urgente que a classe trabalhadora, as mulheres, os povos originários, os negros, as LGBTQIA+ e o povo pobre unificados lutemos para que os capitalistas paguem pela crise.

terça-feira 25 de janeiro | Edição do dia

Foto: Isac Nóbrega/PR

No Orçamento da União para 2022, Bolsonaro manteve o valor de R$4,9 bilhões para o fundo eleitoral, o chamado fundão. Ele também manteve a previsão irrisória de R$1,7 bilhão para reajuste a servidores. Não foi especificado quais categorias receberão reajustes salariais, mas Bolsonaro já afirmou publicamente que esse reajuste é para policiais federais e funcionários do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), escancarando suas prioridades.

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É uma nítida contraposição de beneficiamento dos políticos em detrimento dos salários e renda dos trabalhadores, porque o fundo eleitoral, muito maior que a previsão de reajuste, é destinado aos partidos para financiarem a campanha política das eleições deste ano. Inicialmente, o valor seria de R$2,1 bilhões, mas durante a aprovação do Orçamento no Congresso, subiu para R$4,9 bilhões. Parlamentares queriam R$5,7 bilhões, inclusive bancadas que se colocam como oposição ao governo de extrema-direita, com partidos da direita e até mesmo o PT.

Outro valor que chama a atenção para o beneficiamento dos políticos, especialmente do centrão, é o reservado absurdo para as emendas de relator: R$16,5 bilhões. As emendas de relator são emendas parlamentares pagas pelo governo a deputados e senadores. Nesse caso, cabe ao relator do Orçamento no Congresso decidir quais parlamentares receberão os repasses. Esse é o chamado "orçamento secreto".

Em termos de cortes, Bolsonaro cortou R$3,18 bilhões que eram previstos para despesas dos ministérios, incluso o Ministério do Trabalho. Essa medida combina bastante com a proposta do presidente de aprofundar a reforma trabalhista, em que entrariam aspectos absurdos como a revisão da proibição dos locautes para atrelar a organização sindical às empresas e trabalhos aos domingos com folgas a cada 7 semanas.

Bolsonaro cortou também R$8,6 milhões para o combate e controle do desmatamento nesse Orçamento. A maior parte do corte foi especificamente no orçamento do Ibama. Tudo para favorecer o agronegócio, os fazendeiros, os coronéis.

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Esse é o cenário do orçamento, enquanto a inflação está mais de 10% e o salário mínimo de R$1212. Enquanto enfrentamos a fila do osso e o povo pobre sai à procura de comida nos lixões.

Contra Bolsonaro, Mourão, agronegócio e a direita, é urgente que os sindicatos coloquem de pé uma campanha nacional pelo reajuste salarial mensal igual à inflação e que exija um grande plano de obras públicas para geração de empregos para todos, com divisão das horas de trabalho, sem redução do salário. E que a classe trabalhadora, organizada e unificada aos setores oprimidos, à juventude e ao povo pobre, dê uma resposta para que sejam os capitalistas a pagarem por essa crise.

Essa força unificada que pode dar uma resposta. Isso porque vemos que Lula e o PT já chegaram a cogitar a revisão de ataques, como a reforma trabalhista, ainda que tenha retrocedido para não balançar a aliança com Alckmin e o mercado financeiro, pautada no modelo espanhol que perpetua precarização e terceirização. Assim como vemos que os governadores do Nordeste que são do PT passaram ataques, como a aprovação da Reforma da Previdência em todos os estados que governam, e, no caso específico do Piauí, Wellington Dias cortou verbas da UESPI.

Confira: Pela revogação integral da reforma trabalhista e de todas as reformas

É necessário dizer também que a CUT, CTB e UNE, centrais sindicais e entidade estudantil nacional dirigidas por PT e PCdoB, devem organizar assembleias em cada local de estudo e trabalho, para que trabalhadores e estudantes possam se articular para lutar pelos seus direitos. Não podemos mais ficar reféns de uma política meramente eleitoralista, como se expressou com o cancelamento dos atos no fim do ano passado, e que se reúne com Alckmin, que roubou merenda das escolas e reprimiu trabalhadores com força policial em São Paulo.

Por isso colocamos para debate que é preciso que seja imposta pela luta da classe trabalhadora, dos setores oprimidos e do povo pobre, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Para que sejamos nós a decidir os rumos do país, em que possamos pautar o não pagamento da dívida pública, que beneficia os banqueiros, e o fim dos privilégios dos políticos. Porque enquanto eles estão com bilhões nas mãos, nós estamos perecendo com a inflação. De forma independente de qualquer setor desse regime podre, de Bolsonaro, centrão a Alckmin e Doria, que estão juntos no Orçamento, façamos essa experiência para avançar rumo a um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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