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Inferninho de luxo | O “cabaré das Torres Gêmeas” e a nojenta burguesia pernambucana

Nos últimos dias os edifícios denominados como Píer Maurício de Nassau e Pier Duarte Coelho, mais conhecidos com as Torres Gêmeas do Recife, ganharam bastante repercussão na mídia por ilustrar o que há de mais nojento na classe dominante local.

sábado 20 de novembro | Edição do dia

Quem veio aqui achando que íamos falar das famosas Torres Gêmeas novaiorquinas, o antigo World Trade Center, se enganou. Os prédios referidos nesse texto ficam na cidade do Recife, no Cais de Santa Rita. Se tratou do primeiro empreendimento de luxo na região, inspirado na arquitetura do “espigão”, de prédios altíssimos que nas últimas décadas se espalharam no Recife e fazem com que a cidade seja, segundo o site Emporis, a 41ª cidade mundial com maior impacto visual de arranha-céus (no Brasil fica atrás apenas de São Paulo). Além de causar um imenso contraste na cidade conhecida como a capital da desigualdade, as sombras dos arranha céus de Boa Viagem impedem que os banhistas possam desfrutar do sol na praia à tarde, enquanto garante uma “maravilhosa vista” a um punhado de ricaços.

Voltando às Torres Gêmeas. Construído na região central à beira do rio Capibaribe perto de sua foz, os prédios começaram sua construção em 2005 mas terminaram apenas em 2009, devido à várias irregularidades na construção que foram questionadas no Ministério Público, mas ao final os interesses da especulação imobiliária acabaram se impondo. Atualmente, são moradia para empresários, políticos, juízes e desembargadores.

Após a construção, as torres serviram de inspiração para o Projeto Novo Recife, que pretendia construir prédios similares na região do Cais José Estelita. Após protestos conhecidos como Ocupa Estelita e a crise econômica que abalou também o setor da construção civil, as obras ficaram paradas um bom tempo, sendo retomadas em 2019. Enquanto isso crescia o déficit habitacional na cidade. Cabe dizer que a região fica ao lado da Ilha de Joana Bezerra, que abriga comunidades como o Coque, que tem o pior IDH da cidade e que provavelmente sofrerá uma enorme pressão para sua remoção para que valorize os empreendimentos de luxo.

Recentemente, as torres voltaram aos jornais por um caso emblemático. Um dos moradores das coberturas, Xando Maranhão, promovia festas de luxo com garotas de programas em sua cobertura. Ao ser multado, em 2 mil reais, o empresário pagou 20 mil para ficar de crédito paras próximas festas. Um exemplo típico do comportamento burguês. O caso então viralizou na internet e em vários jornais. Após a repercussão, os moradores do condomínio de luxo ficaram ensandecidos e ameaçaram protestar quem falasse sobre o caso e tem relatos que rapidamente alguns imóveis foram postos à venda.

A grande hipocrisia do caso é que o incômodo aos moradores do recinto vem apenas a repercussão do caso. Até então, vivam tranquilamente em seus apartamentos de luxo com o empresário. E cabe dizer que esse não é o único morador “polêmico” do recinto. Pelo contrário, as torres reúnem parte da maior excrecência da burguesia recifense e não é de hoje.

Em 2020, foi da Torre que caiu o menino Miguel, filho de Mirtes Renata. Seu filho foi assassinado por sua patroa, Sari Corte-Real, mulher de Sergio Hacker – prefeito de Tamandaré à época. Apesar de tudo, Sari continua em liberdade e morando no prédio – o que parece incomodar os moradores apenas quando há protestos.

Mas talvez o primeiro “acontecimento” lá tenha sido antes, em 2013, quando se descobriu que ali moravam integrantes de uma quadrilha de contrabando, que atuavam de forma mafiosa para monopolizar o comércio desses produtos no centro e tentou assassinar um comerciante que furava o esquema. Além disso, também usavam apartamentos para colocar imigrantes chineses que trabalhavam em condições de escravidão para eles. No entanto, o grande incômodo dos outros moradores com esse fato era apenas com o cheiro de peixe frito que os imigrantes faziam pela manhã.

Em 2015, as torres também ficaram famosas quando uma mala de dinheiro foi arremessada pela janela, após uma operação que visava Rômulo Maciel Filho, ex presidente da Hemobras, investigado por desvios na empresa.

Esses casos foram apenas alguns dos casos que tiveram repercussão na mídia. Sabe-se lá o que mais passa por dentro do condomínio que não ficamos sabendo. No entanto, nada disso parece ser um problema para a burguesia que lá habita. Essa classe parasita e putrefata está unida por seus laços de classe e seus interesses em comum. Só o que incomoda é que fique exposta sua podridão.




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