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Fora Talibã e o Imperialismo! | O que está acontecendo no Afeganistão?

Entenda a catastrófica situação no Afeganistão

terça-feira 17 de agosto | Edição do dia

A ofensiva do Talibã já vem de dois meses, com a aceleração da retirada dos Estados Unidos do Afeganistão, após 20 anos de ofensiva imperialista. O debate sobre a saída ou não do imperialismo estadunidense acontece desde o estouro da crise econômica de 2008, invasão sustentada tanto por Republicanos como pelos Democratas.

Trata-se de uma derrota que aprofunda o relativo declínio da hegemonia do império americano, o fracasso de sua política de intervenção militar, da mudança de regime e da propaganda (e imposição) do século norte-americano.

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Originalmente armados e financiados pelos EUA para se oporem à então República Democrática Afegã, alinhada ao bloco soviético, e fortalecidos durante a guerra civil e invasão soviética, durante à qual receberam, junto com a Al-Qaeda, apoio norte-americano, o grupo fundamentalista posteriormente se voltaria contra seus aliados de oportunidade no ocidente.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center seriam centrais para os EUA lançarem sua ofensiva militar contra a região, buscando reestabelecer seu controle político e fortalecer sua hegemonia. Após mais de duas décadas de invasão, essa política mostrou seu fracasso, abandonando o país nas mãos do grupo reacionário.

Veja declaração de Letícia Parks:

A nível internacional, os talibãs chegaram a acordos com potências regionais durante a realização de sua ofensiva. Entre eles, o Irã, Paquistão, China e Rússia. Todos estes países têm uma preocupação central com os grupos islâmicos insurgentes nas fronteiras com o Afeganistão e em evitar uma crise de refugiados.

A China surge como a potência mais bem posicionada neste cenário. Se reuniu com o Talibã em julho passado e disse que reconheceria um possível governo seu, se eles conseguissem tomar o poder em Cabul.

Faz isso em um momento no qual busca se apoiar no grupo reacionário para estabilizar seu próprio território, em especial buscando o controle da população Uyghur, sendo uma das condições do acordo com o Talibã este não apoiar "organizações extremistas" no território ou províncias chinesas, especialmente em Xinjiang, onde a minoria mulçumana é sistematicamente perseguida e encarcerada.

Para a China, um cenário de estabilidade com o Talibã no poder seria positivo do ponto de vista de ganhar um aliado para um de seus grandes projetos da "Nova Rota da Seda".

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Tal cenário é bastante incerto e setores populares temem a violência do reacionarismo fundamentalista do Talibã. O grupo já esteve no poder do país até 2001, período durante o qual a presença de mulheres em centros educacionais e escritórios era proibida. Homens não poderiam escolher seus cortes de cabelo, e de barba e, evidentemente, a perseguição religiosa era a norma. A intervenção dos EUA contra seus antigos aliados criou terreno fértil para levar ao governo o mesmo fanatismo islâmico burguês, reacionário e misógino que havia se proposto remover em 2001.

A situação afegã já coloca desafios imensos ao movimento operário e à classe trabalhadora em geral, mas especialmente nos países imperialista, onde os discursos reacionários poderão ter um fortalecimento. Agora é mais do que nunca o momento de nos opormos ao imperialismo e às intervenções militares.

A solidariedade total para com os refugiados e todas as vítimas das bombas imperialistas e do Talibã será fundamental, a começar pela abertura das fronteiras e pelo acolhimento digno de todos aqueles que desejam refugiar-se em solo europeu.

No Afeganistão, bem como em tantos países e regiões vitimadas pelas infindáveis intervenções imperialistas e nos quais a classe trabalhadora é oprimida e massacrada por movimentos reacionários, se faz mais importante do que nunca a auto-organização da classe trabalhadora para lutar por um programa revolucionário, que se oponha à pilhagem imperialista e, ao mesmo tempo, que aponte para a emancipação das e dos trabalhadores e a construção de um governo operário que resolva os problemas estruturais do país e da região.




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