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REPRESSÃO NO CHILE | O governo de Piñera entre a impunidade com a extrema direita e a repressão contra os que se mobilizam

Na última semana foi evidente o contraste entre as ações do governo e das forças repressivas com extremistas de direita como Roberto Belmar, e a resposta aos que se manifestaram contra a política repressiva que o governo mantém em relação ao povo mapuche.

segunda-feira 18 de janeiro | Edição do dia

No último período, o governo de Sebastián Piñera não só tem recorrido à formulação de pactos como o acordo de paz e a nova constituição, firmada entre a direita, a ex-concertação (coalizão eleitoral) e a Frente Ampla, para buscar desviar o que foram as grandes mobilizações - que tiveram seu ponto mais alto em 12 de novembro, na maior paralisação de trabalhadores em décadas - como também tem se baseado no fortalecimento de leis repressivas, como as leis “anti-barricadas”, para conferir maiores poderes às forças repressivas do Estado, reprimindo os que se mobilizam. Isso faz parte da resposta geral que o governo tem dado, tendo de um lado a isca da manobra e do outro o cassetete.

Para sustentar essa forma de atuação, contam com a vasta máquina estatal composta por políticos, juízes e forças da repressão, que lhes permitiram responder ao profundo questionamento gerado pela rebelião popular. Com isso, buscam blindar o regime que defendem há mais de 30 anos, que aprofundou a privatização dos direitos básicos do povo chileno, ao mesmo tempo em que abriu uma porta para grandes empresários saquearem os recursos naturais do país.

Uma balança do lado da repressão

Porém há um claro contraste entre a resposta que o governo tem tido com extremistas de direita como Roberto Belmar, que semanas atrás comentou sobre o caso do feminicídio de Maria Isabel Pavez, dizendo que "ela estava bem morta" e que ela buscou essa situação. O repúdio nas redes foi generalizado. Apesar desses antecedentes, nada mudou para Roberto Belmar, que, junto com um grupo da extrema direita, foi visto portando uma espingarda de chumbo que utilizou contra parentes e pessoas que exigiam a liberdade dos presos políticos da rebelião e a liberdade dos presos políticos do povo Mapuche.

A atuação da polícia foi muito diferente, por exemplo, com a família de Camilo Catrillanca. Pudemos ver a brutalidade das forças repressivas até com menores de idade. Existe uma política sistemática de violência nas comunidades do povo Mapuche. Como mostram os áudios em que funcionários da PDI ameaçam de morte um menor de idade em Temucuicui.

Para Dauno Totoro, candidato da plataforma “Vamos virar tudo, trabalhadores e trabalhadoras revolucionários”, “É claro como os grupos de extrema direita atuam contra quem se mobiliza, protegidos não só pelos carabineiros, que fazem parte das forças repressivas do Estado, mas também pela própria justiça. Enquanto um professor passa dois meses preso por chutar uma catraca, Roberto Belmar é libertado após atirar em presos políticos, isso demostra mais claramente que a única forma de enfrentamento desses setores é por meio da mobilização e da luta, tomando exemplos importantes como a tomada da Plaza de la Dignidad na sexta-feira, contra setores da extrema direita. Isso tem que se multiplicar, temos que enfrentar a extrema direita nas ruas, com a mobilização das e dos trabalhadores e da juventude”.

A justiça e o fim da impunidade não é algo que cairá do céu, no Chile e no Brasil, mas serão conquistadas pela força da mobilização, na unidade que surge entre os trabalhadores e o povo pobre. Esse também será o único caminho para libertar todas e todos os presos políticos da rebelião chilena.




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