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Desmentindo Bolsonaro e a mídia | O verdadeiro motivo dos combustíveis estarem tão caros

O preço dos combustíveis está ridículo. Um botijão de gás sai por R$105 em várias cidades. O litro da gasolina comum está a R$7 em muitos postos. A Globo faz uma materiazinha a cada dia mostrando como está tudo caro mas não se propõe a explicar o motivo da alta. Bolsonaro culpa os governadores. Mas qual é a causa verdadeira? Mostraremos aqui a verdade e porque tanto Bolsonaro como a Globo escondem dos trabalhadores o verdadeiro motivo: as privatizações.

Leandro LanfrediRio de Janeiro | @leandrolanfrdi

terça-feira 31 de agosto | Edição do dia

O custo de vida está cada vez mais alto no país. A energia elétrica está mais cara, os alimentos estão mais caros e os combustíveis não param de subir. A inflação significa um roubo do bolso do trabalhador, nossos salários nunca alcançam o aumento do custo de vida, e os milionários e bilionários vão se enriquecendo mais e mais.

Os combustíveis são uma parte essencial da inflação, devido a crise hídrica o país está usando mais e mais as usinas termelétricas movidas à gás e a diesel, quase toda a produção de alimentos do país depende do transporte rodoviário – ou seja de diesel – para chegar nos supermercados. O preço da gasolina e do diesel vão embutidos nos custos do trabalhador para chegar no seu trabalho, de ônibus, de carro próprio, de Uber. Tudo aumenta, principalmente o lucro das grandes empresas.

Com o aumento do custo do combustível, a cada dia, mais e mais motoristas abandonam o trabalho precário como Uber. Nem mesmo dirigindo 14 ou 16hs por dia conseguem uma quantia que pague o combustível e ao mesmo tempo pague o aluguel e alimentação de sua família. A cada dia mais uma família tenta improvisar o que comer (osso, pelanca) e com o que cozinhar (lenha, álcool, querosone). A inflação oficial do INPC, que mede parcialmente o custo está em 10% em 12 meses, o IGPM que reajusta alugueis está em mais de 30%, porém o salário mínimo vai ser reajustado em somente 6,27%.

E a gasolina, o gás de cozinha são parte importante desse roubo diário a nosso bolso.

Segundo a Petrobras o custo da gasolina é dividido do seguinte modo:


retirado do seguinte site da empresa: https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/precos-de-venda-de-combustiveis/

11,5% do preço são impostos federais (CIDE, PIS/PASEP e COFINS), 27,6% impostos estaduais (ICMS) e todo o restante são custos e lucros da Petrobras, dos produtores de álcool e das distribuidoras.

Bolsonaro desafia governadores a baixarem os impostos se ela baixar, mas isso é pura demagogia, os governos estaduais quebrariam, abrindo mão de sua principal arrecadação (diferente do governo federal que cobra imposto de “renda” de qualquer trabalhador que ganhe mais que R$1903). Mas suponhamos que os governadores cortassem os mesmos 11,5%, do governo federal, teríamos uma redução de 23%. Quanto tempo ela duraria?

Quase nada porque o seu salário é em real mas a gasolina tem o preço em dólar. Supondo que nem a Petrobras, nem o produtor de etanol nem o dono do posto, ninguém aumente sua margem de lucro para “se dar bem”, bastaria o petróleo se valorizar 11,5% e o dólar também e a redução de imposto sumiria na bomba. O dólar oficial está hoje (31/08) em R$5,15 e o petróleo Brent em US$ 72,96 por barril. Se uma nova guerra imperialista dos EUA no Oriente Médio afetar a produção, ou um novo furacão na Luisiânia acontecerem o petróleo só precisaria chegar a US$ 81,35 e o dólar a R$5,74 para sumir a isenção.

A situação é pior ainda no Diesel e no gás de cozinha.

No Diesel o imposto federal é de somente 6,9% e o estadual de 15,9%, todo restante é lucro para os acionistas da Petrobras, dos postos, e do agronegócio que produz o Biodiesel.


fonte supracitada, mesma utilizada no GLP a seguir

Seguindo o mesmo exemplo uma pequena valorização do petróleo de 6,9% e do dólar na mesma proporção e o que Bolsonaro fala iria pelos ares. Bastaria o petróleo chegar a US$77,99 e o dólar R$5,51.

No gás de cozinha a distribuição é a seguinte:

O imposto federal já é zerado e mesmo assim o botijão está a R$105, pelos custos (e lucros) dos acionistas da Petrobras e pelos lucros das distribuidoras que representam 37% do preço final que você paga.

Privatizar não resolve, a privatização é o motivo desse preço abusivo

Se alguém acreditar em Papai Noel, na Globo, Guedes ou Bolsonaro a solução seria privatizar. Mas, pelo contrário, a privatização é o motivo desse preço. Vejamos.

O Brasil é autossuficiente em petróleo. Produz muito mais que precisaria para se abastecer. A Petrobras produz seu petróleo a poucos dólares e exporta ou vende para ela mesma ao preço internacional – em dólar, aí ela paga salários em real e vende para a distruidoras com o preço em dólar.

Isso fica muito claro no próprio demonstrativo do balanço da empresa no segundo trimestre desse ano: As despesas operacionais com equipamentos e salários não representam nem um décimo do valor do que ela vende:

Para piorar, segundo o mesmo demonstrativo, ela só utiliza 75% da capacidade de refino, para importar mais, gerando lucro para gigantes imperialistas.

A parcela do “Custo Petrobras” que é esse lucro fabuloso 33,6% da gasolina, 52,4% do diesel e 48,2% do custo do gás de cozinha. Aí está a maior parte do custo, muito mais que no imposto. E isso não é custo, chamam de custo mas é lucro, pois, como vimos as despesas em um trimestre foram de R$10,1 bilhões e as vendas de R$110,7 bilhões. Ou seja uma Petrobras com lucro zero, administrada pelos trabalhadores, poderia cortar sua parte do preço em 9 décimos, isso significaria uma redução da gasolina em 30,24%, 47,16% no diesel e 43,38%.

Traduzindo esses números o litro de gasolina de R$7 passaria para R$4,88 o botijão de R$105 para R$59,45.

E porque esses lucros tão absurdos? Para privatizar. Todo trabalhador brasileiro paga a conta.

Como privatizam a Petrobras e ficam com tamanho lucro?

Existem dois mecanismos principais de como estão abocanhando esse lucro. O primeiro é a privatização direta. Graças a decisão do STF, aplaudida pela Globo e pelo Congresso, os militares indicados por Bolsonaro e Guedes, que controlam a Petrobras criam subsidiárias “fake” e vendem fatia a fatia da empresa por preços irrisórios em reuniões secretas sem sequer passar por licitação e pregões públicos. Se não fosse o aval do STF, dos militares, da Globo não há dúvida que isso se chamaria pelo seu nome verdadeiro: corrupção.

A refinaria da Bahia foi vendida a um preço 50% abaixo do que a BOVESPA previa, houve plataformas vendidas ao preço de 1 dia (!!!) de sua produção.

Outro mecanismo menos conhecido da privatização é a venda das ações. Os donos das ações ficam com o lucro. E quem é o dono das ações? Há dois tipos de ações as ordinárias que dão maior poder de voto e as preferenciais que recebem maior parte dos lucros. Nas ordinárias o governo brasileiro tem 50,5% mas nas preferencias que levam o lucro ele tem só 18,48%. Ou seja o governo controla a empresa para remunerar os acionistas privados – bilionários em sua maior parte. E, segundo o site da própria Petrobras, pelo menos 44,8% são investidores estrangeiros.

Esse lucro espetacular serve para enriquecer é Wall Street, e ele saí do seu bolso e das riquezas de nosso subsolo.

A privatização também enriquece o agronegócio e o trabalhador que paga a conta
Se voltarmos aos gráficos dos custos da gasolina, do diesel, do gás de cozinha apresentados no começo do artigo vemos que uma parcela grande do preço vem do preço do etanol, do biocombustível e da revenda. Aí também entra a privatização. A Petrobras era a segunda maior produtora nacional de biocombustíveis mas resolveu vender tudo (a preço de banana é claro) para que o agronegócio e a Shell (Raízen) abocanhem esse mercado. Na distribuição a mesma coisa, a estatal BR Distribuidora que era maior empresa de distribuição também foi vendida, no gás de cozinha as participações nas empresas também estão sendo vendidas.

A privatização rouba o país, rouba cada trabalhador

A privatização representa o principal motivo de porque os combustíveis não param de subir. A privatização não começou com Bolsonaro e os militares, começou com os tucanos e continuou acontecendo nos governos do PT, mas ela aumentou muito desde o golpe em 2016 e principalmente com Bolsonaro que gosta de bater continência para a bandeira americana.

A Petrobras é a maior empresa do país e é também um símbolo do país a luta contra a privatização dessa empresa, da Eletrobrás, dos Correios, e tantas outras empresas precisa virar uma luta de toda a classe trabalhadora. A privatização arranca essas riquezas do país e enriquece Wall Street e seus amigos aqui (de farda ou gravata). A conta é paga pelos trabalhadores, da empresa que cada dia são submetidos a um trabalho mais arriscado com menos gente para assim aumentar o lucro e por cada brasileiro quando vai abastecer seu carro, sua cozinha de um bujão. Para que a luta contra a privatização seja de toda classe trabalhadora é preciso que primeiro os petroleiros se unam, superem a divisão que seus principais sindicatos realizam, fazendo cada unidade lutar separada da outra quando há um rolo compressor passando no país todo. Aí com sua unidade seria mais fácil exigir que grandes centrais sindicais como CUT, CTB apoiem ativamente uma luta que interessaria a cada trabalhador brasileiro.

Essa é a perspectiva do Esquerda Diário e nesse longo, porém resumido texto, buscamos mostrar porque aumentam os preços dos combustíveis, porque todo trabalhador deveria se opor à privatização, mas também fica claro como a Petrobras se fosse administrada pelos trabalhadores e não por generais ou gerentes indicados políticos poderia colocar esses imensos recursos a serviço de toda a população trabalhadora brasileira.




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