Mundo Operário

DENÚNCIA

O aumento dos preços tira carne da marmita do trabalhador

terça-feira 25 de maio| Edição do dia

Traremos nesta nota relatos de trabalhadores que, em meio a crise do novo coronavírus, precisam enfrentar o rebaixamento nos salários, o aumento de preço dos alimentos e a deterioração de suas condições de vida, em um momento onde se alimentar bem e ter uma boa saúde é uma questão literalmente de vida ou morte.

“Nem parece que eu trabalho o mês inteiro, hoje tive que trazer ovo, a carne que tinha em casa ficou pra mulher e a menina; no final de semana queria comer um músculo com batata, 29 contos, antes eu achava mais barato, mas agora até o músculo tá esse absurdo”

Mesmo com a queda do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de toda a riqueza gerada no ano, encolhendo 4,1% em 2020, aumentou em 46,7% o número de bilionários no Brasil, passando de 45 (2019) para 66 (2020). Enquanto os trabalhadores não conseguem acessar o mínimo para seguir existindo, uma porcentagem de bilionários retém seus lucros e direciona sobre os trabalhadores, todas as mazelas da crise.

O Brasil é o maior exportador de carne bovina no mundo e segundo maior produtor, e mesmo ocupando este lugar, a população pobre e trabalhadora recebe os preços da arroba do boi a 50% mais caros se comparados a períodos anteriores, o que expressa em letras garrafais que tem algo de muito errado no aumento nos preços dos alimentos, que tira a carne do prato do trabalhador e na insegurança alimentar que assola mais da metade da população.

“Eu até conseguia antes ter carne na geladeira, hoje em dia eu consigo ter mais ovo, frango e carne de segunda, se bem que, daqui uns dias nem de segunda mais, porque também tá cara... Daqui uns dias vai tá vendendo o sebo da carne, ai pelo menos a gente se ilude que tá comendo um contrafilé acebolado”

Este aumento é fruto da sede de lucro que o agronegócio tem tido com as exportações, exportações que servem para encher o bolso dos capitalistas da terra, cujas quais, são esses para quem o Governo Bolsonaro, Mourão e os golpistas trabalham, enquanto que para centenas de milhões de trabalhadores, que são quem sustentam a riqueza de poucos e os verdadeiros produtores de tudo, sobra a fome e a precarização da vida, porque até o final, não é só a carne que vem aumentando, o aumento inclui também, os grãos, levando a nós trabalhadores a ausência do tão popular arroz e feijão também.

“Eu já falei pra mulher, vamos começar comprar mais linguiça, carne de porco, ovo, porque carne não tá dando mais não”

Com constante recorde de desemprego, os agravos da inflação, desvalorização da moeda, aumento dos preços de combustíveis, cortes nos direitos e toda precarização dos serviços públicos, resta à população pobre e trabalhadora, recorrer a opções mais baratas. Proteínas são indispensáveis para nossa saúde, mas o que é a saúde do trabalhador para os capitalistas? O que é a saúde do trabalhador para Bolsonaro, governadores e companhia? Olhando para o agronegócio, a resposta fica clara e evidente que, não significa nada, pois enquanto 125 milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar na pandemia, onde casas com crianças de até quatro anos apresentam um índices de insegurança alimentar ainda mais críticos do que a média nacional, o agronegócio continua com os seus lucros recordes, lucros estes que já existiam nos governos anteriores.

Precisamos calar a boca de Bolsonaro que em uma de suas falas, disse que o agro não parou, e que se não fosse isso, os “idiotas do fique em casa” teria morrido de fome, como se nós, a maioria dos trabalhadores, tivéssemos tido alguma opção de ficar em casa. Esse direito nos foi negado por Bolsonaro, governadores e grandes empresários. E mesmo trabalhando todos os dias, muitos de nós estão morrendo de fome. Precisamos enfrentar Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe organizados e em uma só luta para combater o desemprego e a insegurança alimentar.




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