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UNICAMP | O caos na matrícula na FE Unicamp e o sucateamento da universidade pública

Com a volta às aulas no segundo semestre, inúmeros estudantes da pedagogia e licenciaturas encontraram dificuldades para conseguir se matricular em matérias da Faculdade de Educação da Unicamp.

sexta-feira 20 de agosto | Edição do dia

As maiores dificuldades encontram-se em torno das disciplinas de estágio, pois em 2020 com o EAD e a incerteza de quanto tempo a quarentena iria durar, os estágios foram oferecidos apenas para formandos, visto que o estágio online improvisado compromete enormemente a formação docente. Agora, com o EAD imposto, os estágios foram liberados para o conjunto da Faculdade de Educação. No entanto, encontra-se um impasse: turmas acumuladas e falta de professores.

Turmas que deveriam fazer o estágio obrigatório em 2020 e não puderam por conta do EAD estão tendo que fazer agora, mas isso se junta com as turmas que teriam as mesmas matérias obrigatórias em 2021. Assim, o cenário concreto é superlotação nas salas de aula e falta de professores para dar mais disciplinas. Como falsa solução, a coordenação da Faculdade está remanejando os estudantes para matérias de manhã, horário que muitos estudantes trabalham.

Ou seja, um aluno que solicitou o estágio noturno está sendo remanejado automaticamente para o período da manhã e é obrigado a decidir se mantém o emprego ou se vai se formar. Isso é um verdadeiro absurdo e acaba excluindo ainda mais estudantes da universidade, que já conta com o absurdo filtro social que é o vestibular e com os ataques à permanência estudantil, como a reitoria fez no ano passado.

Veja mais: Alagamentos e riscos de desabamento: estudantes da Moradia da Unicamp enfrentam precarização

Essa situação é mais uma em meio ao sucateamento da universidade pública, um projeto claro do governo de Bolsonaro e Mourão que já mostraram diversas vezes que têm como prioridade atacar a educação com cortes nos orçamentos. Isso ocorre pois eles, junto com Doria, o STF e o congresso, têm um objetivo em comum: descarregar a crise nas costas dos trabalhadores. Assim, seu projeto de país de privatizar os correios e aprovar ataques como a MP 1045 e a reforma administrativa precisa ter um reflexo na educação, pois ela será a base da mão de obra barata que eles vão precisar. Hoje essa precarização se materializa na imagem de milhares de jovens, em maioria negros, em cima de uma bike ou de uma moto, carregando uma bag nas costas e trabalhando mais de 12h por dia sem nenhum direito.

A luta contra o sucateamento da universidade pública é fundamental e só vai ser levada até o final com uma forte batalha em defesa de mais contratações de professores, com os centros acadêmicos e DCE à frente, junto com a demanda de que as decisões da universidade sejam tomadas proporcionalmente por estudantes, professores e trabalhadores, e não pela reitoria. Essa luta tem que estar lado a lado com as lutas dos trabalhadores em curso, como é com a greve da MRV em Campinas, com mais de 700 trabalhadores em greve há mais de um mês, que devem ser um ponto de apoio de como devemos enfrentar esse cenário de ataques.




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