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VALE MINAS GERAIS MORTE DE OPERÁRIO

Operário morre soterrado em área de atuação da Vale

Opérário morre por soterramento em local de atuação da Vale.Mesmo local no qual em 2019 ocorreu o desastre de Brumadinho.

sábado 19 de dezembro de 2020| Edição do dia

Imagem: O Estado de Minas

Na sexta-feira (18 de Dezembro de 2020) um operário acabou morrendo soterrado na região metropolitana de Minas Gerais. Segundo informações do portal G1 o local que ocorreu o desabamento é na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, mesmo local no qual houve o rompimento da barragem que matou 270 pessoas em Janeiro de 2019.

Veja mais: Especial Brumadinho no Esquerda Diário.

As informações obtidas pelo G1 apontam que o soterramento ocorreu durante o período da tarde, próximo a uma área em que bombeiros estavam procurando ainda corpos do rompimento da barragem de Brumadinho. A vítima era um operário terceirizado que prestava serviços à Vale.

Segundo informações divulgadas no jornal O Estado de Minas, a Vale se posicionou num tom de “lamentação” e de “suporte” à família do operário:

"A Vale lamenta profundamente o falecimento de um empregado da empresa contratada Vale Verde na tarde desta sexta-feira (18/12) na mina Córrego do Feijão e se solidariza com seus familiares e colegas de trabalho. O trabalhador estava em uma escavadeira e realizava atividades de manutenção quando foi atingido por um deslizamento de terra de talude da cava paralisada.

A Vale, juntamente com a empresa contratada, dará apoio aos familiares do empregado. As empresas estão apoiando as autoridades no atendimento ao caso e na apuração das causas do acidente. As atividades de manutenção no local serão suspensas para novos estudos e avaliações das condições de segurança."

Embora o posicionamento em nota de uma impressão de preocupação, sabemos que em termos de política de marketing e de valorização da imagem da empresa, tal ato é apenas uma tática de manutenção do valor da empresa no mercado. Esse caso apenas reforça uma prática assassina e negligente para com os trabalhadores da mineradora, sem contar com o terrível assassinato de Brumadinho, no qual até hoje de procuram por pessoas desaparecidas, o que causa dor e sofrimento para os familiares das pessoas que morrem.

É bastante típico do mundo empresarial, especialmente de empresas que lidam com a exploração de recursos naturais, se falar em “internalização das externalidades”, ou seja, procurar de alguma forma prover de forma “positiva” os impactos que a atividade causa no meio ambiente numa falácia de “desenvolvimento sustentável”. Contudo, sabemos que para tais empresas, a vida desses trabalhadores não possui nenhum valor, e que é mais fácil pagar uma indenização pela morte de um operário, quando comparado aos lucros exorbitantes que essas empresas conseguem com a exploração do trabalho e dos recursos naturais em países como Brasil.

Veja mais: A insustentabilidade do "desenvolvimento sustentável"

Apenas para termos uma noção da hipocrisia e cinismo da Vale, segundo matéria do Estado de São Paulo, o Lucro da empresa cresceu 76% e chega a US$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre. O que seria esse valor quando comparado a indenizações às famílias dos operários mortos em Brumadinho, ou desse operário morto por soterramento ? Implica que dentro da lógica capitalista, é mais fácil substituir a força de trabalho por outra, sem haver nenhum tipo de atenção para com a vida e bem estar, pois a lógica de empresas como a Vale, é o lucro acima das vidas.




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