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ELEIÇÕES 2020

O legado de Fortunati: promessas falsas e 1750 famílias removidas de suas casas na Cruzeiro

A obra da Avenida Tronco na Vila Cruzeiro do Sul em Porto Alegre, foi iniciada durante o governo de José Fortunati e nunca foi terminada. Lá existia milhares de famílias que foram removidas com com inúmeras promessas que não foram cumpridas pela Prefeitura, enquanto garantiu milhões para as empreiteiras.

terça-feira 3 de novembro| Edição do dia

Faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições municipais em Porto Alegre e disputa eleitoral segue acirrada entre os candidatos das direita. Segundo a última pesquisa do Ibope, Melo, Marchezan e Fortunati, estão em um empate técnico em segundo lugar com 13% das intenções de votos atrás da Manuela D’Avila (PCdoB), com 27%. O ex-prefeito tenta o segundo turno com o discurso de mais experiência, mas sabemos que sua experiência é atacar e precarizar a vida dos trabalhadores como fez durante sua gestão.

Um dos pontos que Fortunati mais apresenta em suas propostas para a Prefeitura é dar continuidade às velhas obras da Copa do Mundo que iniciaram durante o seu governo e até hoje não foram terminadas e deixaram um rastro de destruição em diversas regiões da cidade. Uma delas é a obra de duplicação da Avenida Tronco na região da Vila Cruzeiro na Zona Sul de Porto Alegre, que começou em 2014 e não foi finalizada até hoje.

A culpa é da empreiteira? Da prefeitura? Da falta de dinheiro? Não, segundo o excelentíssimo candidato do PTB, a culpa é das mais de 1700 famílias que lá moravam. Sim, após retirar milhares de pessoas de suas casas para construir uma obra faraônica inacabada, Fortunati tem a pachorra de culpar as próprias famílias pelo atraso. As empreiteiras lucraram horrores enquanto os moradores amargaram com falsas promessas. Vejam o tweet repugnante do candidato:

O projeto inacabado deixou um rastro de casas demolidas, ruas esburacadas com crateras de lixo e esgoto a céu aberto, e com milhares de pessoas que foram removidas de suas casas com a promessa de que ganhariam novas moradias. Mas essas promessas nunca foram cumpridas. Fortunati havia criado um programa para que os moradores da região deixassem suas casas e recebessem um auxílio de R$ 500 para poder alugar novas casas ou apartamentos de forma provisória até que fossem construídas as casas que haviam sido prometidas. Mas o valor ofertado pela Prefeitura eram um valor baixíssimo comparado com a faixa de preço dos aluguéis nesse bairro e nas zonas mais centrais em volta, obrigando os moradores a irem para bairros em áreas mais afastada como Restinga, Hípica, e Lomba do Pinheiro, entre outros bairros periféricos.


Outro programa criado foi o bônus-moradia no valor de R$ 52 mil, onde a Prefeitura compraria um novo imóvel para os moradores dentro deste valor. Porém a maioria das casas da região é acima de valor, e muitos foram obrigados a também comprar terrenos em bairros afastados, ou em cidades da Praia onde muitos alegaram não conseguirem empregos. Para mais informações sobre os relatos, veja aqui.

Essa foi uma forma clara de gentrificação da população da Vila Cruzeiro, excluindo a população negra e pobre desse bairro mais central para as extremidades da cidade, dificultando a vida de muitos trabalhadores de chegarem aos seus locais de trabalho e com um transporte precário; e muitos inclusive perdendo os seus empregos. Os próprios moradores relataram ter muitos atrasos dos pagamentos do auxílio, sendo obrigados a arcar com o próprio bolso com o pagamento dos aluguéis.

O suposto “diálogo” que fortunati afirma em ter com os moradores foi com falsas promessas, deixando milhares de famílias recebendo um auxílio insuficiente ao longo de anos sem ter reajuste enquanto os preços dos aluguéis seguiram aumentando, além dos inúmeros moradores que receberam o bônus para comprar novas casas em um valor abaixo do que valia.

Além dessas remoções terem sido ultra precárias e com total descaso do governo, a destruição deixada na região causa até hoje inúmeros prejuízos para os moradores que ainda estão lá. Muitas casas dos moradores que deixaram a vila foram destruídas de forma totalmente irresponsável, e a casa das pessoas que ainda residem la foram danificadas pela demolição. Além dos escombros deixados nas ruas dificultando a locomoção das pessoas e tornando um local hostil. As obras também deixou esgotos a céu aberto baixando o nível de vida e saneamento básico dos moradores que ainda estão lá.

Fortunati promete terminar uma obra que não trouxe nenhum benefício para os moradores da região, e que na verdade irá seguir com um plano de higienização da região, expulsando mais famílias com falsas promessas e abrindo espaço às especulação imobiliária, que pretende construir condomínios de alto nível na região, ficando evidente as remoções são exclusões de famílias pobres da região. As obras também serviram para grandes empreiteiras multinacionais e nacionais lucrarem milhões, destinando recursos públicos para o setor privado em obras que mais danificam a infraestrutura do bairros porto-alegrenses do que melhoraram.

Fortunati faz sua campanha com um discurso demagógico de ter diálogo, mas o que ele fez e pretende seguir fazendo é governar para os ricos. Fazer uma gestão que garanta lucros para os empreiteiros e empresários em geral e aumente mais ataques aos trabalhadores e sucateando mais ainda os serviços essenciais da cidade abrindo espaço para projetos privatistas. Assim como Marchezan, Melo, entre outros candidatos de partidos golpistas, Fortunati não é uma alternativa para os trabalhadores de Porto Alegre. Somente uma saída anticapitalista que seja levantada através da mobilização e da auto organização dos trabalhadores pode barrar os ataques e os efeitos da crise que os candidatos da burguesia pretendem descarregar sobre nós.




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