Mundo Operário

DENÚNCIA OPERÁRIA

"O local de descanso dos trabalhadores aqui é insalubre", diz denúncia sobre o hospital João XXII em BH

quarta-feira 5 de agosto| Edição do dia

Recebemos uma denúncia de um(a) trabalhador(a) do hospital João XXIII de Belo Horizonte, um hospital que aparece em propagandas da cidade como um dos melhores da América Latina. A pessoa decidiu não se identificar, por medo de represálias, e diz que o local reservado ao descanso dos funcionários está completamente insalubre. “O lugar em que os funcionários descansam é insalubre. Não tem circulação de ar e os colchões estão todos rasgados e contaminados.”, diz.

A denúncia escancara o descaso dos governos com os trabalhadores da saúde, que colocam seus corpos na linha de frente do combate à crise sanitária todos os dias desde o início da pandemia. O governo de Zema e a gestão da Fhemig se negam a realizar testes, como já dissemos aqui e também a direção da Fhemig obriga os trabalhadores a continuarem trabalhando mesmo com suspeita de Covid ou com caso confirmado, porém assintomático. Também no João XXIII houve relatos de racionamento de EPIs, como as máscaras N95, e armazenamento indevido dessas mesmas máscaras, podendo aumentar a contaminação entre os funcionários.

Isso ocorre por conta do descaso dos governos, que não garantem testes e EPIs o suficiente para os trabalhadores da saúde e nem para o conjunto da população. Minas Gerais foi um estado marcado por subnotificação dos casos de coronavírus durante a pandemia, reaberturas irresponsáveis e ataques aos trabalhadores aproveitando a quarentena.

Enquanto uma parcela significante da classe trabalhadora segue trabalhando sem condições sanitárias adequadas, e por vezes, como diz essa denúncia, em locais insalubres, os governos seguem “passando a boiada”, com reformas e ataques aos trabalhadores. Por vezes os governadores aparecem como oposição a Bolsonaro, como Dória e Witzel, por outras como capachos do presidente, como Zema, mas estão sempre em unidade quando o assunto é atacar a classe trabalhadora e proteger o lucro dos capitalistas. No caso de Zema, em MG, seu papel tem sido o de seguir à risca a linha política de Bolsonaro e Mourão, e também de Guedes, que se concretiza na reforma da previdência a nível estadual.

Somente uma resposta realmente dos trabalhadores pode se enfrentar com esses ataques, organizando comitês em cada local de trabalho para que os trabalhadores decidam como irão lidar com a pandemia em seus próprios trabalhos, sejam em hospitais, setores de transporte, etc. É necessário contratações emergenciais para a área da saúde e diminuição da jornada de trabalho sem diminuição dos salários, para combater a pandemia e também o desemprego.




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