Opinião

MÍDIA

O poderio da comunicação de massa

Um debate sobre o papel e a influência das mídias de massa.

Felipe Augusto Ferreira Feijão

Estudante de Filosofia da Faculdade Católica de Fortaleza

segunda-feira 6 de fevereiro de 2017| Edição do dia

A toda hora e a qualquer momento, os meios de comunicação de massa cercam milhares de indivíduos que atentos se entretém em frente da televisão ou na escuta do rádio. Isso denota que esses veículos são mantidos e patrocinados por interesses desde comerciais até governamentais. Marilena Chaui em “Simulacro e poder” considera o exercício do poder através dos meios de comunicação em dois aspectos, a saber, econômico e ideológico.

Já na Dialética do Esclarecimento em 1947, Adorno e Horkheimer, definiram o termo “indústria cultural” como a transformação da cultura em mercadoria e o seu uso pela classe dominante com a finalidade de construir ideologias e controlar a sociedade. Sendo assim, os meios de comunicação são uma indústria cultural, uma vez que no Brasil as concessões estatais de rádio e de televisão são feitas a empresas privadas. Aqui se encontram as duas vertentes assinaladas, a econômica (classe dominante) e a ideológica (controle da sociedade).

Ora, por vezes de forma despercebida propagandas são consumidas e sem dúvida incitam o público-alvo a prática consumista e a aceitação de condicionamentos conjunturais. E o imenso alcance da mídia que estrutura o poder da veiculação proposital, gesta na sociedade entretida e inocente, indivíduos que terão seu pensamento e sua ação pautada no que tão somente veem na televisão ou escutam no rádio. Isso significa dizer que o poderio de determinado interesse regido pelos imperativos do capital, dita as regras do jogo.

Vale ressaltar que não há visibilidade transparente na regra desse jogo. O processo não é feito para ser percebido. Ou seja, como afirma Chaui: “as representações ou imagens que constituem a ideologia aparecem desprovidas de localização, embora estejam precisamente localizadas nos centros emissores da comunicação”[1].

A articulação motivacional dessa representação indireta repousa nos bastidores da cena dos meios de comunicação. No entanto, o compromisso em transmitir a mensagem com fidelidade ao propósito então empreitado sobressai, porque o objetivo precisa contemplar o auge do espetáculo. Em tempos de uma aparente desinformação sistemática como fala Manfredo Oliveira, ou seja, de uma informação seletiva que descamba em desinformação, o poder midiático se torna apurado e ainda mais relevante e influente.

Saber que isso acontece e tirar a venda dos olhos perante tal realidade preocupante é necessário ainda que a complexidade circunstancial desses elementos seja de alto nível. Daí o desenvolvimento da obviedade dos fatos e da vigência legal da estruturação informativa permanecer em plena manutenção.




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