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O que ocorreu no último Conselho Geral virtual do CPERS do dia 9 de abril de 2021?

Uma reunião tumultuada, comissão eleitoral atropelada, denúncias de inscrições ignoradas, diversos pedidos de questão de ordem, microfones cortados e por fim retirada de quórum da oposição e encaminhamento de uma votação covarde de acordo com os interesses da cúpula da direção central sob comando do PT e PCdoB.

domingo 11 de abril| Edição do dia

Imagem: divulgação cpers

Em primeiro lugar o controle da direção central do CPERS (PT, PCdoB, PDT, PP) impede que o Conselho Geral tire medidas para organizar a categoria contra o governo (Bolsonaro/Leite/Melo) que está levando a categoria e as comunidades à mortes e à miséria. A direção faz uma porção de manobras burocráticas para impedir a realização de uma assembleia geral. O que ocorreu nessa reunião já ocorria no presencial e principalmente nas assembleias onde era negado o direito de fala para a base. Em 2015 seguranças privados contratados pela direção central, que encerrou a greve burocraticamente, agrediram a categoria no Pepsi on Stage. Só para citar um exemplo que não pode ser esquecido.

Enquanto isso já são mais de 60 professores mortos no próprio memorial do site do sindicato e Eduardo Leite avança nos ataques e nas privatizações para seguir descarregando a crise sobre as costas da nossa classe. A bandeira preta de Leite está levando muitos trabalhadores a um cenário de miséria ao não garantir empregos e quarentenas remuneradas também, muitos são pais e mães de nossos alunos.

Neste contexto a direção central do CPERS quer marcar às pressas as eleições para garantir seus próprios interesses. Realizar o processo no final de maio, sem um regimento construído pela comissão eleitoral até o presente momento, o que leva a uma disputa bastante desigual e injusta já que as outras chapas não possuem os mesmos recursos para a campanha. Estamos sob ameaça de retorno presencial inseguro em meio a pandemia, sob ameaça de demissão de contratados com comorbidades, e sem comorbidades também, como já vem ocorrendo, sob ameaça da reforma administrativa acabar com a estabilidade dos nomeados, sem novas matriculas de EJA. Em meio a tudo isso não mobilizar e não chamar uma assembleia geral, não partir para uma campanha forte contra Eduardo Leite, não mobilizar inclusive as comunidades escolares e buscar um debate franco com cada pai e mãe de aluno, não organizar desde a base em cada escola meios de deliberação da própria comunidade escolar para que democraticamente sejam os trabalhadores que decidam em que condições e quando deve se dar o retorno presencial. Não fazer tudo isso, que um sindicato como o CPERS tem todas as condições e recursos para fazer, é facilitar o caminho para “a boiada passar" sem resistência.

Helenir conduzindo a reunião do último conselho geral, como foi possível constatar em áudios vazados, dizia que não tinha acesso aos inscritos, culpando um funcionário que recebia as inscrições, ignorava e não acolhia nenhuma crítica ao modo de conduzir a reunião e deu sequência às votações para marcar a data das eleições sindicais mesmo depois do presidente da comissão eleitoral alegar que esta não teve tempo suficiente para preparar um regimento devido a complexidade dos debates. Deu prosseguimento às votações mesmo depois de quase toda a oposição se retirar da reunião indignada pela condução anti-democrática e rasteira.

Lastimável, mas para além e superando esses mecanismos burocráticos, é preciso apresentar alternativas concretas, um papel que poderia ser cumprido pela oposição, que nesse processo deveria se unificar em torno de um programa para que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Ao menos nos núcleos dirigidos pela oposição, poderiam dar o exemplo e fazer aquilo que a direção central não faz. Seria uma proposição audaz e de coragem: mobilizar a base e as comunidades em assembleias virtuais e/ou onde for possível manter todos os protocolos de segurança nas próprias escolas, em cada escola, para que a decisão sobre quando e como o retorno é possível esteja nas nossas mãos e não nas mãos da secretária de educação ou de Eduardo Leite.

É preciso ganhar os pais, mães e responsáveis pelos alunos para nosso lado, nos organizando pela base antes de mais nada. Unificar com as comunidades escolares para exigir medidas efetivas de combate à pandemia é talvez a única saída, inclusive para superar as burocracias sindicais. Nós temos um plano emergencial para a crise muito diferente da do governador e queremos apresentar esse plano, pois apenas a nossa classe é capaz de nos tirar desse quadro de colapso da saúde, mortes, desemprego e tantos ataques. Em primeiro lugar exigir que se proíbam as demissões e se garanta quarentenas remuneradas para os trabalhadores não essenciais, exigir testagem massiva da população para mapeamento dos infectados e organizar um isolamento racional, conversão das indústrias para produção de tudo o que os trabalhadores da linha de frente precisam nesse momento, e, sobretudo quebra das patentes sobre as vacinas e uma verdadeira vacinação em massa da população.




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